segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Prólogos e epílogos

Claro que podemos desviar o caos. 


Um dia chuvoso e cinzento, um espermatozóide encontrava-se debaixo de mantas coloridas e quentes. 
Sabia que estava de prevenção, porque já lhe tinha chegado o odor a vinho tinto reles, o queimado das pinhas na lareira e vagos sons de musica popularucha.
Os sons ténues da amena conversa dos companheiros, faziam-no adormecer naquele remanso.
Sem pré-aviso é chamado para a dura competição que é fecundar um óvulo. 
Era o caos, milhões atropelavam-se numa corrida desenfreada e louca.
Alguns ficavam para trás, sem forças. Uns porque incapacitados.

Outros bem capacitados, desistiam simplesmente porque não estavam psicologicamente preparados para dar corpo e forma a alguém que não chegasse sequer ao seu nível de inteligência.

Deixou-se ficar deliberadamente para trás, ele era um destes últimos. Os mais apressados, tontos e fracos de cabeça, que ganhassem a corrida da noite. Ganhá-la-ia traumatizado, defeituoso e com ajudas.

Ele ir-se-ia guardar para um momento de júbilo quando fosse dar origem a alguém especial.

Podemos naturalmente imaginar que foi desta forma que nasceram alguns dos políticos e marionetas da nossa praça global. Custa a crer que "tenha sido o espermatozoide mais esperto a vencer a corrida" como dizem por aí.

O vencedor não competiu sequer. Apenas correu desvairadamente.
Meteram-lhe uma cunha, fizeram-lhe o favor, empurraram-no. Mais tarde até recebe homenagens...

Correu a palavra, ou antes a telepatia, linguagem utilizada entre espermatozóides para comunicar, e, destes acidentes, várias trombas foram concebidas.
Defeituosas de fabrico, sem livro de instruções para correcção das anomalias e com barras de prazo de validade desfeitas.

Trombas estas, cheios de graças e poderes ocultos que desconheço, mas não nego, conseguem fazer com que um povo inteiro, saia da sua habitual letargia para encher inaugurações do Continente e grandes promoções do Pingo doce com direito a matabicho e Carreiras de sobremesa, mas indiferentes a sacudi-los das cadeiras do poder onde se encontram. 
Também esta é gente filha do espermatozóide da minha história.

Com estas trombas e com trombas nossas, assistimos ao caos que nos provocam, ao descontrolo da vida de cada um para onde quer que nos voltemos. Os provocadores são os espermatozóides de corrida à solta. 

Nos países com altos índices de felicidade, seguindo os critérios de aferição, as pessoas produzem mais, têm rendimentos mais elevados, são melhores cidadãos, vivem vidas mais longas, são saudáveis, têm amigos em que se apoiar, percebem valores como a liberdade, a justiça, a generosidade, a solidariedade e escolhas de vida.
São fruto de espermatozóides espertos, inteligentes no cérebro e nas emoções.
Filho do espermatozóide que sai debaixo da manta e decide ganhar por mérito.

No recente estudo sobre o índice de felicidade, o nosso país ficou classificado no índice que eu chamaria de PIB-problema interno de brutos, provindo claramente de espermatozóides que receberam o favor interno de ganharem corridas sem sequer os mínimos olímpicos para competir.

O que me leva a uma reflexão da nossa enorme Natália Correia:

"A sua influência (dos retornados) na sociedade portuguesa não vai sentir-se apenas agora, embora seja imensa. Vai dar-se sobretudo quando os seus filhos, hoje crianças, crescerem e tomarem o poder. Essa será uma geração bem preparada e determinada, sobretudo muito realista devido ao trauma da descolonização, que não compreendeu nem aceitou, nem esqueceu. Os genes de África estão nela para sempre, dando-lhe visões do país diferentes das nossas. Mais largas mas menos profundas. Isso levará os que desempenharem cargos de responsabilidade a cair na tentação de querer modificar-nos, por pulsões inconscientes de, sei lá, talvez vingança!"

