sábado, 5 de dezembro de 2015

5 de Dezembro- Dia Internacional do Voluntário

Voluntário :Aquele que exerce uma actividade voluntária e não remunerada em qualquer entidade pública ou instituição sem fins lucrativos que tenha objectivos cívicos, culturais, educacionais, científicos, recreativos ou de assistência social.
Quando a vida pede mais alma, ou quando a alma quer viver uma vida autêntica.
Hoje celebra-se o dia Internacional do Voluntário. Quase precisamos de mais um calendário para celebrar dias especiais.
Mas este é para mim muito especial. Vou escrever sobre uma das minhas experiências.
Em 2001 fui a escolhida num concurso internacional para ser a Promotora/Coordenadora do Ano Internacional do Voluntário (escolhido pelas Nações Unidas) em Moçambique.
Ser Voluntária das Nações Unidas, o "braço forte no terreno" como nos chamou Koffi Annan, o nosso representante à data de 2001, foi das experiências mais inspiradoras que tive. Que me levou a ser melhor, a dar o que sou de melhor, a implicar a alma no trabalho. Tornei-me um ser humano mais próximo dos outros, importante para a vida dos outros e tudo o que fiz e partilhei foi com o objectivo de ter impacto real na vida das pessoas.
Ao bombardearmos a vida das pessoas que precisam, com oportunidades reais para o seu desenvolvimento e sustentabilidade abrimos novos caminhos para o seu verdadeiro crescimento.
Esta é para mim a definição de voluntário.
São muitas as histórias, pessoas e experiências que partilhei e guardo eternamente. Porque vão viver para sempre em mim e no ser em quem me transformei depois de ter sido voluntária. Agradeço a todos e à vida por me ter dado a oportunidade de dar largas à minha alma.
Das muitas actividades e pessoas com quem trabalhei não me posso esquecer do projecto- lei que uma larga equipa elaborou e pessoalmente entreguei na Assembleia da República de Moçambique para protecção do trabalho Voluntário inexistente até à data.
Viria a ser aprovado em 2008 o que me encheu de orgulho e vaidade.
Das acções de formação de activistas para o HIV-Sida, às inúmeras feiras de angariação de fundos, aos leilões de quadros generosamente doados (Naguib por exemplo) por artistas Moçambicanos para atribuição de bolsas de estudos a jovens voluntários.
Nessa noite eu ia ficando muito pobre já que o meu filho que me acompanhava em todas as acções dos voluntários, licitou em €1,500 USD um dos quadros do Naguib, simplesmente porque o adorou. Felizmente a Visabeira licitou mais alto e ganhou o quadro, ou eu teria deixado de comer por um ano.
A construção de uma escola e um centro de saúde numa aldeia remota do centro do país onde se chegava apenas de tractor, com o trabalho incansável por duas semanas de várias organizações de Voluntários foi dos maiores marcos do ano.
A imensa tela pincelada por todos os participantes na Meia-Maratona contra a Pobreza patrocinada pelo PNUD e pintada voluntariamente pelo mestre Malangatana foi mais um degrau do AIV 2001.
A tela, de valor incalculável, oferecida à Cruz Vermelha de Moçambique(a maior organização de Voluntários comandada pela enorme e querida amiga Drª Fernanda Teixeira), com cinco metros de comprimento por dois de altura, transportei-a debaixo do braço até Genebra para a conferência dos UNV´s onde iria representar o país.
Expus a tela e o nosso Patrono (do Ano Internacional do Voluntário) ao vê-la, convidou-me para ser recebida por ele e falar sobre as actividades do ano em curso em Moçambique. Não era um convite, era uma ordem que vinha de sua Alteza Real o Príncipe Filipe das Astúrias, hoje Rei de Espanha. Por ele fui recebida, ouvida e Moçambique e os seus voluntários ficaram assim orgulhosamente conhecidos.
A grande celebração aconteceu no dia 5 de Dezembro de 2001, com um espectáculo de várias horas com todos os artistas moçambicanos que voluntariamente cantaram e tocaram na celebração do Ano comigo na apresentação qual Julio Isidro no "Natal dos hospitais". Sem doentes porque até ministros dançaram (o que não é difícil conseguir em África).
Ser voluntário é dar largura, comprimento e estender uma tela de estrelas que são os voluntários quase sempre pouco reconhecidos, e às suas almas, que nela se comprometem em fazer o que deve ser feito. Estar próxima de quem precisa e ter impacto na vida das pessoas.
Por isso somos "o braço forte no terreno". E necessário.
Obrigada voluntários.
Vivam os voluntários.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Espírito de Dezembro...

