quarta-feira, 9 de outubro de 2013

"Há hoje menos fruta nos pratos dos meus avós do que num shampoo"

Hoje associo ao meu texto o discurso de Charlie Chaplin em “o grande ditador” com clips e musica numa belíssima e sensível montagem do meu jovem amigo Pedro Pereira.http://www.youtube.com/watch?v=_60W9vjeeTA


Tive avós. Como numa qualquer família normal. Avós a sério. Capitalistas.
Como exemplo tive uma avó que vendeu donuts, cozeu vestidos antes de existir a ideia de alta costura na Guiné-Bissau e criou 10 filhos. Muitos dos 40 netos cresceram com ela.
Outra avó foi actriz e pianista. Um avô foi da marinha mercante e mais tarde teve o seu táxi. Gostava de passear e de conhecer pessoas. Ensinava a todos muitas das coisas que tinha aprendido com a vida. Todos queriam aprender com ele.
Os meus avós tiveram vidas ricas. Verdadeiros capitalistas, valiam como pessoas, com o que criavam para os que os rodeavam.
Só lhes conheço mais-valias tamanho o lucro que lhes conheci em dignidade. Como tantos outros.
Viram famílias amigas e souberam de outras desconhecidas a perderem os seus filhos para as 2 guerras mundiais, para a guerra colonial e muitas outras circunstâncias paralisantes, entre elas o espectro da pobreza.
Uns avós em África outros na “metrópole”. Onde o desenvolvimento se fez tarde.
As mulheres não votavam, mas trabalhavam tanto ou mais do que os homens. Para a família. Davam tudo o que tinham e sabiam.
Passaram por circunstâncias de vida que lhes enrugava a pele do corpo.
Mas estes meus avós com todo o desespero e decepções que a vida lhes trouxe não perderam a capacidade de resistir às adversidades.
Sabiam que não podiam deixar que as adversidades lhes enrugassem a alma. Era imperioso para a sua sobrevivência. Sabiam o que era vital para a vida.
Nunca ficaram paralisadas pelas perdas e lutas que tinham de enfrentar.
Nunca as adversidades os tornaram seres frágeis e passivos, porque resistir e ultrapassá-las era tudo o que poderiam transmitir aos seus legados: filhos e netos.
Foram parte da construção de Nações. Os meus avós e todos os avós.
Viram filhos e netos partir, a fugir de guerras e a dor foi impensável.
Viram filhos ser presos por lutarem pela liberdade. Uns perderam a vida. E a dor passou a ser inimaginável.
Recompuseram-se e encontraram onde não supunham existir, forças para aceitar as dores e mudar a vida, transformando-a em algo de que se pudessem orgulhar. Foram jovens antes de serem velhos e outras batalhas travaram, para que o entusiasmo os fizesse chegar ao outono da vida.
Os filhos hoje também são avós, trabalharam muito numa sociedade já bastante evoluída que eles nos deixaram.
Que vem de um tempo em que se morria cedo, em que a esperança de se ter saúde, educação e justiça para todos era uma miragem, ou poucos sabiam das suas infinitas possibilidades.
Descontavam e não esperavam nada de ninguém. Apenas que os seus os tratassem com dignidade.
Os seus que são a família, comunidade, sociedade.
Todos os avós que chegaram ao seu outono, hoje perdem a esperança em ver chegar o inverno.
Porque os filhos e os netos deles os roubam.
Deixando-os ao abandono nos corredores dos hospitais, nas enfermarias, nos lares ou nas suas próprias casas como se não tivessem tido história. Ou tirando-lhes o pouco rendimento que têm.
Como se não fossem parte da nossa história e tivessem passado pela vida sem a ela se entregarem.
Fizeram-no também por nós, os seus filhos, netos e bisnetos.
Os meus avós e hoje os meus velhos pais merecem que eu os honre e tenha esperança em que um novo invento surja: um mecanismo que nos torne menos obedientes e serviçais perante os homens que detém o poder.  
O mecanismo que encontrarmos tem de ser uma arma infalível de anulamento do poder que têm esses outros que se esqueceram dos seus velhos, para bem da nossa sobrevivência. Pelos nossos filhos e netos.