Ao que sei, alguns dos nossos grandes e amados líderes actuais são retornados, ou refugiados de guerra como prefiro chamar. Certamente filhos do espermatozóide da minha história.
Nestes casos percebo bem e agora, as razões da entrega de soberania e venda a retalho do Portugal dos pequeninos à Europa, a Angola, Brasil e China.
Por vingança! A única saída de seres fracos e defeituosos.

Mas, estudando a nossa História acho que somos todos filhos de espermatozóides néscios.
Andamos a pedir e a viver à conta. Desde sempre.
Numa real e/ou república promiscuidade entre sermos mais ou menos garbosamente, mendigos, ladrões, putas e chulos.
Passando pelas Índias  indo ao Brasil, colhendo em África, até chegar à modernidade na Europa.
Que se seguirá na mente destes espermatozóides?

Pelo mundo vive-se a barbárie, o terrorismo, o caos, lutas desenfreadas pelo poder, pelo domínio do globo ou se quiserem o Armagedão (deve ser isto a que se referiam as testemunhas de Jeová que me batiam à porta aos domingos à tarde) que hoje observo e vivo, vindo do fruto de 2% de espermatozóides defeituosos.

A duras penas 98% da humanidade conquistou liberdades, direitos e garantias, mesmo que ainda não beneficiando todos, esse é o único caminho em que a quero.
Através das acções e inspiração dos espermatozóides mais fortes e inteligentes.

A duras penas estamos a deixá-las cair. 
Nunca a união da maioria foi tão importante.
Podemos jorrar alcatrão e penas aos restantes 2% de espermatozóides com defeito e acabar com eles?

Basta que 98% de espermatozóides saia debaixo das mantas coloridas e quentes, largue a preguiça corra desenfreada e loucamente para ganhar aos 2% de espermatozóides néscios e incapazes.


Claro que podemos!

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Educação Holística – Soil, Soul and Society (Natureza, Alma, Sociedade) Satish Kumar

“A Educação é um processo para vivermos, não uma preparação para a vida futura”

Temos que ter alguma espécie de amanhã. Juntar histórias, construir histórias juntos. Entre seres livres para libertar outros seres. 
Neste país (e mundo) cada vez mais desigual e injusto, afundado em problemas económicos, ou antes, para lá deles, com as luzes vermelhas da ignorância e do medo acesas no seu máximo, tenho necessidade de emergir e pensar no sistema educativo de uma forma totalmente radical.

Porque estão a matar a Educação (já de si frágil e carregada de merda). Porque o ano lectivo está a começar sem pernas de sustentação. Porque os professores estão sem esperança. Porque as famílias estão em desespero. Porque a sociedade está angustiada.


Com vontade de pegar em facas apontadas em múltiplas direcções. Algumas que não serão as apropriadas. Outras sê-lo-ão...

Encontrei uma esperança em Satish Kumar que me inspira a deixar uma luz, mesmo que ténue. Luz que se prende raivosamente com a razão de ser deste meu blog e dos meus textos. Para esta direcção aponto as minhas facas.

Segundo este filósofo da educação e fundador de uma escola Holística, o segredo está na relação entre a espécie e tudo o que a rodeia contido nestes 3 princípios:

Do grego, Oicos= Casa ou universo habitado.
O planeta é a nossa casa. A casa onde todas as espécies vivem e interagem.
Logos= Teoria do conhecimento da natureza.
Há quantos anos existimos e como coexistimos. Estamos todos interligados e relaciona-mo-nos mutuamente.
Nomos = Gestão ou lei dos estatutos e normas. Como é que gerimos essa interacção e inter-relação?

Se alunos de escolas de renome, ou sem ele, pelo mundo fora, estão a ser preparados no sistema educativo e enviados para o “mercado”, sem saberem estes 3 princípios, não admira que o mundo económico/financeiro/social e sobretudo pessoal, esteja caótico.

O novo sistema educativo/económico deveria ser baseado não no PIB/GDP mas no GNH/PNF (Produto Nacional de Felicidade, hoje muito baixo em Portugal), como se está a experimentar no Butão, esse país insignificante e perdido nos Himalaias.
Mas que deveria ser o centro do mundo. Centro do mundo para a Educação/sistema educativo na sociedade.
Ensinam aos seus alunos não apenas sobre produtos, mas sobre como viver bem em sociedade, como bem interagir entre si e, com as demais espécies.
Coisas sobre as quais somos na nossa maioria,ignorantes.

