quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

O encantador de almas

O encantador de almas:
-Sinto! Por isso existo como pensamento.
A alma é. Com ela sentimos. Por causa dela pensamos.
Ela dá luz ao corpo.
Entrega luz ao intelecto e às emoções.
Nesse lugar de refúgio,
sento-me e encontro-me.
Até ao momento de dar à luz quem serei.
Onde me poderei a(l)mar sem fim.

O pensador, de Rodin, nesta obra de Bansky é o retrato da humanidade que perdeu a sua alma. Nos seus escombros, o pensamento precisa de se sentar, recolher-se ao lugar silencioso onde tudo existe com a luz da alma.
E voltar a sentir. Engravidar-se de luz e renascer. A partir da alma, o onde tudo é. Onde nos podemos voltar a encantar.

Sinto-me cansada de violência diz-me a alma. Quero sair deste ciclo.
Pensemos pois os nossos escombros. Sintamos a alma. E renasçamos com ela.
Respondo-lhe: como Phoenix.
Dos escombros da Grécia, Phoenix ergue a sua alma. Chegará certamente o nosso dia.


quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

De armas apontadas à cabeça!


Mais mortes em Portugal. Mais suicídios na Grécia. Mais, mais, mais…desespero.
De gente como nós. Com fome. Aqui à porta de casa.
Aqui da janela onde observo e ouço, dói-me. Não somos vistos como inocentes. Somos apontados como culpados. Vivemos à custa de quem de facto trabalha muito, produz, desconta e constrói. Nós, no sul, somos como bactérias que se alimentam do sangue dos outros. E do seu suor.
Transformaram-nos em parasitas. E a quem pedimos nós contas do que nos transformaram? A quem processamos por crimes contra a Humanidade?
À troika agora desaparecida transformada elegantemente em “instituições”? Aos governos de cada país? À Alemanha? A quem salva bancos e não gente?
Gente da Europa:
Por baixo de almofadas de polyester
comidas pelo tempo,
gastas por tantas lavagens sem amaciador,
esconde-se a vergonha e a miséria,
as lágrimas de sofrimento
uma côdea bolorenta
à espera de ser devorada
em pratos descoloridos, por tantas lavagens sem sabão
escondem a vontade de um pouco de qualquer outro sabor
mostram a fome,
o orgulho de quem deixou de ser gente
a vergonha de ser gente,
e nós, por não falarmos, deixamos de ver?
Deixamos de saber? Deixamos de ouvir falar de tanta desta gente,
Que deixou de ser gente?
mas que é tão gente quanto os senhores de gravata
que se reúnem em salões aquecidos
com intervalos de repastos longos,
onde a vida desta gente, gente como eles,
se decide como se não fossem vidas,
como se não fossem gente?
por ser eu e tu, é urgente,
dar voz a essa gente
e dizer à outra gente, que da matéria de parasitas
não somos feitos.
Há sim parasitas bem oportunistas
Sem qualquer remorso ou consciência
Que esconde, que rouba e que mente
Sanguessugando o sangue da gente
Como arma,
palavras jorrar-me-ão do dedo médio

enquanto eu for gente…

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Armagedão...

Ó Deuses! Venham-me reabrir as portas da esperança!
Depois de ler declarações de vários abutres, absolutamente criminosas nos seus conteúdos sobre o mundo, e alguns néscios lusos, e, alguns declarantes que deveriam seguir directamente para a prisão Património da Humanidade que seria finalmente e de facto a de Évora, por crimes contra a Humanidade, eis que leio que a RTP vai manter o festival da Canção...a minha capacidade para reagir limita-se a...

Ninguém quer saber o que penso mas este hospício está a transbordar de loucura. Cuidem-se e abafem-se. 
Afinal as senhoras das testemunhas de jeová sempre tinham razão! O armagedão anda mesmo a rondar esta bolinha . 
Sobretudo desde que o sol começou a girar à sua volta (a nova teoria de um dos internados no hospício).

Apeteceu-me voar para fora deste ninho de cucos!

Alemanha versus Grécia

Somos na terra o hospício da galáxia.

Hoje Alemanha versus Grécia. Hoje a História versus História. Hoje a pré-História versus nova História

Continuar a deixar a política do país (ou da EU) nas mãos de néscios é como deixar a literatura nas mãos de analfabetos, cultura nas mãos de imbecis, educação na mão da religião, cocaína nas mãos de toxicodependentes, ou crianças nas mãos de pedófilos. Será sempre abusado, manipulado, chicoteado, drogado, arrastado para o subsolo da miséria. A política precisa urgentemente de um rumo novo, diferente histórico com gente que faça história. 

A alma que os meus olhos vêem



Naquele preciso instante do sopro do vento 
quis ir com ele
para que me ensinasse sobre o seu ser 
como ser livre redemoinhando sem pensar
para afagar cabelos distantes
soprar em lábios queridos
abraçar com beijos
voar lonjuras num instante
torná-las pequenas num momento.
Tentei agarrá-lo, confesso
com força para não mais andar contra ele. 
Ah insanidade…
no instante a seguir,
voou-me por entre os dedos.
Mas ao meu sussurro desesperado 
-leva-me…
voltou sem hesitação
pegando-me nesse instante,
com uma caricia de enorme leveza
e eu deixei para trás o peso do mundo.
Se a caricia num segundo de tempo
sentiste num qualquer momento,
era eu, fui-te beijar 
enquanto aprendia a dançar com o vento.




quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Mesmo soFRIDA jamais me KAHLO

Parabéns Frida Kahlo.
Mulher, pintora,
dos traços da vida e das suas dores
com cores abençoadas
És sobrevivente de elevadas doses de quebras:
nos ossos, no coração, na saúde, nas escolhas sexuais, nas escolhas políticas
jogaste o jogo da vida vivendo intensamente
como se o oxigénio que precisavas
devesse ser usado apenas para quem vieste ser.
Cheia de medos que transformaste, inseguranças, sombras e luz
E muita coragem. Como tantas mulheres extraordinárias.
Foste quem quiseste ser na vanguarda e para além do teu tempo,
como tantas mulheres de excepção
Mesmo com todas as quebras, quando chegou o final da vida
foste mulher inteira.
A minha homenagem a uma mulher que admiro ainda hoje.

Gostava de ter nascido poeta

Gostava de ter nascido poeta
Para explicar a alegria e a dor,
o que me demencia, o que me maravilha.
Os poetas sabem por dentro da pele
que são feitos de amor,
conhecem-no por senti-lo na perfeição da solidão.
Respiram o oxigénio das palavras,
correm-lhes palavras nas veias
transformadas em sangue
por tanto sentir.

Eu, que tanto queria ter nascido poeta
Também nasci do amor,
e sinto
quando me corto,
quando me expando,
que no lugar da dor,
no lugar da exaltação,
jorram palavras vermelhas
de oxigénio,
escritas para sobreviver.

Quem sabe,
por ser amor,
quando um suspiro me sai do coração
uma pequena célula tenha rasgado a corrente
e eu
afinal,
tenha nascido poeta.