Aqueles que hoje se apoderaram do poder, e, parecendo que não tiveram avós nem pais, roubam despudoradamente a dignidade dos velhos, que a muitos é tudo o que lhes resta, mesmo que nos seus olhares ao desânimo se tenham entregado.
Hoje “há mais frutas num frasco de shampoo do que no prato de muitas crianças” e, do que no prato dos nossos avós.

Temos pela frente um desafio gigante à nossa criatividade, inteligência, capacidade de adaptação e preservação da espécie. De combate a quem nos pretende aniquilar. E aniquilar os nossos avós e pais velhos.

Como os nossos avós fizeram.
Neste jogo sobrevivem os que melhor se adaptarem e criarem resistências.
Como a cana de bamboo, dobra-se com a força do vento mas não parte. E, volta à sua forma primitiva muito mais resistente e digna.

Duvido que os que roubam o pouco dos meus velhos, tenham tido este tipo de avós bamboo. Se tiveram então nada aprenderam sobre capitalismo.

Sou mais do que o valor que tem o meu trabalho, ou o produto que dou como resultado do meu trabalho, como somos hoje medidos na sociedade descontroladamente capitalista e sem mapa.

A mais-valia ou lucro da minha vida mede-se pelo valor da honra e da dignidade que os meus avós e pais me deixaram.
Mede-se pelo trabalho que faço e que não é contabilizado pela empresa-sociedade, em prol da minha família, dos meus amigos, da minha comunidade, do macro-cosmos onde me insiro.
Essa é a minha única empresa-sociedade a que quero pertencer. Em nome deles e de responsabilidade ilimitada pelos restantes da minha espécie.
E acabar com aqueles que querem com eles e comigo acabar.

Para nunca ter rugas na pele da minha alma.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Portugal grande Nação

Temos uma grande Nação, uma fantástica chanceler, um enorme PR e um magnifico PM.
Os políticos são também o equivalente aos duendes maravilhosos dos contos de La Fontaine.
Exceptuando 1 ou 2 vá, mauzitos, com nomes, bigodes e figuras a apelarem ao sexo, mas não fazem mossa (se escrevesse moça e não mossa queria dizer moça e não mossa entenderam?).
O PR fez declarações de final da recessão em Portugal, na Suécia, que nada têm de palhaçada.
O PM está-se a cagar, ou a borrifar (vai dar ao mesmo com menos mau cheiro) para as eleições, porque não só as perdeu como é o equivalente a um unicórnio nos contos dos irmãos Grimm. Só existe com poder na sua própria imaginação.

Num país onde os pobres pagam muitos impostos e os bancos poucos e são resgatados pelos pobres, temos uma chanceler que face (não de face em anglo-saxofónico-porque hoje é dia da música) aos nossos protestos de rostos visivelmente castigados pela fome,
(para uns está muito mau e para outros a dificuldade reside em não conseguirem comprar o Iphone qualquercoisa), resolveu perdoar a dívida portuguesa, como esse grande país de trabalhadores meticulosos e obedientes, um dia recebeu perdão.

Mesmo que em circunstâncias históricas diferentes. Para mim, também estamos em guerra agora.
“Mas isso agora não interessa nada”.

Pelas declarações dos nossos mais altos representantes, fico com a ilusão de que vamos ser livres e que estas eleições foram uma lufada de ar fresco.
Vivemos numa pseudo- democracia em pseudo- liberdade. Mantêm-nos na ilusão da liberdade presos a dívidas. Convenientemente.
O único que vive em liberdade é o grandioso Isaltino.
E na sua liberdade, ganha eleições e festeja-as com o seu povo. De uma janela fashion com cortinas aos quadrados.
A dívida fica para os eleitores do concelho com mais licenciaturas por m2. Todos deveríamos aprender com exemplos de tamanha sabedoria.
Pelos vistos os nossos licenciados aprendem bem.

Aprendi com estas eleições que PSD,PS,CDS,BE perderam todos. Ganharam umas camaras, perderam outras, mas a regra foi perderem em número de eleitores.
Onde foram eles parar?

Na verdade ganharam as pessoas que ou se abstiveram (quase 50%),os votos brancos e nulos (os que lá foram e protestaram, mesmo não servindo para nada). De liberdade nada têm.