A alquimia do ser humano é usar as mãos e o intelecto para criar. Olhar e entender com amor, espanto e entusiasmo, como nos relacionamos. Fazer.

Quando começarmos a fazer (com as mãos) e a observar (com o coração) as relações maravilhosas e harmoniosas das inter-relações na natureza, entre o sol, a água, a lua, a terra, compreenderemos (com o intelecto) de que somos feitos, como nos ligamos, a nossa co-dependência e para que nos serve a vida.

Nessa altura teremos chegado ao verdadeiro progresso. 
Através dos 3 grandes princípios do ser humano:
Mãos, Coração, Intelecto (em inglês os 3 H´s: Hands, Heart, Head) ao invés dos actuais princípios educativos:
Ler, Escrever e Aritmética.

Com as responsabilidades que sinto ter no objecto dos meus estudos, a Educação, trago os 3 H´s para me inspirar no Coração e na Cabeça e, usarei as Mãos para os transpor para o papel.


A quem a ela está ligada, deixo a sabedoria de Mark Twain: “ Não deixarei que a minha aprendizagem escolar interfira com a minha Educação”.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Infinita estupidez?

“Duas coisas são infinitas, o universo e a estupidez humana, mas no que respeita o universo ainda não adquiri a certeza ” Albert Einstein

Desconfio que me está na natureza escrever e com ela faço também uma tentativa de entender a estupidez humana. Não, não é pretensão, são efeitos do mundo criado por George Orwell em 1984, hoje em 2013. O grande omnipotente, omnipresente, tirano e louco Grande Irmão.

E o efeito é a angústia.

Há uma hipótese real deste planeta ser o hospital psiquiátrico do universo, ou então, irei continuar a tentar perceber a infinitude da nossa perversidade que nos chega da nossa mediocridade e estupidez.

Estamos a fazer história a cada dia que nos acontece hoje. O “achamento” do Brasil (1500) foi planeado quando assinado o tratado de Tordesilhas (1494).
Quem acredita hoje na versão oficial de ter sido puro acaso?

Com isto vem o facto de hoje muitos acreditarem que esta suposta “crise” e consequente austeridade não tenham sido provocadas. E que não se “encontrem” as soluções. 
Mas antes, aprofundarem maléfica e estupidamente fórmulas de traição entre homens.

Quero muito começar a colocar a hipótese da finitude da estupidez humana. Talvez essa conquista não seja para o meu tempo.

Não fomos feitos para ser escravos comandados, e apesar de seres angustiados em busca de prazer e de em desespero buscarmos o prazer para eliminar a angústia, queremos todos ser felizes e livres.

Mesmo nos piores momentos da história encontrámos caminhos para nos libertarmos das torturas infligidas.

Hoje véspera do 2º Pearl Harbour a 11 de Setembro que tal como na 2ª GM mudou de novo o mundo, quer tenha sido trabalho provocado por dementes psicopatas de origem muçulmana ou da casa americana, com o único objectivo de conquistar poder absoluto, no matrix que o mundo Orwelliano de 1984 nos revela e está em marcha para nos desconstruir, possa esse caminho estar a chegar ao fim.

“Pode-se enganar todas as pessoas por algum tempo e algumas pessoas durante todo o tempo. Mas não se pode enganar todo o mundo por todo o tempo”.

Esta é uma mensagem com quase 200 anos, de A.Lincoln e que eu dedico aos de cá e aos de lá destas fronteiras onde me encontro. Na minha imaginação, já que para eles sou apenas uma cigarra,sem nome. Mas posso ir gravando os pensamentos nas ondas hertzianas e no étereo.

Ninguém semeia hoje uma pequena árvore que seja e, coma dos seus frutos amanhã. Ou veja uma borboleta voar, sem ter passado pelo processo de transmutação.

Não quero que ninguém pense como eu, mas tenho consciência que não penso sozinha nas coisas que penso. Muitos estão já conscientes. A pensar. Jovens, adultos e mais velhos.

