segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Testes de stress,

Andamos a enfrentá-los diariamente. Sem soluções criativas para deles sair. Nem resgates à vista.
Assistimos impotentes ao milagre da Ressurreição do Santo Espírito no verão. Este que também nos anda a enganar fingindo-se verão.
Há “famiglias” protegidas pelo ES, pela Madonna, pelo dinheiro dos outros. Essa invenção genial. O dinheiro que deu a carta de alforria aos escravos para que estes ficassem presos eternamente.
No stress da falta de liberdade com a bênção do Sancte Spíritus e dos seus criativos inventores na terra. Alguns até são afilhados e recebem o nome. As regras do jogo são simples:
-se houver dívidas, mascara-se a operação e pagam todos. Se lucros houver mascaram-se as contas e retiram-se os dividendos para longe de maus espíritos: nós.
Paguemos o dízimo enquanto não ressuscitamos da morte anunciada por este sistema indigno, violento e corrupto.
Se alguém espera um resgate das nossas vidas esperemos sentados num banco de jardim, feito de pedra, daqueles que não tem vida para roubar.
Se não a mudarmos nós e lhes tirarmos o poder que ele tem. A isso se chama resgate. Ao deles chama-se roubo.
Quem toma estas decisões já nem se preocupa em mascarar a falsa democracia: decreta leis, aliena os direitos dos cidadãos, ri-se enquanto se banha num mar off shore sem mosquitos, ou numa banheira comprada ao Walt Disney.
Com o dinheiro dos pobrezinhos que vive num big brother orientado por apresentadores bem comprados.

E não há ninguém demasiado santo para ir preso por crimes contra os cidadãos que constituem um Estado.
Pergunta para queijo: 
Porque queremos continuar a ser os únicos a passar negativamente os testes de stress?
Porque a dona Inércia que habita as nossas cabeças continua a ser o nosso santo espírito.

sábado, 2 de agosto de 2014

Mini conto- Linhas tangentes

Apanhou-a de surpresa. Quando olhou os seus olhos de um azul profundo como o oceano largo, o seu coração ficou suspenso.
O dia aproximava-se do final. Entraram pela noite numa animada conversa rodeados de pessoas. Mas olhavam-se sem receio e absorviam-se.
A sua alegria era contagiante, o sorriso sem receio de se dar. A conversa fluía como se se conhecessem fazia anos. De repente tinha tudo. Em poucos minutos de troca de palavras, mas sobretudo quando falavam com os olhos. A noite voou. Não trocaram contactos. Deixaram que o destino os guiasse.
Por uma feliz coincidência reencontraram-se numa rua. Era improvável aquele encontro, por isso o atribuíram ao destino. Não se tinham esquecido do outro depois daquela noite feliz. O tempo passou de novo a voar. Falaram muito. Em particular com os olhos.
Voltaram-se a encontrar para doces encontros na praia. Onde ficavam sentados na areia. Ou a passear de mãos dadas com a água. De dedos entrelaçados. Às vezes próximos demais como para se ouvirem atentamente.
Sobretudo ela ouvia-o. Ele adorava contar histórias e tinha vivido muitas. Dizia que também gostava de escrever. Ela ria-se muito com as estórias e dizia-lhe que não podia esperar até as ler escritas. E ele feliz com tão boa ouvinte falava. «és uma pessoa… interessante» é o melhor adjectivo que encontro para te definir. Não parece mas é uma palavra grande. É o superlativo de alguém que é tudo». Riram-se ambos.
O tempo sempre que estavam juntos corria com pressa. Contrária à pressa que eles não tinham.
«Sou um homem de paixões fortes» anunciou-lhe ele.
Mas não eram livres. Havia tanto que os prendia. Deixaram que o destino tomasse conta das suas vidas. Ele partiu, ela partiu. Para outras viagens. Despediram-se com dor no olhar e no coração. Ainda se tentaram falar, mas o destino, senhor da situação recusou-lhes um último riso.
Quis ele, esse companheiro da vida, o destino, que se reencontrassem inesperadamente quando já nada fazia prever que as suas vidas se tocassem. Ansiavam o momento de se reverem.
Nesse dia o beijo que trocaram falou por eles. Nele se deixaram desnudar. Foi o primeiro, o único, o último.
O tempo passou por eles cheio de pressa. Eles não tinham nenhuma. Pediram-lhe que parasse. Ele assim não quis. Eles seguiram-no. Do tempo não recebiam piedade.
Tudo o que ele fazia era dar-lhes momentos. De conversas longas, com os dedos entrelaçados, sentados num banco de jardim. O jardim não os conhecia e para eles aquele lugar desconhecido era o paraíso.
Aproveitavam o que sentiam ser o momento que não se repetiria. Apenas os olhos repetiam o que não era dito. Numa única vez palavras escaparam «és um ser quase alienígena, especial para mim».
Despediram-se de novo. Nunca mais se encontraram. Falaram mas não disseram o que calavam. Convidaram-se a manter-se em contacto «sei que nunca nos perderemos, o contacto perdurará», afirmou ele.
Ela como sempre ouvia. A vida com os seus planos não se compadecia com as vontades dos estranhos, que queriam por ela ser acolhidos. As regras pertenciam à vida.
As escolhas…ah as escolhas… Nunca sabemos de quem são as escolhas. Se vêm da vontade, se do destino. Se das bifurcações dos caminhos que abrimos na breve passagem.
O tempo corria sem piedade.
Naquele dia cinzento, a tarde caía, quando as palavras estoiraram como uma tempestade tropical, brutal, repentina, avassaladora:
-O coração dele repentinamente tinha parado.
Os dois tinham sido duas linhas tangentes que se encontraram uma vez e agora se separavam para sempre.
Tinha que acreditar nas palavras dele, ditas num dia já distante «sei que o contacto perdurará, nunca nos perderemos»...”Nascemos para morrermos e morremos para nascermos de novo”.