Os que votaram nestes partidos, porque são como os cães de Pavlov e devem favores ou os outros porque ainda acreditam em unicórnios e fadas, perderam de facto.

Acredito que por convicção, foram apenas os votos que fizeram aumentar o nº de eleitores na força politica que come criancinhas ao pequeno-almoço, a CDU. Que ninguém hoje acredita mais que as comam, naturalmente.
Eles nem sequer frequentam Igrejas ou estudam para padres…

Daí o PM se estar a borrifar para eleições, o PR avisar os estrangeiros que saímos da recessão.

Estamos a comprar mais iphones, vamos passar a comprar mais roupas com estilo em Dezembro a conselho da apresentadora, os concorrentes da casa dos degredos aumentam-nos o nível de felicidade, o Sócas vai lançar um livro sobre qualquer coisa que não interessa a quem acredita em duendes e unicórnios, a Sónia Brazão não se assume responsável pela explosão da sua casa e por fim, o único que foi visto a ir aos mercados no dia 23 foi o Walliveira e Costa. Nas Caraíbas. Comprar maracas e calções de banho.

E eu, fui lá, comprar coentros para a açorda.


O que acabo de vos contar foi a história que vi num programa BBC vida selvagem, munida de um kit sobrevivência que inclui um iphone com o sistema operativo antigo porque o novo dá muitos erros, uma barra de nutela para não entrar em hipoglicémia quando acontecer o terramoto, e, a história era contada pela chanceler Merka de olhos lacrimejantes, antes de assinar o perdão da nossa dívida.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Cidadania versus Política


Hoje li um artigo do Daniel Oliveira que me deixa a pensar na forma de ser cidadã dos portugueses. 
Somos pouco dados à cidadania. Falamos muito, mas sentados em frente a caracóis e imperiais, nos estádios, nos sofás e nos teclados dos pc´s. Ou a fazer “lol´s” nos postes (em português) cheios de humor sobre as autárquicas, ou bonequinhos tristes nas noticias de mais um qualquer corte.

Mas gostaria que alguém me respondesse. Quem é que hoje se dedica à arte cidadã da politica? Do interesse sobre a polis e o bem comum?
Os partidos? que nos representam?? 

Exemplos e referências devem-nos chegar sempre de cima. Os que menos sabem aprendem com os que mais sabem. Por imitação de comportamentos, mas desconfio que a realidade é outra e bem diferente.

Que eu saiba não há estudos sociológicos sobre esta nossa forma de estar, por isso temos de falar apenas pelo senso comum. Sou das que emigra quando a coisa está preta. Porque assim me impõe.
E depois regresso à minha Ítaca (a este chão).
Porque muita coisa me prende cá. Nem sempre voto. E cada vez sou mais abstencionista. Mas não gosto de ser. Queria ser mais cidadã. Por isso tenho que escrever o que penso.

Gosto deste país e gosto do seu desenvolvimento em muitos aspectos. Desenvolvimento que conseguiu ao longo da sua jovem democracia, já com alguma maturidade. Talvez noutro Portugal ideal, daqueles que até já dominou o mundo, muitas transformações tivessem acontecido nestes 40 anos.

Melhorámos em muitas coisas, cidades, aldeias e vilas e podíamos ter crescido ainda mais. Mas está-nos no sangue receber 1 milhão, gastar 200, meter ao bolso 700 e dar umas luvas de 100. É o nosso sentido de equidade. E vem desde cima.

Temos muitos estádios, muito cimento, muitas auto-estradas a ligar Coimbra A a Coimbra B, mas os investimentos sérios em Educação, Arte e Cultura, Saúde e finalmente Justiça, ou seja os pilares de sociedades desenvolvidas, com cidadãos a fazerem uso do poder de se organizar em movimentos cívicos, em partidos políticos, em ONG´s ou associações pela promoção seja lá do que for, ficaram presos às lógicas político-partidárias dos últimos anos democráticos.

E começámos a fazer retroversão nos últimos anos como todos observamos. Inventaram umas desculpas e agora do 1 milhão recebido, pagamos 1 milhão e meio, pelo meio pagamos 400 aos amigos bancos, metemos no bolso de uma off shore 200 que sacámos aos cidadãos votantes e desinformados.