Quando escrevo sobre o que penso não estou sob o efeito de cogumelos ou marijuana.
Nada disso, que isso mata e para além de matar, faz mal à saúde.
Nesse mundo de ilusão onde nos levam as drogas proibidas, estaria a curtir um mundo azul, cheio de paz e amor.
Talvez os meus textos mais inspirados estejam à minha espera, sob essa influência. Hei-de tentar.

Quando penso e escrevo sobre estupidez humana, estou apenas sob o efeito de cigarros e vá, uma cerveja preta. Nada que me faça mal. Nada que me desvie para outras realidades.

Como esta é a realidade onde me encontro, tenho que pensar que mesmo que seja uma enorme ilusão causada pelas laurentinas pretas, devo pensar sobre ela, fazer perguntas e insistir com os outros à minha volta, tão saudáveis quanto eu, para que saiam da ilusão que parece real, para a realidade que se assemelha à ilusão.

E juntos descobrirmos se vivemos num manicómio, ou se podemos ter esperança em receber alta.

Se o Deus criador como dizem, nos fez à sua imagem e semelhança, só pode ter muito amor pelas criaturas estúpidas e medíocres que criou e que hoje tentam fazer-se passar por ele. 
E com este comportamento, mostram eles e o seu criador, a sua loucura demente. Profundamente nociva.

Então, sugiro que existam essas criaturas no manicómio em que me encerraram e deixem-me solta por inofensiva. Tudo o que poderei fazer é estar sempre em estado de pura alucinação e liberdade de pensamento.
 

Deixo a sabedoria de um homem que ao que se sabe não estava sob o efeito de narcóticos quando como eu, carregado de esperança disse, “there´s no way to peace, peace is the only way”. Mahatma Ghandi. 

Josef Stiglitz no TEDX sobre desigualdade,crise,austeridade,mitos
http://www.youtube.com/watch?v=GYHT4zJsCdo

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Pandora fora da caixa parte dois

O mito de 
Pan= todos 
Dora = presente 

Era uma vez um pequeno conto:

Um conto sobre ti que me estás a ler. A tua história. Que é também a minha. Inspirada por alguém. Que é como eu e tu.
Um dia vivias num pedaço de um mundo aquático e nada sabias sobre o que se passava cá fora. Davas umas cambalhotas e o jogo era bem divertido.

Uau, aquela água quente à volta e uma vida de brincadeira e pinotes. Afinal isto é que é viver, pensavas.
Com o tempo, que nem sabias o que era e para que servia, mexias-te conforme podias e tentavas esticar as pernas. Mas cada vez mais o espaço ia ficando reduzido.
Intuitivamente ficavas mais sossegado e aguardavas por qualquer coisa que sabias que ia ser especial. Um dia irias saber.
Diariamente ias estando mais atento e percebias que algo se passava fora do terreno, onde já te tinhas habituado a viver.

Ouvias bem os sons, sentias vibrações e mantinhas-te mais e mais atento. Agora que não podias estar tão distraído com brincadeiras. Estavas dentro de uma casca apertada e a tua imaginação espicaçava-te. Querias ser livre.
Cada vez tinhas mais curiosidade. E algo te dizia que ali fora podia ser bem divertido. Querias conhecer para além do teu mundo pequeno, sereno, aconchegado e acolhedor. Não sabias que essa é a tua natureza. Quereres conhecer mais para além do que vias, ouvias e sentias na tua proximidade. Mas essa é a tua verdadeira natureza. Fazeres parte de um todo, indissociável da busca do conhecimento e do prazer. E com o amor universal como fim último.

Um dia decidiste que era a hora, sentias-te forte e mesmo sem razão aparente, fizeste a tua primeira escolha. Sair para ver para além do que já conhecias.

Integraste-te no novo mundo. Foste fazendo inúmeras escolhas.
Como um astronauta em expedição noutro espaço, a realizar um experiência, trazias vestido um fato, o teu corpo físico e com ele um centro de comando. A tua intuição.

Mas tal como o astronauta és conduzido por outro centro de comando.

Os teus pais, a tua família, os teus amigos, o sistema de educação, o teu trabalho, os teus governantes, as tuas religiões. Todos te iam condicionando. Todos te dizem que um mais um são três.
Não sabias o que mais havia. Todos te diziam quem ser, como ser, o que fazer.
Alguns de nós conseguiram ter e receber outras visões e mais cedo ou mais tarde, simplesmente...são quem querem ser.

