segunda-feira, 29 de junho de 2015

A vida transcendente e a escravatura

Em África diz-se: "tenho uma preocupação" e "estou incomodada".
Os gregos incomodam-me e preocupam-me. 
Tsipras e Varoufakis poderiam estar a circular nos corredores dos poderosos, de Armanis e Vuittons a espalhar charme à "lagardere" e, em simultâneo aceitarem ser donos de escravos, no sistema de escravos ( tal como tantos outros o fazem com essa mesma garantia), onde donos de escravos sabem que contam com a anuência, acordo e autorização da maioria dos escravos (ler Platão, a República). 
Mas eles não estão. Fazem-me lembrar Sócrates e Platão a discutir a polis dos dignos, dos seres livres, dos homens justos. 
Estão a mostrar que a vida tem mais corredores. São o cavalo de Tróia do seu povo na UE. 
Sócrates queria os seres livres a desenvolver o pensamento critico. 
Platão, pensou na vida humana como algo de transcendente. Deve ser usada para a levar ao reino das ideias. Que somos muito para além do que conhecemos. E temos o direito de nos transcender. A nossa vida, é a missão mais corajosa e importante que acedemos cumprir. Porém quando nascemos esquecemos tudo. 
E para mal de todos os crimes e pecados cometidos, acabamos escravos de um aquário pequeno de peixes iguais e não vemos para além do nosso pequeno espaço nubloso e aquoso. 
Ou cavernoso. 
Quem consegue fugir da caverna e decide regressar para informar que lá fora há tanto mais para transcender, tanto mais para viver...é assassinado pelos escravos da caverna que neles não conseguem acreditar. 
Ou pelos donos dos escravos com medo das suas imprudentes palavras e acções. Estes quais hienas, se os matarem comem os restos dos corpos dos escravos da caverna e riem-se muito, babando-se impudentes para os cachecóis de quadrados que envolvem os corpos de quem ousou desafiá-los.

Quem os mandou a estes dois homens charmosos, não se ficarem pelos corredores brilhantes de instituições de respeito, credores, mercados ou outra qualquer nomenclatura politicamente correcta, criadas para proteger o sistema de escravatura e virem defender o seu povo escravo? 
Quem os mandou sair da caverna e estar a informar o que há para além de uma vida?
Deve ser porque são gregos e estudaram os seus fundadores pensadores. E descobriram a verdade sobre a vida: ela é uma missão de transcendência não de escravidão.

Devem também estar imbuídos da missão de acordar os escravos. Começaram com poucos votos e chegaram ao poder real e dele se querem usar para despertar. 
Devem ter por missão regressar à caverna e gritar o que há para lá das sombras.
Estão vestidos de esperança tal como o vestido que cobria Obama e cobre o Papa Francisco. Despertam as mesmas emoções: esperança, vitalidade, entusiasmo e a promessa de comutação da pena de morte em que vivemos, os povos indigentes.

Como cidadã desta comunidade alargada de escravos que se chama terra, estou acordada e tudo vou fazer para que os interesses e as agendas escondidas dos "nossos" donos se manifestem mais alto e que os mensageiros não sejam chacinados.
A mensagem de Platão e Sócrates sobre a transcendência da vida vive nestes seus mensageiros.
Tenho motivos para "ter uma preocupação" e "estar incomodada" com a vida na caverna. Ela é apenas uma sombra do que a vida pode ser.
Querem-nos emudecidos, ensurdecidos,cegos para que não saibamos (como já sei) que o cálice tem veneno. 
Afastem-no de nós! 

domingo, 28 de junho de 2015

5 de Julho data para mudar a História

Nenhum escravo com consciência de ser escravo gosta ou aceita correntes.

Não me apercebi ainda de nenhum adulto à mesa das negociações, do lado das Instituições. Percebo apenas miúdos surdos em plena puberdade que não se comunicam.
Enquanto o mundo não souber viver sem se comunicar abrindo o canal para ver/ouvir a mensagem entre emissor e receptor, o ruído distorcerá a compreensão.
As Instituições BCE e FMI não querem ouvir, nem querem entender os erros, nem lhes interessa. Todos falam em simultâneo querendo ter razão.
Não é possível que haja adultos maduros na comunicação com a Europa que sofre. Falam demasiado sem escutar o que dizem os povos europeus.
Como numa família que se zanga. Todos falam, todos querem a razão mas ninguém se ouve. 
Somos culpados quando não silenciamos para ouvir o que nos dizem. Mais culpados somos quando sabemos a razão do mal, deixamos a sua raiz e a regamos, como o fazem as Instituições.
Zeus lança o seu raio sobre o Deus dinheiro que manipula e seduz a vida moderna. 
Todos sabemos que qualquer tragédia tem maus resultados para todos os membros da família. 
Mas quando os surdos e cegos mantêm a teimosia por uma agenda própria e bastarda, são precisas medidas extremas tal como a mãe de Zeus, Reia, para o salvar. 
Entregar uma pedra. Um raio, um trovão que faça cair o castelo de cartas. Que ofereça uma lição.
Não quero viver numa Europa que não respeite os seus cidadãos. 
Acredito numa outra alternativa para a vida. E esta como sabemos pelas tragédias que aconteceram ao longo da História humana arranja sempre um caminho.
"O medo está a mudar de lugar" e qualquer outra "narrativa" sobre o jogo que se joga é sintoma do síndroma de Geppetto.


