domingo, 18 de novembro de 2012

Ainda a manif de 14 de Nov

Ainda sobre a manif de 14 de Nov, eu que sou contra a violência e já escrevi sobre o assunto: 

Não me venham dizer que a violência veio dos cidadãos e que a polícia resistiu cheia de orgulho e paciência.

Não me venham dizer que a violência não está na forma como os cidadãos estão a ser tratados o que leva a comportamento de violência e com o qual discordo totalmente.

Não me venham dizer que não está a ser colocado em marcha um plano para silenciar quem está revoltado,indig
nado e sem opções ao qual um dia virá a reagir violenta e, então legitimamente porque sem pão nem brioches.

Não me venham dizer que o poder não tem "medo que o medo acabe" (Mia Couto).

Não me venham dizer que a táctica “dividir para bem reinar” caiu em desuso.

Senhores polícias sabemos como os estados, que têm medo dos cidadãos actuam para controlar. E usam a polícia,naturalmente.


Não me venham dizer que estes não estão preparados para actuar cirurgicamente.

Ser policia é nobre e honroso.É um serviço publico,pago pelos cidadãos para os proteger. Defender-se e defendê-los de quem ataca com pedras. E de quem lhes (e vos) ataca com a manipulação.

Não estou contra a policia. Estou contra as acções e métodos de uso de poder desmedido, desnecessário e gratuito.
Onde através da força mostram as suas fraquezas.

Tal como é fraco quem atira pedras para derrubar o mau poder instituído arremessando-as contra as forças policiais. 


Acredito que nesse dia foram usadas tácticas bastante antigas e que vêm nos livros e não me venham dizer o contrário.

Este mau poder que vigora hoje na Europa deve ser derrubado pela força da inteligência e a coragem dos indignados de vencer através da paz.

Deixo uma análise lúcida sobre o que aconteceu. Que não deve ser lida na diagonal. É acutilante e precisa.

http://bilioso.blogspot.pt/2012/11/tacticas-de-repressao-uma-analise.htmlhttp://bilioso.blogspot.pt/2012/11/tacticas-de-repressao-uma-analise.html

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Não há 2 lados: povo vs policia! 
Há muito mais do que isso. A violência está ao lado do poder, para afirmação. 
O poder está do nosso lado. Se quisermos! 
Sem violência, que era o que se estava a passar. 
Meia dúzia de violentos deviam ter
 sido imediatamente refreados se eles quisessem. Não quiseram.
Preferiram afirmar a força. Como é óbvio e apanágio dos tiranos fracos.
O fim teria sido diferente. Teria ganho o poder das pessoas.
Andam com medo, ou a repressão não seria necessária.
Seria apenas cirúrgica e contra quem represente ameaça pública (património e pessoas).
Esta dicotomia povo malfeitor e violento versus Policia paga pelos contribuintes quais Cristo a ser apedrejado até não aguentarem mais…tem tanta história para contar que adormeceria a contá-la.
O rei vai nu e vendeu-se por um prato de lentilhas
Vai nu quando nos diz que houve resposta adequada às provocações...
Vai nu quando nos diz ser intolerável aceitar violência...
Intolerável é a pornográfica e obscena violência contra as pessoas em nome do dinheiro do poder e da corrupção.
E como dizia o outro: o burro sou eu?

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Um dia de Greve Geral na Europa

À distância e sem muitos dados vou tentar perceber o dia de hoje:
Uma greve geral Europeia que foi um sucesso. Com bordoada a sério nalguns países até em adolescentes que acompanhavam os pais. Um povo de malfeitores!!

Uma greve geral em Portugal com a maior adesão de sempre. Só não contou com a adesão do Silva dos pastéis de Belém. Deixem-no trabalhar! Não bloqueiem o homem.! Ele que devolva em produção o que já gamou.

Violência gratuita e mascarada durante 1h30 mas na hora de saída dos deputados do seu local de raves, a PSP, convenientemente aumentada em 11%, recebeu ordens: vá agora dispersem esses malfeitores, vamos propagar que aguentámos o suficiente com as pedras da calçada e já chega!

Para cima deles (alguns eram estrangeiros violentos contratados para instigarem os tugas que são cordatos e civilizados). Espalham por aí! Como se não fossem cidadãos europeus. Mas se forem daqueles cidadãos europeus tipo brigatte rosse mandem-nos para a prisão que não lhes faz mal. Se forem apenas cidadãos europeus a manifestar-se querem que eu fique contra eles?

Para instigar ódios?