Como o astronauta, vais recebendo instruções do centro de comando fora de ti, fora do teu fato, para o que deves fazer, ver e ouvir no momento seguinte.

De repente encontras-te com uma manada de vacas no pastoreio. Aparece uma vaca a dizer-te que um dia chega um veículo que te transporta a um local, vai-te pendurar num gancho, rasgar-te as entranhas, cortar-te em pedaços. E que virão outros seres, compram-te para te comerem.

Tu não vais acreditar. É demasiado absurdo. E ficas no teu pastoreio. Até que esse dia chega. Porque assim escolheste ficar. A pastar, sem nada pensares. 

Tinhas perdido a ligação com o teu único e verdadeiro centro de comando. Com o teu desejo de seres livre. E conheceres para além dos teus pastos.

Passam muitos anos de um calendário inventado por uns da tua raça que te controlam e manipulam. Sem qualquer relação com a tua natureza. Um dia partes, como viste outros partirem. Deixam o fato de astronauta. Mas não sabes para onde foram. O que será que há para lá de nós?

Esta é a tua história e a minha, e de outro qualquer como nós.

Desejo que um dia, desligues a ligação com o falso centro de comando e te religues a quem és. Uma consciência universal, comandada pela tua alma e pela tua intuição.

Aquela que te indicou que deverias vir fazer uma experiência, deveras transcendente no mundo físico.
De evolução. De sair do ventre materno e conhecer mais além.

Abre agora da tua caixa, deixa sair o seu conteúdo negativo, e, com ele, também a esperança, o último item remanescente e com ela, faz-te renascer e recriar.

Com a mesma esperança, nascida da intuição, com que um dia decidiste, que aquele pequeno mundo onde passaste tanto tempo era insuficiente para te conheceres.
E aos outros. Se o fizeres, o centro de comando e o poder, passam para as tuas mãos.

A caixa de Pandora só pode trazer os males do mundo, se neles acreditares e te deixares comandar. Se não quiseres ser dono do conhecimento. 

Daquele que vem do único centro de comando desde que nasces. E através dele deixares-te inundar num lago de amor e liberdade.




(Inspirada em exemplos de David Icke.)
http://www.youtube.com/watch?v=dOUXRyS_W7A

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Pandora fora da caixa

 “Não me molho com a chuva porque sou feita de sol”,
arte de rua anónima

Na vista da minha janela, um espelho.
De um lado, estou eu.
No outro, os problemas do mundo.
Olhei-me!
Vi, do outro lado do espelho reflectido, os últimos,
Que me mostraram uma rebelde.

Prometi ao escritor Luis Sepúlveda que pedia, num dos seus maravilhosos artigos sobre as guerras no mundo com os argumentos tenebrosos e falsos para as justificar, que iria fazer barulho ao silêncio politicamente correcto que por aí se move.

E pur si muove…

A classe das aves é o bode expiatório para riquezas recentes e bem recheadas de alguns novos ricos.
Uma vendia ovos em criança, outra vendia patos…
Só patinhos feios e nenhum se torna cisne. Apenas pantomineiros.
Gostava de saber quais os animais vendidos pelos nossos ricos, quando começaram a arrebatar riquezas por cá.

Neste chão e noutros arredores também, só uns estão em modo de empobrecimento.
Outros ainda vão ficar mais. Segundo os mais recentes desejos de vinganças que circulam na quinta.
Mas por razões que nenhuma razão e nenhum bom senso desconhece.
Se até os mais sonolentos desconfiam dessas razões.

Razão tem o ditado africano: “O cabrito come onde está amarrado”.
Uns e outros estão amarrados em árvores férteis de frutos suculentos.

Somos demais neste planeta, estamos a mais, somos pedras no sapato de alguma “gente”. Somos uma chatice.
Isto, vindo de gente, que gente não é certamente…
Gente que não só nos quer eliminar subtilmente, como também usando formas mais “gressivas”, como dizia um conterrâneo de Cabo-Verde.