Sabia isto, mas foi tomada pela surpresa. O coração dela ficou suspenso.

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Quo Vadis mundo

Quo Vadis mundo
sem pontuação,
organizai-vos!
Num parágrafo qualquer,

Caminho descalça
Perco a organização desta brincadeira
estúpida e desconexa a que chamamos mundo,
Não consigo encontrar-lhe pontuação
O texto que leio está do avesso, desorganizado,
Não lhe consigo colocar um ponto e vírgula,
nem quando preciso de intervalos
para respirar antes de continuar a nadar.
Apenas lhe encontro longos parágrafos
sem vírgulas nem pontos.

Vejo-o só com parágrafos de frente para trás
Que me deixam a exclamar e a questionar
Onde se encontra o sentido?!
Nesta longa corrente de loucura,
de frases sem nexo
Até ao ponto final que se aproxima,
Até ao gelo final da existência
De frases conexas.

Enquanto ando sobre reticências
e me sento em acentos que se fazem circunflexos
com o peso da desorganização,
da humanidade geneticamente modificada
sem acordo na pontuação,
num largo acordo de prostituição
entre os chulos do planeta,
vou tentar continuar descalça,
sentada junto de uma planta
com raízes morfológicas de pontos nos is
a sonhar com as curvas acentuadas de um til
que me dê dois pontos para algo
que me faça acreditar
no que já foi e o que poderá ainda ser,
se o texto que andamos a escrever
não tivesse ficado sem cadência ao ver
separar sujeito e verbo dum complemento directo.

Comemos o fruto da embriaguez
dos travessões que separam.
Quem sabe se os esforços de quem se preocupa
daqueles que fazem do amor de viver
bem maior que o medo de perder,
serão os sóbrios que irão encontrar  
As pontes da pontuação
que o texto do mundo vai equilibrar
antes do final e

sem de aspas precisar.

Pintura de Sidney Cerqueira

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Quo Vadis Nobel da Paz?

Crimes contra a humanidade, Pita Shoarma, Falafel (judeu), Hummus, Couscous (muçulmano) carneiro assado com batatas e vinho tinto (sangue de Cristo)

2014 calendário gregoriano, Cristão, para facilitar o relacionamento e a comunicação entre as nações.
1435 calendário Islâmico, 5775 calendário Hebraico, 2557 calendário Budista, 2070 calendário Hindú.

O mundo global, religioso, envolvido em guerras religiosas. A cometer crimes atrozes, semelhante contra semelhante.
Em nome de Deus. Ou de interesses. Ou no interesse que interessa colocar Deus no meio das guerras.
Ou tudo estaria resolvido há muito tempo. Desde sempre. É esta a História da Humanidade.
Fim da História.
  
Só vou escrever porque me apetece mas não há mais nada a acrescentar à História.

Como ser social respeito as ideias e as religiões dos outros. Respeito igualmente ideias políticas. Mas não respeito as ideias contidas nas religiões.

Excepto a que respeita os seres vivos. Que é uma filosofia de vida e tem 2557 anos mais coisa menos coisa.

As religiões são por inerência de ideias, políticas, logo não existe a dicotomia política versus religião.

Respeito os que têm fé e nessas ideias querem ficar, mas tenho o direito de nas ideias não acreditar.

Defendo o direito de cada um acreditar e professar as que entender.
Ou acreditar em qualquer sistema político para encontrar a sobrevivência como seres individuais com necessidades colectivas.

O que as religiões professam são ideias e ideais políticos. E são manipuladoras por isso mesmo.
E também alienam por essa razão.