Assim desconseguimos de enxergar a floresta. Vemos apenas a árvore. Assim esquecemos quem deu as ordens e quem comete as maiores violências sobre o seu povo. Ou antes, o povo que lhe deu um voto de confiança. E que já não é o deles. A confiança esfumou-se.

Mais, vamos acirrar os ânimos do povo também contra a psp (que fartinha de tanta frustração também sente a mão leve). Levaram velhos, mulheres e jovens à frente, porque estes velhos e mulheres e jovens são uns possidónios indignados e revoltados e precisam de distracção.

Estou cheia de mágoa, indignada, revoltada e envergonhada. Contra quem deu as ordens. Contra quem manipula. Contra quem faz contra-informação. Contra quem nos quer com medo, calados e ignorantes. Em guerra uns com os outros. Chega!

A água encontra sempre caminhos alternativos quando as margens não a deixam livre. Assim reza a história do homem. Tenho também essa fé!

domingo, 7 de outubro de 2012

Uma mala Luis Vitinho e a fuga de mais um cérebro, o meu!




Antes que o meu cérebro me fuja (e se o parvo anda a tentar) fujo eu com ele. Juntinhos enquanto ainda somos uma só voz e partilhamos os mesmos sonhos e os mesmos desejos. Vamos partir para nova aventura. Porque o filme da história nacional não nos deixa mais sonhar e até já nos tirou a capacidade elementar de não ter que ter um preço para a vida.

Sinto que vivemos hoje mergulhados no nevoeiro mas eu quero continuar a sentir-me como parte de um gene que aboliu a escravatura, aboliu a pena de morte tudo isto antes de qualquer outro povo. Hoje querem-nos  tornar em bons (?) alunos que vergam a espinha e obedecem, com medo, sem alternativas. Sem sonhos,sem futuro.
Alternativas somos todos nós e espero vir a ser mais uma portuguesa/africana a construir um degrau para o futuro melhor do conjunto, e não apenas de mim própria.

O vento da mudança sopra e leva-me com ele. Inevitável seguir-lhe o sopro. E natural. Sempre assim fiz na minha vida. Seguir-lhe o sopro, seguir-lhe o caminho. É apenas isso que me interessa enquanto puder estar a acompanhar o vento. Deixar que ele me conduza. Deixar que “a vida leva eu”. Mesmo que me assolem dúvidas e/ou momentos de solidão, sei que não estou só.

Prefiro caminhar e deixar-me levar, a ficar a imaginar como seria a caminhada. Seguindo a dinâmica da vida onde a única inevitabilidade por inerência própria é a própria mudança. Trago no adn este elo e habituei-me a não me deter perante inevitabilidades aceitando a natureza da minha vida.

Fiz um contrato antes de vir para cá no qual me responsabilizava em cumprir a minha vida, seguindo o vento, onde quer que ele me levasse. Trouxe 1 filho ao mundo e a outros dei o meu coração para que me adoptassem. Levo o coração cheio de  novos ventos pela felicidade que me trouxeram.

Ao meu país fui dando parte da minha vida e dos meus afectos. Muitos cabelos brancos me nasceram cá nos últimos anos, primeiro porque vivi acima das minhas possibilidades e não produzi o que como. Agora porque vivo abaixo, porque não consumo, nem tenho como pagar impostos. Antes que taxem a minha existência pego no meu cérebro, nas chinelas e sigo com o vento.

Por cá temos muitos atractivos que não apenas os emigrantes que voltam anualmente à terra sabem entender. Os que cá vivem, mesmo zangados por sermos às vezes tão pouco atraentes nas nossas mesquinhices, sabem reconhecer as nossas qualidades, a nossa criatividade, o nosso bom coração e a nossa descontracção. 

Talvez seja por isso que acolhemos tão bem outros povos e desenvolvemos como ninguém a multiculturalidade, inerente também ao adn humano e para onde tenho a certeza que o vento do futuro leva a humanidade.

Sempre saímos em busca de novos mundos. Para dar e receber (mesmo que tenhamos roubado imenso noutros tempos da história). E na história bem recente! Sem qualquer vergonha. E,estamos a ficar muito atrás no ciclo da reciprocidade, ao qual temos que regressar. Obrigatoriamente. Se calhar sou uma piegas, mas sou uma piegas consciente. Como cidadã dei muito e recebi pouco. Desencantei-me, enraiveci-me e agora distancio-me.

Como amiga e membro de uma familia dei o que é natural dar. Recebi muito e agradeço a cada um. Dei como sabia, sobretudo como podia e como sentia. Sempre com coerência entre o que sinto,o que penso e o que faço. 