Se a cidadania não se ensinar desde tenra idade, nas escolas, nas famílias e nas comunidades e não se praticar nos microcosmos dos cidadãos, dificilmente estes se colocam em prática nas vidas dos jovens e mais tarde em adultos no seu macrocosmo.

A apatia politica dos cidadão, ou a tal força de cidadania vinda dos sofás Ikea e dos comandos meo, talvez se deva a alguns factores inexistentes na sociedade portuguesa, como os que já apontei.  

Por outro lado temos a Engenharia de negócios que descobrimos cada dia da vida portuguesa, feitos pelos partidos políticos, no governo ou na oposição, e pelos deputados eleitos. Negócios e nada de politica.
Afinal os cidadãos que não se preocupam com a polis são aqueles que fazem política e a deveriam praticar.

Confuso? Por isso andamos a sentir o vazio. Estamos desconectados.
Elegemos os nossos espelhos para estarem lá a entre-ajudar-se. Ou, elegemos quem manipulou melhor e despudoradamente garantiu fazer diferente e enganou os cidadãos?

Para além da educação e sua prática, para nos ligar à cidadania, à democracia e sobretudo à politica, porque todos a fazemos até em frente ao pires de tremoços, precisamos que os duzentos e vários deputados eleitos para a santa casa da misericórdia de são bento, usem as legislaturas para escreverem:

a)    Leis eleitorais verdadeiramente democráticas, onde os círculos uninominais sejam realidades, para votarmos nos nossos candidatos/cidadãos, independentes ou não de partidos políticos.
b)    Leis eleitorais onde votos brancos sejam contáveis para efeito de manifestação do descontentamento civil ou de não eleição (haveria 1 palhaço diferente em Belém). Ou que desse origem a repetição de eleições, sem os candidatos anteriores.
c)    Leis eleitorais novas e transparente sobre financiamentos aos partidos ou movimentos de cidadãos essenciais à democracia (a verdadeira e não esta ilusão em que vivemos).
d)    Leis eleitorais para que cidadãos possam votar independentemente do sitio onde se encontrem inscritos (a tecnologia electrónica está inventada) e reverter a abstenção.
e)    Leis eleitorais que diminuam o nº de deputados na casa da Republica e se poupe dinheiro aos cidadãos.

Talvez com estas medidas, se nos sentíssemos representados de forma mais séria, honesta, responsável e transparente, fossemos outros cidadãos.
Mais sérios, responsáveis, honestos e transparentes.

Não sei, digo eu, apenas usando o bom senso e não me demitindo do meu papel de cidadã activa na arte da cidadania politica.

Temos um Estado social a fingir já que pagamos impostos indecentes, que são assaltos à mão armada e não sabemos para onde vão. Ou antes, desconfiamos.
Há muito que o Estado nos deixou órfãos e não dá na mesma medida em que recebe.

Nós cidadãos temos armas desiguais num sistema politico/partidário desigual. No seu financiamento e na sua opacidade de funcionamento.

Mas importa chamar-nos a todos de calões, de falta de massa critica, ao invés de elevar as consciências, ensinar fazendo e dando exemplos. 
A começar pela comunicação social vendida. A maior puta de todos.

Essa falta de pedagogia faz-me brotoeja. Que são umas borbulhas cheias de um pús verde. Tenho que as rebentar, escrevendo. Para que não me causem um cancro e lá ir parar ao inexistente SNS. Antes morrer.

Como dizia o G.Orwell no Triunfo dos porcos “os homens são todos iguais, mas há uns mais iguais do que outros”, que é o que se passa na política portuguesa.

Daí alguns dos movimentos independentes que surgem serem apenas manifestações de guerras intestinas das entranhas partidárias. Que dão em diarreia. E não me aumentam a confiança na arte de fazer política pelos travestis a que chamamos políticos.

Dizem que vem aí uma tempestade nos EUA que vai devastar extensas zonas e já há planos de protecção civil e de cuidados pós catástrofe.
Dizem e não são as senhoras dos jeovás, que vem aí um tsunami/terramoto devastador que arrasará Lisboa, zona costeira Alentejo etc etc. E que vamos morrer todos por falta de protecção civil pré e pós.
Dizem que há uma pirâmide submersa e agora descoberta nos Açores.
Dizem que há uma nova ilha na Indonésia, aparecida pós deslocação das placas tectónicas.
Dizem que o Woody Allen vem filmar em Lisboa (não sei se antes, se depois do tsunami, se ainda vai a tempo de filmar submarinos com o Portas, caso não tenhamos desaparecido da geografia do planeta).