A fé?
Ah a fé serve para os seguidores cegos como carneiros, com um pedaço de lã a cobrir-lhes os olhos e a bloquear o lugar onde o cérebro deixa de produzir efeito sobre o pensamento.

Os direitos pertencem apenas aos seres com vida. Às ideias não!

Nem nunca os sistemas políticos e religiosos com as ideias subjacentes religiosas, poder-se-ão nos dias de hoje com tudo o que já experimentamos conhecemos e sabemos existir, ao longa da nossa História comum, sobrepor-se ao direito de existência da Humanidade.

Seja em que lado for do muro.

O Hamas, no Estado Palestiniano que eu defendo, é um grupo religioso/com ideias políticas num Estado, apoiado por interesses, não tem o menor respeito pelos direitos humanos. Nem dos seus concidadãos nem dos outros. Sim, usa o terrorismo como arma, usa os seus cidadãos como carne para canhão. Como a Al-Qaeda. Não defende os seus cidadãos que não querem a guerra. Mas que morrem diariamente por causa da absurda guerra religiosa.

Tal como desrespeitam os direitos humanos os Estados da Síria, do Irão, da Arábia Saudita, do Afeganistão, do Paquistão, do Iraque. Por interesses religiosos.  

O Estado de Israel, que eu defendo, ontem um grupo que precisava de se defender de inimigos ardilosos e cruéis que sempre quiseram aniquilar judeus, é hoje um Estado político com um território por causa de uma religião, e, que celebra o regresso aos tempos tribais com o atear do ódio e da xenofobia. Sem respeito pelos direitos humanos.

Em 2014, Estados políticos, compostos por gente irracional, perigosa, xenófoba, com ideias e convicções religiosas irracionais baseadas em Escrituras, vindas não se sabe bem de onde, trazem como consequência agressões, violações, repressão, ódios, racismo e várias formas de violência que tornam a terra um lugar inóspito. De regresso à barbárie.

Com uma programação insustentável em ódio mútuo. Em nome da religião. A tornar a paz e as negociações impossíveis.

Por esta razão nunca aceitarei que religiões sejam a base para construir ideias políticas para os Estados.

Chega de barulho. Chega de guerras e morte em nome de religiões.
Ou em nome da apropriação de recursos naturais. Ou de outros interesses.
Chega de extremismos religiosos. De terrorismo religioso, da xenofobia religiosa que nos querem impor. Represento o infiel para os extremistas muçulmanos. A abater.
Do lado xenófobo israelita têm que atacar para se defender em nome de um Deus que os escolheu.
Como ser humano represento todos.

De que lado estou? Do lado da vida. Não quero religiões obscurantistas a roubar-me o meu bem mais precioso.
A vida em paz, num mundo plural, diverso e de direitos humanos conquistados após largos períodos de guerras e xenofobias e Santas Inquisições.
Se é ideia do mundo muçulmano, religioso, o de me retirar direitos impondo o seu véu, de me chamar infiel e por isso ser aniquilada, irei parar à fogueira.
Se Israel se defende atacando desproporcionalmente em nome de uma religião que fala em povo escolhido, eu faço parte desse povo e, prefiro a fogueira a acicatar o ódio.

Esta guerra é uma guerra com interesses obscuros mas que nos envolve a todos.

Estou do lado onde não estejam religiões a dividir. O meu Deus não precisa que o temam.
Se existe. E esses que não acreditam, também têm direito a existir.
O mundo não precisa de ideias políticas/religiosas que ataquem os direitos humanos.
Utopia?
É uma ideia! Que acarinho com fé.
Nos homens de paz. Religados apenas à vida. Com direitos.
Enquanto me massacram e eu nada posso fazer vou ali sentar-me à mesa das negociações num templo budista, com os meus amigos muçulmanos, animistas, cristãos, judeus, hindus. Somos todos servidos da mesma ementa. A da paz entre os homens.



domingo, 27 de julho de 2014

AXé Mama África

Aqui mergulhei de pé e o rio fez-se abundante na minha alma dizendo-me que esta
é a minha terra prometida. Para nascer e ser feliz.
Para onde quer que vá, levo-te no pulsar do coração. Escuto-te o respirar mesmo quando me és distante.
Vento peço-te por favor, leva mantenhas minhas à mãe me fez prometer nunca deixar de ser uma filha presente na sua alma.
O teu nome é feminino e as mulheres que nascem do teu útero um dia deixarão de ser vistas como feias larvas. Ver-se-ão metamorfoseadas em borboletas de mil cores.
Connosco as conversas nunca terão fim.
«Meu verbo, meu sujeito» e eu teu directo complemento.

És poder, energia, força.
És Axé Mama África!

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Dia do Escritor, 25 de Julho.