sábado, 27 de junho de 2015

Ser mulher

E por falar em mulheres...
Esta é uma história para mulheres. Porque se trata de um conto contado por estrogénios.
E sobre o capitalismo.
Os estrogénios são o capital feminino.
A menopausa e o capitalismo têm alguma relação? Vou de passagem dar algumas pistas.
A sua substância é a mesma. Com uma consigo explicar o outro. E vice versa.
Um nasce para produzir dinheiro que traz riqueza ao capitalista (até esgotar o ser humano que a produz). Estaria bem se no fim a riqueza fosse distribuída.
A outra nasce para produzir uma hormona, o estrogénio, que traz a riqueza de poder gerar filhos, do desejo sexual até se esgotar no corpo que a produz.
Está certo, é assim que a natureza funciona.
Como num relacionamento que conta uma história entre duas pessoas de naturezas complexas e diferentes, vou contar uma história. Da menopausa.
Um dia, aos oito anos de idade assisti a um grupo de trabalhadores frenéticos chamados estrogénios abrir uma fábrica usando o meu corpo como lugar para ficar. Fez-me desorientar, ficar feliz e desesperada por não saber o que se estava a passar no meu corpo. Tinha sido alvo de um ataque terrorista, sem prévio aviso ou conhecimento, sobre o trabalho que iria decorrer deste fenómeno de ocupação.
A natureza seguiu indomável o seu curso, mensalmente retirando uma taxa sobre óvulos não concebidos e mais tarde devolvendo em dividendos os que conseguiu vender a quem o fertilizou.
Fez bem o seu trabalho por muitos anos, mas tudo tem um fim.
O corpo/fábrica de tanto ser explorado, chega ao momento de se retirar da produção. E fecha o seu ciclo.
Algures o patrão dá ordem de encerramento. Não sem antes se manifestar algumas vezes violentamente contra o encerramento.
Protestos sob a forma de afrontamentos (o estrogénio regula a temperatura do corpo), suores frio, secura, perda de apetite, falta de desejo, engordar ou emagrecer sem se comer mais (mesmo que se deixe de ir aos fast-food) ou sem se deixar de ir aos fast-food, mudanças de humor (os esterogénios ajudam à fixação e equilíbrio da serotonina-neurotransmissor responsável pela regulação do humor, do sono, do apetite, do bem estar), humor esse que varia entre o querer matar os filhos e os colegas e o chorar perante qualquer gato fofinho que se enrosque nas pernas.
Ou o contrário: abraçar os filhos quando estes bateram na avó, chorar sem razão e querer atirar paus aos gatos fofinhos. Ou matar os patrões abusadores também cabe nestes momentos.
Se não couber, diga que está com a menopausa! E avance a matar!
Tal e qual como numa ressaca de drogas e de álcool. Ou de um capitalista que perde milhares de acções na bolsa.
A vontade de suicídio é superior à vontade de sobreviver no mundo hostil da falta de estrogénio. Ou da falta de dinheiro e trabalho no sistema capitalista.
Mas não se desesperem. Esperem um pouco. Respirem fundo. É apenas o estrógénio a deixar o corpo. É apenas um ciclo que termina para dar inicio a outro.
Tal como fiquei bêbeda desequilibrada e com o início do ciclo com a invasão de estrogénios, também me embebedei e desequilibrei com o desaparecimento em massa e repentino da hormona.
Amaram-me e desamaram-se sem pedir licença e sem aviso prévio. Apenas respeito pela própria natureza.
No capitalismo existe o mesmo tipo de amor e de desamor repentino e sem licença.
No meu caso, tivemos um caso intenso quando me invadiu e se instalou e, quando partiu desaparecendo para nunca mais voltar.
À partida e à chegada nem "lobolo" houve (oferendas que se faz em África aos pais da noiva quando de um pedido de casamento).
A menopausa pode provocar desequilíbrios profundos e mais difíceis de gerir e acomodar que a puberdade.
Porque a fábrica naturalmente encerra com o cansaço e o desgaste próprio e natural da idade. Sobretudo nos processos violentos e inesperados.
Dizem que começa a idade da sabedoria, da leoa e claro das maravilhas libertadoras de uma vida sexual sem riscos e de algumas perturbações da saúde dos ossos e até perturbações mentais.
Eu confirmo. Recebi a indemnização total por anos de serviço sem falhas e o pacote completo dos efeitos da reforma prematura acima descritos.
Despi-me em público num inverno rigoroso por causa de um afrontamento, numa reunião num local pouco aquecido...A reunião parou e eu vermelha, a suar pornograficamente expliquei perante os olhares assustados das mulheres e perplexos dos homens: estou na menopausa!
Ninguém acreditou!
Continuei já em soutien: sou uma doida feminista por falta de estrogénios e queria os meus 15 minutos de fama...
Sossegaram e a reunião continuou não sem me olharem de lado. Deixaram de me olhar como uma pessoa "normal". Agradeci ao afrontamento!
Por isso, não desesperem, nem se limitem. Se não se tornarem mulheres mais sábias e leoas, certamente serão livres e doidas.
O único estado que quero.
Não sofram sozinhas, nem tenham medo de se expor. Conversem com as pessoas amigas à vossa volta, os médicos, os companheiros, os filhos e até com os patrões (se alguém vos tirar a almofada com a qual o iam sufocar), abanem-se e refresquem-se e de preferência não substituam a hormona natural por um estrogénio químico.
O corpo sabe o que faz e faz o que está programado para fazer.
Ser mulher...é conter em si a verdadeira essência do capitalismo.
Mesmo quando se fica sem estrogénio não se perde o poder de ser infinitamente rica e distribuir riqueza.
Sejam felizes. Sejam (o que diz a origem da palavra latina oestrus): fúria poética.