O mundo está a mudar rapidamente só não sei se para melhor ou pior. Talvez uma rede na ilha Indonésia seja um bom refúgio, já que não tenho guelras para sobreviver na pirâmide submersa.

Digo-vos do alto da minha cátedra de sonhadora utópica, que se o mundo ainda existir no domingo à noite, não terá em nada mudado a consciência dos que hoje 6ª feira, fazem politica e que de alguma forma atiram as suas responsabilidades, para a responsabilidade dos cidadãos.
Os tais que eles dizem que o são pouco, porque não se envolvem na polis.

Vale a pena ir votar(aqueles que podem), dá-nos a nós cidadãos, alguma ilusão de poder. Quanto mais não seja, votar no candidato do partido mais pequeno de todos os concorrentes.

Para que os partidos maiores já instalados (os sobas da Europa), comecem a mudar a consciência de que o poder que julgam inerente, por defeito e absoluto, depende em muito das escolhas dos cidadãos e, que estes não são tão burros como os consideram.


Vou confessar um segredo, para mim ninguém, ninguém votar era sim o que eu queria ver. Nesse dia Portugal começaria a mostrar verdadeira cidadania e obrigar a que leis verdadeiramente democráticas fossem escritas.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Procurar a paz “até que o homem actual saia da pré-história em que se encontra”- José Mujica,discurso na A.G. da ONU a 24 Setembro 2013

Procurar a paz “até que o homem actual saia da pré-história em que se encontra”- José Mujica,discurso na A.G. da ONU a 24 Setembro 2013 

A nós descartáveis, em guerra permanente.
Quando chegamos ao milagre da vida não nos dão livro de instruções e o que nos emprestam (a realidade) está cheio de defeitos...
Temos que criar por isso, o nosso caminho, no meio dos erros.
E procurar novos paradigmas (caminho paralelo), antes que a “natureza nos chame de inviáveis” e faça “gameover”.
Por incompetência nossa. 
Temos essa obrigação.
Nesta inquietude permanente, usa-se uma crise provocada premeditadamente para se colocar em acção medidas cada vez mais centralizadoras, totalitárias, cada vez mais usurpadoras das liberdades e dos direitos individuais.
De mais medidas de controlo e manipulação.
Pensemos,
De onde vem o dinheiro?
Quem beneficia com a crise?
Para que serve a crise?
“Temos governos de empresários que estão a dirigir os seus negócios através dos estados” (Alice Mabota, Moçambique- Presidente da Liga dos Direitos Humanos).
A cobiça, a ganância e o poder são o que nos está a “domesticar”.
“ A cobiça individual sobrepõe-se aos interesses da raça humana e ao bem comum”.
Com estas palavras e muitas mais José Mujica, Presidente do Uruguai na Assembleia das Nações Unidas, ontem 24 de Setembro, faz um discurso avassalador e empenhado com a Humanidade.

“Que se comece hoje um acordo global de Paz, porque os indigentes do mundo não são de África ou da América latina (e agora também europeus, digo eu) são de toda a humanidade”.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Na strada di nô terra

Na strada di nô terra…



Hoje a minha terra GB celebra 40 anos de maturidade na sua independência.
Mesmo que não tenha razões, na data de hoje, para estar feliz, porque os "donos" a sequestraram, vivo na utopia de um dia a saber verdadeiramente livre de quem a roubou e de quem lhe roubou os sonhos. Amílcar Cabral, podem passar anos duros e sem esperança, que o sonho de unidade, não morre.
Como tu, não morreste, antes deixaste o brilho para continuarmos a vislumbrar o caminho onde a querias: o da paz.