Parabéns em particular aos meus amigos que escrevem. 
Com magia. Aos escritores
que me fazem acreditar em magia. 
E com as palavras transformam o meu mundo 
num mundo mágico

Quem escreve acredita em magia.
Faz da magia a sua vida.
Transforma a vida em magia.
Dá vida mágica às palavras.
Sem magia as palavras não cabem na vida.
Sem a magia das palavras a vida não cabe em si

Obrigada escritores


Leitores ofereçam vida longa aos escritores. Leiam. 
Recebem uma porta aberta para uma vida sã. 

Aberta para sonhos, utopias e jardins. Para a magia.

Resgate- Mini conto

Mini conto dedicado aos amores profundos que dão sementes em particular. Aos que entendem a linguagem do amor em geral.

Pintura do meu sobrinho Sidney Cerqueira


Resgate

Violentado no coração? Raptado e prisioneiro em paredes sem limites. Sem chão nem tecto, surdo e cego.
Da voz que sai, chegam ecos de murmúrios perdidos. Emotivos. Sem nexo. Sem razões.
Desconhecido passado, presente e futuro e no entanto prisioneiro. Sem amarras. Amarrado sem ilusão quanto ao dia da libertação. Que pode ser nunca. Quero que seja…nunca.

Afrodite movimentava-se pela sala e dançava. Eu hipnotizava-me pelo movimento das ancas redondas e generosas. Voltava aquele lugar para lhe confessar a minha cegueira. E ficava mudo. Apenas a sabia ouvir e ver.

Como se pode ficar assim? Começa com um pensamento macio. Tornou-se insidioso. A deusa do amor a essência da beleza feminina derramava-se para mim.

Bebia por um copo redondo um líquido escuro. O copo era o símbolo da fertilidade que transmitia. Queria ser o útero onde ela derramaria o seu ser divino.

Tudo o que sabia era que tinha sido atingido por uma seta, no meio do peito. O coração começou por bater acelerado, depois passou ao descompasso, continuando selvático, prosseguindo desordenado, sem padrão.

Percebi a pureza e o poder de não ter fronteiras. Uma explosão pura de energia natural. Era amor.
A mais poderosa, natural e ilimitada fonte de energia.
Acabava de ficar preso, enclausurado, sequestrado, atirado contra as paredes de uma prisão que me iria fazer sangrar. Eu bem lhe conhecia as feridas.
Sabia que voltariam um dia. Em pouco tempo sabia que tinha sido sequestrado.

Sei que quando acontece a explosão, entramos numa piscina profunda. A água vai-nos cobrir até começarmos a engolir demasiada, descontroladamente até ao afogamento.
Lutamos mas depois surge a rendição. Tenho medo, porque sei que vou amar voltar a amar.
Ela. Porquê ela?
Não tenho razões. Tenho todas as razões. Uma estranha que se entranhou. Conheço-a bem.
De sempre. Sem pensar.
A explosão desta energia invadiu e não me dá espaço para ter um único pensamento.

Estou preso na mente, no coração, no espírito, na alma, no corpo.
Vou querer deixar-me afogar sabendo que afogar-me no seu colo é o maior prazer da vida. Porque sei que a prisão vai ser o meu fim.
No final nunca irá haver resgate.

Os meus sonhos começaram por ser poesia em imagens.
Ela sabe o que é amar antes de mim e provavelmente vai amar outro para além de mim, se me amar alguma vez. E que me importa?

Na imperfeição que é como ser, deixa-me mudo perante a perfeição com que me enche a mente, o coração, o espírito, a alma.
Será imperfeita como eu?
Só quero assegurá-la que se me dedicar um olhar, abraçá-la- ei nos meus braços imperfeitos para que não tenha medo.
Não a deixarei como um homem vulgar e imperfeito pelas suas imperfeições. Serei eu perfeito a amá-la.

Nem sei se me dedica algum pensamento dos seus momentos, mas eu ocupo o meu dia pelos dois, a pensar em mil imagens e palavras que a façam sorrir e olhar para mim. Se só um sorriso lhe conseguir arrancar, sei que na prisão ficarei para sempre.
Sei que ficará a saber que a felicidade é estar nela, na loucura do seu sorriso que me faz ficar louco.

Ela deusa, olhou-me, sorriu-me um dia, pensou-me por segundos talvez.
Ó deusa bendita porque sou digno do teu olhar?

Derrama o teu segredo sobre a forma de amor no meu coração aprisionado. E não me deixes ser resgatado. Viverei para dar vida ao mar morto que é a água da minha vida. Através da tua vida. Viverei para a tua. Para a vida que de ti vem.

O meu sonho, a minha utopia, o meu jardim derramou nova vida em mim. A semente do amor. Viverei para ambos sem querer ser resgatado.