São muitos os interesses que fazem girar este pequeno grupo de homo nada sapiens, apenas ganancioso. Todos os meios servem.
Por ser cidadã e para me lembrar constantemente quem sou. E o que faço aqui (como diz a canção). Abro a caixa e saio. Deixo a caixa, sem medo e sem culpa.

São muitos os interesses que me movem a continuar a ser rebelde. E muito desobediente. E ainda mais politicamente incorrecta.
Só não me serve o meio que me diz que não tenho outro caminho alternativo.
Todos os restantes meios me servem.

Rumo à reconciliação e ao estreitamento de laços. Indissolúveis e irreversíveis. Feitos de gente. Entre gente.
Unidos por direitos humanos únicos e verdadeiramente universais.

Quem sabe um dia rasgamos o sinal de proibido sonhar.


Michael Jackson - Man in the mirror

domingo, 1 de setembro de 2013

Moda Conde Barão,

Deixem as putas em paz.
Com a moda que criaram para se distinguirem.
Acho completamente errado que jovens muito jovens, ou versões das jovens mas com mais anos civis, andem a copiar modas.
Assim não contribuímos como género. Nem nos tornamos sinónimo de modernização através destas escolhas.

Chamem-me obtusa e invejosa que eu nem quero saber. Chamem-me desinformada e com preconceitos que eu abano o rabo e sigo o meu caminho.
Mas opinativa ou julgadora, isso nunca deixarei de ser. Daquelas sem políticas correctas.

Há por aí cantoras, do actual regime musical da coxa à mostra, que decidiram que quanto mais mostrarem de pele, mais discos vendem. Não interessa a voz.
E juro, palavra d´honra, algumas até sabem cantar. Mas mostrar curvas é que tem a ver com a evolução da música.
Algumas cantoras nasceram apenas com capacidade para miar e ninguém lhes diz.

Mas o objectivo é mostrar muita pele para que o processo da fotossíntese seja mais fácil de realizar… a venda de discos,

Digo eu quando tento perceber as razões do roubo de estilo.
Aqui começo a fazer um paralelismo, entre este mundo e o mundo da moda.
A vulgaridade versus chamada de atenção e/ou talentos.
As invejosas, quanto a mim, são as miúdas “tipo” jovens, e as mulheres “tipo” menos jovens (são elas a falar) a copiarem estas cantoras, talentosas ou não, que por inveja, isso sim, foram buscar a moda ao Conde Barão.

Lembro-me desde sempre que esta rua, sempre foi o nicho tendencialmente usado para o trabalho desenvolvido pelas putas.
Com uma moda vulgar por definição. Com a finalidade de vender o que elas pensam ser um produto.
Profissão que honra apenas os homens, mas isso é assunto para outros escritos.

Naturalmente que nessa rua nasceram várias tendências de moda.
Como em Inglaterra nasceu a tendência do uso das sandálias com meias, naquela rua e nas suas congéneres pelo mundo, nasceu a moda da mini-mini-saia, vulgo cinto largo, e o stilleto. Bem alto, de preferência.

Hoje adoptadas pelas mulheres de linguagem moderna.
Está mal. Errado até ao âmago da coisa. Como diz uma minha amiga” andam a pôr pouco tabaco”.
Deve ser a inveja a falar, de uma primitiva que só gosta de chinelas e com dificuldades de equilíbrio em cima desses saltos.

Nunca vi necessidade, sem falsos moralismos, de vender a imagem, através do uso de cintos largos e saltos. Algumas ainda pioram mais o visual, juntando-lhe meias arrendadas…

Andou a Betty Friedan a queimar o soutien, para que as mulheres votassem, tivessem liberdade a vestir, a ser quem quisessem ser, a ter igualdade de oportunidades no trabalho e na vida social em nome dos direitos humanos e agora isto…

Mas em democracia, aceita-se tudo, até a minha opinião sobre este estilus horribilis.
Mas uma mente brilhante pensa isso sim, em proibir o piropo…
Não partam os dentes do trolha que pirosamente piropa as damas do Conde Barão. Ou as outras. Por indistinguíveis.