Na 2ª parte da música da Sara Tavares é dedicado à GB e eu dedico-a simbolicamente, a dois grandes músicos guineenses, o meu querido primo Zeca Castro Fernandes que mudou a sua morada para o céu há 1 mês e se encontra a cantar com o grande José Carlos Schwartz e a iluminar este caminho.


http://www.youtube.com/watch?v=LECmQa09wRo&list=PLEtRKYELKgnbQ-cAGvFg9Za4luxqqdemn

domingo, 22 de setembro de 2013

Até o Ray Charles conseguiria ver

Julia Hill (na imagem) viveu 738 dias em cima da árvore para impedir que a cortassem.
Não somos nós capazes de dar uns dias da nossa vida pela nossa árvore (existência)?


Interregno (interrupção entre o vazio e qualquer coisa desconhecida)

entre a vida e uma morte que se anda a anunciar,
entre problemas velhos com soluções inválidas,
entre involução e re-(e)volução
entre ameaças e instalação de mais medo
em vésperas de eleições,
em vésperas de guerras,
em vésperas de destruições,
em vésperas do regresso à idade das trevas

Porque já só tenho meio neurónio a funcionar num sistema operativo obsoleto, estou convencida por pura obstinação, que nasci para viver livre e como eu decidir.

Até o Ray Charles conseguiria ver o que se está a passar entre nós, mas vou insistir em dizer:
A perda de todos os direitos humanos conquistados com os maiores sacrifícios.
A perda da liberdade, paz, soberania, justiça e democracia para as mãos de cérebros vazios.
Os roubos e a vandalização da nossa saúde, educação, estado social, protecção e direitos dos nossos velhos e dos nossos novos.

Somos mesmo umas putas mal vendidas, vendilhões do templo (que é o planeta), uns Escariotes sem dignidade.
Aqui e por todo o lado.

Dizem-me “carpe diem”, como os romanos diziam porque lhes interessava encher lupanares, ter escravos e gente adormecida.
Como não ofereciam amanhãs, instigava-se o reles povo a aproveitar o dia de hoje como se não houvesse futuro.
Hoje estamos na mesma situação. Somos um reles povo porque aceitamos a escravidão.

Não imaginamos nem sequer conseguimos prever, como é que a economia e as sociedades vão estar daqui a 15 minutos, quanto mais amanhã.
Nem pagando bem para saber, à melhor cartomante das tv´s.

E se as dívidas não forem pagas o que acontece?
O mundo não deixa de girar! A vida não pára!

Somos apenas cobaias em laboratórios, por causa de uma única razão: a apatia generalizada indignada.

Indignamo-nos muito com tudo e nada. E acabamos a “achar” que a responsabilidade está dividida pela colectividade e ficamos inactivos e inertes. Não actuamos.

Temos o poder que quisermos, mas quem quer ser o 1º a “atirar” a 1ª pedra? Para nos defendermos, claro. E defendermos o vizinho.
Afinal todos somos Madalenas.
Sem arrependimentos. De perder a dignidade. Sem pudor, fedemos bolor. 

Como se um prédio inteiro estivesse a assistir ao vizinho bater na mulher, mas não intervimos, porque a casa e o assunto não nos diz respeito. Mas ficamos na escada a dizer: ó que horror, ele devia ir preso, ser punido e banido do prédio.

Ouvi dizer que isto é um processo psicológico relativo a pessoas doentes. Do foro psiquiátrico.
Como o somos nós, os doentes deste manicómio colectivo e global, quando entregamos e deixamos o poder nas mãos de quem está neste momento a incendiar Roma.

Mas tal como as pombinhas da catrina, achamos que Roma não é nossa, é de quem a está a apanhar...


Abram-se os olhos, para que nós, cordeiros mansos, não deixemos que as grades dos portões do Coliseu se encerrem de vez e sejamos engolidos pelos leões.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Sonhadores de sonhos - Com um vídeo/desenhando as palavras de Ken Robinson

Epílogo – Sonhadores de sonhos
(Anaïs Nin: “And the day came when the risk to remain tight in a bud was more painful than the risk it took to blossom”)
https://www.youtube.com/watch?v=oWYKTiqPvYA



Podemos começar hoje a construir uma história colectiva. Através de cada uma das histórias individuais. Ou do que imaginamos que queremos ser.
Para não corrermos o risco expresso por Anais Nin.

Inspirada por vários mentores da Educação, sobre os quais tenho escrito, foi Ken Robinson que me fez despertar para a ideia que andava a germinar na minha imaginação.