quarta-feira, 24 de junho de 2015

Ser hippie

Recebo este elogio tantas vezes... smile emoticon
so..."let it be"!
hippie
por escolha... 
para no jogo do esquecimento que todos jogamos
não me perder de quem sou :"ubuntu" (na tradição africana)
-"sou porque tu és"
"A cultura hippie indica(va) uma mentalidade e forma de viver muito pacífica, e acredita(vam) que podiam melhorar o mundo através de comportamentos não violentos...
Tinham uma elevada noção de fraternidade, dividindo as suas posses e vivendo em comunidades, sendo que a maior parte dos hippies não tinha trabalho nem residência fixa...
Em sentido figurado, muitas vezes a palavra hippie é usada para descrever uma pessoa liberal ou que não aceita os valores que são aceites pela maioria da sociedade".Dicionário de significados
O símbolo da Paz, dos direitos civis, da luta anti-apartheid, contra a opressão e a tirania, foi adoptado pelo movimento dos anos 60.
Criado num momento de desespero pelo mundo que o rodeava, pelo designer inglês Gerald Holtom em 1958 é uma composição entre as letras N e D (Nuclear Disarmament) em volta do círculo que simboliza o planeta.
O seu criador chegou a pedir que se usasse o símbolo virado com a três pontas para cima, sugerindo um homem de braços levantados em V de vitória usando as letras U e D (desarmamento unilateral).
A Humanidade não tem seguro contra todos os danos que provoca a terceiros e colocando em risco o planeta deixámos de estar a salvo.
Recriar é preciso (é minha convicção que o planeta já perdeu a fé em ser por nós resgatado).
Por sorte (?!) cada vez mais me cruzo, me identifico e me torno amiga de hippies que se sentem desesperados com o mundo que nos rodeia, a criar vidas alternativas, a fugir e a levar os seus filhos para longe dos maus valores aceites pela maioria da sociedade.
Não, não são marginais, colocam-se conscientemente à margem.
Reinventam e criam Vida.
O mundo está a mudar. E gente há a parir um mundo novo.
Benditos hippies de hoje. Eles são o salto para o futuro.
Um dia este símbolo será usado com os braços levantados em V.
Para mostrar que tomando decisões unilaterais em todos os aspectos da vida, se dá origem à mudança temida pelos instalados tiranos.
Orgulhosamente
uma hippie


terça-feira, 23 de junho de 2015

Quo vadis Europa ?