Hei-de dar cabo da cabeça da minha neta, para que ela seja quem quiser ser, sem precisar de usar minis com saltos altos. Vulgar e não sexy. Como elas pensam que são.
Por ser uma moda aterrorizadora. E pertença de um grupo específico.

Tenho sentido do ridículo na “moda” e acho (do verbo achar que está mal) que as putas devem ter algo que as distinga, também por isto, não concordo com este roubo indecente de moda.

Meninas e mulheres libertem-se de facto, resolvam a vossa auto-estima, por vocês mesmas, inventem formas belas de chamar a atenção e, deixem a moda das putas em paz e sossego.


Presas, primatas e mudanças


Nos tempos selvagens que vivemos “a mudança de comportamento é a maior conquista que o homem deseja alcançar” (Desmond Morris).



A grande preocupação da classe a que pertenço, a humana, é a de exteriorizar, ou direi antes, colocar à mostra para que outros vejam, ao invés de interiorizarmos sobre o que nos está a acontecer. À raça.

Ardem-se-me as entranhas ao pensar que proíbem o uso de vulgares garrafas de azeite à mesa, ou de fumar em todo o lado, mas desconsideram fazer leis que protejam a vida dos únicos que de forma afoita nos protegem as casas e vidas, para que uns obscuros tenham proveito com terrenos e madeiras ardidos.

Fritam-se-me as entranhas quando morrem mulheres nas mãos da violência doméstica, sem conseguirem que as suas lágrimas sejam ouvidas, porque carecidas de uma qualquer matéria de prova contra o violentador.

Cozem-se-me as entranhas quando somos surdos à desinformação generalizada sobre potenciais guerras “al di lá” das nossas ruas mas também mudos em relação ao desperdício em que o nosso quintal ainda respira. Lenta e em coma assistido.

País em modo selvagem. Ou das selvagens. Pertença lusa ou espanhola, tanto já me faz.

Eis senão quando, alguém se preocupa com a protecção à piropagem. Que me faz lembrar o primitivo a arrastar a sua dama das cavernas pelos cabelos.
De onde evoluímos,
ou não…

Certamente para proteger as mulheres cinquentonas, com madeixas, e o uso do cartão de crédito com o limite há muito ultrapassado.
Daquelas que já só recebem piropos dos predadores dos andaimes, se estiverem distraídos a almoçar. Nalguma sobrevivente construção pré-autárquica.
Ou em noites em que se sintam as verdadeiras swag na noite. Quando os gatos são muito parvos.

Da forma como as relações humanas e sociais evoluíram recentemente com as novas tecnologias, e, com a nova vida social na sociedade moderna e global, quem piropa arrisca-se a levar uma punhada entre os olhos, da adolescente mais primitiva, “tipo uma qualquer tájaver”,
ou a simples ignorância de uma qualquer mulher que tenha evoluído, um pouco mais que o primata que a piropa!

Continuando na minha deambulação sobre as descobertas de Desmond Morris no “Macaco Nu”, até chegar aos evoluídos dias de hoje, na sua arrogância, o homem não é mais que:

-” Um primata, um animal que um dia se ergueu, passou a caminhar em pé, desenvolveu seu cérebro e transformou-se no mais extraordinário ser deste planeta.
Um animal que prefere se ver como um anjo caído e não apenas como um primata que se levantou.”
Nossos ancestrais primeiro desceram das árvores. Depois passaram a caçar em grupo. Seus cérebros se tornaram mais complexos e surgiu a linguagem.

E com ela, o piropo.

Anjos caídos, primatas amigos e companheiros de raça, piropem, fotem, facebookem a treta que somos, mas swapesse esta raça que mata, violenta, rouba, corrompe, manipula, mas sobretudo uma raça que continua a exteriorizar e a desperdiçar o bem maior que é a vida.
Com estes pecadilhos e crimes menores e/ou maiores.


Eu cá, que já nem recebo piropos, o que me causa uma certa tristeza como primata fêmea, e aborrecimento, como primata inteligente, ao não conseguir levar o primata macho a tribunal com dentes partidos, tenho esperança de cair da cama, bater com a cabeça no chão, acordar e, perceber que isto é apenas um jogo virtual da raça, como civilização evoluída dos primatas.