Recentemente escrevi um texto onde falava sobre o milagre da vida. O espermatozóide mais esperto e mais rápido deu origem a ti e a mim. Vamos celebrar e fazer uma história juntos.

Cada existência é um puzzle único, completo e inseparável. Um prólogo. Quero compor o epílogo do puzzle em conjunto.
Descartes disse “penso logo existo”. Eu, do signo de caranguejo, segundo os astrólogos, sou “sinto logo existo”.
Mas aparentemente somos todos assim em todos os signos astrológicos.

Segundo Ken Robinson, o nosso sistema educativo trata-nos como “fast food”, iguais, indistintos, padronizados, separados,
ao invés de nos levar a estar no guia Michelin, autênticos, únicos, diferentes, inteiros e interligados. O único ao qual deveríamos chamar sistema educativo.

Somos colocados nesta cadeia linear de ocorrências e acontecimentos, catalogados como indiferenciados, igual para todos e mecanicista.
Com esta cadeia perdemos o sentido de milagre único com que nascemos.
O sentido das nossas vidas são os nossos dons e capacidades.
As infinitas potencialidades que o nosso coração e a nossa cabeça encerram, no corpo que nos traz a este mundo para as realizarmos.

Muitas crianças, adolescentes e até adultos são diagnosticados com ADD ou até bipolaridade (as novas epidemias inventadas pela medicina actual), quando na maior parte dos casos, algumas são fruto de falta de educação parental, muito comum, e/ou falta de atenção dos pais, famílias e sobretudo falta de estrelas num sistema educativo fast food.
Onde empatia e conexão como elos de ligação entre todos estão descarnados e desligados.
Como parece que nós individualmente estamos desligados, na nossa íntima relação entre cabeça, coração e intuição.

Precisamos de um sistema educativo que nos descubra, os dons e as múltiplas potencialidades que cada vida única encerra. Que as valorize, exponha e dê liberdade.
Talentos que tão-somente nos distinguem de todas as outras espécies e de entre a espécie humana.

“A escola está a matar a criatividade” segundo K.Robinson com quem concordo sem hesitação.
Mataria a criatividade do meu filho se o tivesse permitido. Ter-lhe-ia dado medicação para o adormecer, porque demasiado irrequieto e perturbador, como quando foi “diagnosticado” com ADD.
O meu interesse em educação vem desde essa altura. Quando este filho começou a parecer-me diferente. Não o era, e hoje sei-o.
Diferentes todos o somos. 
E, se não nos for oferecida a escada para a liberdade das nossas infinitas possibilidades, dons, talentos, intuição, emoções e libertação da criatividade, podemos apenas esperar ser prisioneiros.
Na nossa própria cabeça, no nosso próprio coração. E em última instância no nosso próprio corpo.

Ken Robinson pergunta, “como é que és criativo?”. É esta a pergunta que eu faço também, para escrever a nossa história conjunta.
“Escolhe um trabalho que ames e não trabalharás um único dia da tua vida”. Confúcio.
Esta é a síntese do que é fazer aquilo em que se é criativo, respeitando os dons com que se nasce, colocando amor e empenho na tarefa. Para sermos quem viemos ser.

Sejamos então amantes dos nossos talentos e dons. Ou pelo menos ouçamos o que nos diz a nossa inteligência emocional, a nossa intuição, a nossa imaginação, o nosso conhecimento de nós próprios.
Torne-mo-nos sonhadores de sonhos e demos a estrela Michelin da vida às nossas vidas.

Emprestem-me as vossas histórias respondendo à questão: “como é que és criativo”, nem que seja na imaginação, para começar um olhar sobre um sistema educativo amanhã. Feito por todos nós. Mesmo que o amanhã nos seja hoje tão estranho e distante. E não saibamos onde o encaixar nas nossas vidas.

Neste momento de “re-evolução” que atravessamos estamos ou não preparados para nos surpreendermos? Queremos ou não?
É esta a minha única pretensão. Escrever com um novo olhar. Sobre educação. Com base na nossa criatividade. Em quem verdadeiramente somos.

Eu sou amadora da escrita e da dança. E tu?


Para este meu trabalho, escrevam-me para o meu e.mail: anabelasimoesferreira@gmail.com