Hoje tomei vitamina E de Galeano (entusiasmo e esperança) com este discurso.
A lição de Antígona de Sófocles para salvar a Europa :
" Temos o dever de desafiar as regras que vão contra os princípios básicos da humanidade e justiça e mudá-las se preciso for"
" Se continuarem a esmagar a nossa população na miséria o país nunca se poderá refazer" ..."A História tomará isto como um falhanço dos protagonistas, se não houver acordo".
A não perder esta lição de história e de economia dada por Varoufakis.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Os vendilhões do templo

Aqui jaz Portugal vitimado pelos audaciosos, vendidos e bons alunos Pinóquios, salivando com as mãos na massa do saque e que oferecem o fruto em bandeja de prata, com permissão e total comunhão das lusas vítimas inconseguidas, adormecidas e medrosas, donas do castelo saqueado...
Esta tumba faz-me perder a tesão logo não me tira o engulho do peito!




da página no facebook de Rise Up Portugal:

PARLAMENTO PORTUGUÊS ACORDOU

COM A PLACA “VENDIDO”

Quem colocou o cartaz diz que entrou "sem problemas" na Assembleia da República. Ação é de protesto "contra a vaga de privatizações."

Na varanda do Parlamento foi colocado esta segunda-feira um cartaz que anuncia que o edifício está "vendido". Os autores da ação, que divulgada na página "eunaomevendo.pt", preferem não se identificar, mas à TSF contaram que "esta iniciativa ativista foi feita como oposição, e para chamar a atenção, a vaga de privatizações, para além dos vários cortes nas reformas e da perda total de soberania do povo."

Um dos elementos do movimento "eunãomevendo.pt", que prefere manter o anonimato, explicou que quem colocou o cartaz entrou "pela porta principal da Assembelia da República" e que foi "bastante simples", o que não voltará a acontecer, admite: "nunca mais será fácil". Em momento algum a segurança do Parlamento questionou a presença dos dois elementos do movimento, garantiu esta fonte.

A TSF contactou o gabinete da presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, e aguarda uma resposta.

sábado, 20 de junho de 2015

A tristeza triste dos mitos

Em modo enojado com os mitos urbanos, criados por tolas dementes como a minha!
Que povo
Aprendam a ser comedidos,pacientes e a acreditar nas palavras deles.
Ele não apenas merece a nossa confiança,como a nossa amizade, solidariedade e voto...
tão comezinho a queixar-se sempre do que não vê, não sabe, não sente...
O homem tem um pacto com a santidade,senão vejamos:
O IVA não aumentou, a dívida pública não aumentou, Portugal não é um dos países com maior carga fiscal, o país não tem um nível de vida baixo, não se liberalizaram os despedimentos, os portugueses não fazem sacrifícios, não se vendem os anéis, os poucos que saíram querem voltar, não houve redução no investimento na saúde e na educação...resumindo:
-os portugueses não são "tratados à bruta" !
"Não dizemos hoje uma coisa e fazemos amanhã outra"."Precisamos valorizar a palavra para no futuro podermos acreditar nela". PPC
Prémio: O mentiroso compulsivo: PPC
Os cofres deles estão cheios como os cérebros das antas: de correntes de ar.
(contém mensagem subliminar aos credores, não é para nós!).
Para os portugueses os cofres estão cheios...de promessas eleitorais.
Se a coligação ganhar serão tratados de novo... "à bruta".Isto sim é irrevogável.
Continuem a "fazer óó"...e a embalar-se no canto do lobo vestido de cordeiro.
PS, resta-me a consolação de que Saturno esse planeta da mitologia grega baptizado "Chronos" ou Deus do tempo, em tempo de eleições, lhe prescreva uma lição pouco mitológica sobre a verdade e o seu prazo de validade.
Nunca como hoje precisamos de ser aliados do "empreendedorismo" do qual os portugueses já deram mostras noutros tempos, e, bater com o punho na mesa. Toda a "narrativa" seria cómica se o que nos espera não fosse trágico.
Neste planeta pequeno, com a vida humana dotada de tempo limitado Syrizemo-nos: façamos o medo despertar noutro lugar.
Somos todos cidadãos deste planeta e temos o direito de estar cá,ali,em qualquer lugar, condignamente. 
Qualquer "narrativa" contrária é pura mentira. Coloquem palas nos olhos para não os verem, coloquem algodão nos ouvidos para não os ouvirem, e não fiquem mudos a responder a esta gente contra a austeridade e a matança autorizada por esta autoridade dos mercados marcada no rosto de quem a pratica.
Sejamos os heróis das histórias que contaremos ao tempo futuro.