Como não deixarei nunca que a vida passe por mim sem que eu a aproveite, recomeço mais uma fase. Não sem dúvidas nem sem medo. Com a dúvida de onde me levará o caminho e o medo de perceber se serei capaz de enfrentar mais um desafio. Mas são as dúvidas e os medos que vão alimentar a minha capacidade de resistência e fortalece-la.

De novo me irei embalar no abraço de um país que me acolheu e me volta a sorrir, convidando-me a fundir nas suas águas quentes, a saborear a sua fruta doce onde, mesmo que haja pouco, terei muito da paz e tranquilidade que torna os dias saudáveis. Que me trará maior harmonia,simplicidade e ligação com o que gosto de ser.Num ritmo mais sábio e mais de acordo com o ritmo natural da vida.

Aprendi a gostar muito de viver cá e vou ter saudades, porque levo experiências,momentos e gente que me fez bem. Gosto da minha rede de amigos, gosto de vos ter por perto. Obrigada por me terem adoptado a título permanente nas vossas vidas mesmo que a permanência possa ser efémera.

Fica aqui a convocatória aos amigos para um passeio de Dhow até Zanzibar, um mergulho na baía para ver a barreira de coral, um banho de fim de tarde nas águas cristalinas e quentes do Indico enquanto saboreamos um gin tónico, ouvimos os pássaros que bicam as mangas, relaxamos com um livro de Mia Couto numa cadeira junto à piscina depois de um caril de caranguejo, nos divertimos num passeio 4 x4 até à Gorongosa, ou nos enfeitamos em capulanas de mil cores num mercado de rua. 

Ou quem sabe, ficarem por lá.

Não tenho certezas nenhumas, apenas promessas de continuar a sonhar. E chega-me isto.
Até já, vossa Bé 

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Edgar Morin e Eduardo Galleano


Na minha área de eleição a educação que é "o território onde toda a aprendizagem acontece sendo a escola apenas um mapa em direcção ao conhecimento", deixo 2 pensadores com as suas reflexões (Edgar Morin e Eduardo Galleano) para quem se quer abrir a novos paradigmas (do grego = fazer um caminho ao lado) a sonhos e a utopias

http://www.youtube.com/watch?v=m-pgHlB8QdQ


http://www.youtube.com/watch?v=JLV-oxL6mAw&feature=relmfuhttp://www.youtube.com/watch?v=JLV-oxL6mAw&feature=relmfu

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Resposta à carta do PM

Pedro,

Escrevo-te como cidadã e mãe. Usando este canal. Podes até considerar-me ingrata. E com justiça! Não é a gratidão que me move, é mesmo a indignação.
Felizmente desliguei Tv´s e rádios para não ouvir o teu, esse sim, ingrato discurso. Mas infelizmente vim a dar com ele no facebook.Já não se pode estar tranquilo na rede social a fazer piadas sobre os ministros, que eles vêm ter connosco!
E a ver, de repente, o ar carrancudo, de durão, que tinhas. Não um ar triste, pesado e compungido como agora nos queres fazer crer.

Esta é a 1ª razão porque não acredito quando dizes ter sido o discurso mais ingrato que fizeste. Se tivesse sido, falarias como um estadista intrinsecamente sério e respeitador. Não com tiques arrogantes, como o teu antecessor. Sabes quem te deu o poder? Aqueles de quem agora te tentas aproximar, num jeito "cool" e piegas . Tarde de mais.

Devias ter tido um sentimento de pesar autêntico a juntar-se ao sentimento de pesar que milhares de portugueses sentem ao enfrentar a dura realidade dos seus dias. Falando num verdadeiro discurso sobre as intenções de promover acções de verdadeira moral, justas, responsáveis e de coragem para cortar com o passado que nos trouxe aqui. Isto se fosses um político verdadeiro.
Um político que assume o controlo, de quem vai dar de si ao seu país e, fazer sacrifícios pelo mesmo. Com transparência, porque um dia disseste sobre o teu antecessor, entre outras pérolas (falsas),“acho intolerável que as pessoas no governo percam a noção daquilo que dizem" (recordas-te?) e me levam à 2ªrazão para não acreditar no que dizes. Tens noção da coerência do que dizes? E do que fazes?

Um homem Ético simplesmente é!

Não fazer de conta, assim… mais ou menos com um encolher de ombros e a pensar: agora depois de ter cantado as canções no concerto do meu músico querido, vou cantar só para ti, minha Nini, meu tuga valente. Vou-te cantar uma cançoneta festivaleira, num tom piegas, para te embalar. E, (continuaste a pensar) como sei que o Ronaldo marcou um golo e já está alegre, vou continuar a subestimar a inteligência dos meus concidadãos e dar-lhes mais um pedaço de mentira. No facebook que é lá que se estão a divertir e a dizer piadas sobre a anedota nacional que são os ministros.

Para que esta cantiga tivesse a ilusão de solidariedade, até dizes que sabes que “não era o que gostariam de ouvir”.

Estou totalmente vazia. Vazia de respeito, vazia de simpatia, vazia de compaixão, vazia de solidariedade por ti e pelos teus patéticos ministros.
E cheia! De coragem, de responsabilidade e de força anímica para não querer mais nenhum laço contigo. Nem de amizade, nem como eleitora, nem como concidadã. Muito menos como amiga. E muito menos com vontade de me sacrificar por ti e pelos teus sinistros companheiros de manipulações, mentiras, jogos e compadrios.

Não te dou permissão para falares sobre os meus filhos. Falas como pai! Ridículo! E triste! Que sabes tu da vida dura de tantos pais, muitos que nem conseguem ser (porque as politicas têm sido a favor da diminuição da natalidade)! Que sabes tu de sacrifícios? E de dramas? Nada! São palavras ocas as que dizes.

Mais grave ainda, são insultuosas, porque semeadas com enorme hipocrisia. Pensavas que fingindo uma atitude de proximidade e de identificação com a tua vítima, te tornarias credível e empático? Nem com os adultos, muito menos com os mais jovens (tirando aqueles que procuram um lugar ao sol nas desgastadas jotas) a quem roubas o futuro.
Não os sonhos, porque esses, aqui ou agarrando a oportunidade de seguir o teu sábio conselho, já estão a emigrar em massa. Assim como farão os teus filhos se tiverem sonhos. E seguindo o teu plano, ficarás com pensionistas e uma segurança social falida.

Se fosses competente terias ganho essa empatia. Se já tivesses tomado verdadeiras medidas, onde aliasses as reformas, ao crescimento. São tantas as medidas que basta ler os posts do facebook para tirares ideias. Mas nunca com o desrespeito pelos direitos humanos e pela perda de soberania.
Mas como li recentemente num post, de alguém que recordava o princípio de Peter (não sei se conheces): "as pessoas tendem a ser promovidas até atingirem um posto que não conseguem ocupar competentemente", sendo nessa altura "demasiado tarde para os tirar de lá". É o que veremos!

A fibra deste povo, que na tua boca ou naquilo que um teu pobre assessor sem imaginação escreveu sob o teu comando (antes de voltares do concerto, ao qual não fui com pena, mas porque me falta o rendimento para consumir bens culturais e nem quero falar sobre esse ministério, o da cultura, que chamaste para a tua responsabilidade directa), dizia, o povo tem sido de aço, por tudo o que aguenta resignadamente.

Mas acredito que com a tua carta, estará mais consistente e determinado a ser respeitado. Este país certamente que recuperará. Este país certamente que virá a ter crescimento e emprego e um nível de desenvolvimento que merece. Este país há-de encontrar uma solução real e duradoura mas não será contigo, com os teus sinistros companheiros ou com outros da mesma estirpe.
Este povo orgulhoso e que já superou dores terríveis vai ultrapassar porque vai fazer ouvir a sua voz e a sua vontade. Porque vai querer que a história não acabe aqui como tu a queres acabar.
Acabando pela lei do teu memorando que pretende a qualquer custo, ou “custe o que custar” acabar com os portugueses. Nunca esqueceremos que temos que deixar bons exemplos aos nossos filhos e não desistiremos, por eles.
Hoje, amanhã e enquanto for necessário, sacrificar-nos-emos para recuperar Portugal das tuas mãos e dos que em ti mandam.

Porque governas como dizia Eça de Queirós em 1867 “ao acaso, por expedientes, por privilégio e influência de camarilha” e até já acabámos por perder a independência, como ele previa. Os erros vêm do passado sim, mas vêm do compadrio.
Prometemos não baixar os braços até que vejas este momento como a oportunidade para saíres da tua zona de conforto e num rasgo de ética, entregares a demissão. As consequências virão a seu tempo.

Colocaste-te a jeito para receberes todo o tipo de resposta. Mereces! Das mais hilariantes, às mais sérias, às simples e curtas, das longas e politicas até às mais vernáculas. Também eu no teu mural te pedi para ires fazer companhia ao filósofo e discutirem entre croissantes e champagne as razões do nosso afundamento. 
Com a paciência esgotada, obrigada pela atenção. Desculpa o tratamento por tu, mas achei que seria natural a familiaridade de quem chamas amiga.