E este espírito que consome Dezembro enquanto a guerra que avança e transforma a Humanidade em neve de Janeiro...?
De que me serve saber fechar os olhos a beijar se não os souber fechar para sonhar? De que me serve viver sem ter a mesma altura dos sonhos que me visitaram o sono?
De que me serve meditar se não souber estar na minha companhia, em silêncio para me ouvir? De que me serve reciclar se não souber parar de consumir? De que me serve ter cultura e saber falar se não souber ouvir o outro e não me sentar nos seus sapatos para o entender? De que me serve ser inteligente se me rodear de violência e manipulação? De que me serve pedir paz, se ofereço e partilho raiva, sangue e preconceitos? De que me serve pedir transparência se for apenas opacidade e me esconder atrás de truques de ilusionista? De que me serve pensar em coerência, se as minhas acções não reflectirem o que sinto e como penso?
De que me serve o espírito de natal se não tiver um livro com estrelas, que me receba num refúgio, num coração, longe da falsidade e da falta de empatia?
De que me servem os olhos se não sei ver para além de mim próprio? De que me serve a capacidade de ouvir se nunca paro para escutar?
Experimentemos este momento- de frio e guerras no hemisfério Norte, de fome e escravatura no hemisfério sul, porque somos um com o mundo- e vestirmos todas as saias do mundo, calçarmos todos os sapatos do mundo e conhecermos quem é cada um, vestindo e calçando as suas vestes e sapatos, sem exclusões nem que seja dos que estão ao nosso lado?
Dancemos juntos uma coreografia de roupas e sapatos autênticos. Nem que seja enquanto um boneco de neve se derrete numa brincadeira de Dezembro no hemisfério Norte, ou um pilão faz farinha de milho para o jantar de uma família em Janeiro no hemisfério Sul.
A OMS informa que faz mal à saúde massacrar com a tradição do Natal dos bonzinhos vestidos de seda em Dezembro e palha d´aço em Janeiro (serve para a política e qualquer outro relacionamento entre humanos).

Se eu fosse miss diria que gostaria de ter a paz no mundo mas como já não acredito no Pai Natal nem em misses, o melhor presente pode ser mesmo mais tolerância. Caso falhe, ofereçam outra vez meias de lã...


quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

A Rosa Parks

Dedicado a Rosa Parks. A todas as Rosas que se sentam no lugar certo. E lutam pelo lugar delas! O seu legado ficou para mim e todas as mulheres sem distinção de cor, que hoje têm direitos e oportunidades quase iguais. Obrigada.
Deitou-se faz hoje uma vida,vestindo um pijama de estrelas derramadas,cobriu-se de sonhos. Neles se celebrou. Nas cinzas da lama das vaidades superficiais a alma lavou. A voz deixou de ecoar no vazio dos tempos. Esperou a lua, cor de sal para se vestir igual à sua beleza.
Espreitou-a e pintou-a com a constelação da liberdade no colo e murmurou-lhe: és em cada dia de todos os tempos mais e mais quem podes ser e és. Vives do coração e é na solidão que encontras emoção. Segue em paz.
Pudesse ela escrever com sabedoria e a ela escreveria versos sábios. Soubesse ela cantar e cantaria hinos à sua alegria. Conhecesse ela música e comporia sonatas. Soubesse ela tornar-se poesia e escreveria cantando beijos para os seus lábios. Pudessem os seus pés subir ao céu, subiria sem arnês nem protecção. Mas sabe sonhar e vai continuar a fazê-lo.
Quem és tu? Uma cigana que lê folhas de Outono caídas nos jardins onde lhe encanta voar, e descobres os segredos do seu coração?
Acordou ao fim de um sono de uma vida.
Quem és tu feiticeira que assim me descobres,quis saber ainda estremunhada e aquecida?
Descalça dançou até à janela.
O sol cumprimentou-a com uma piscadela doce. Sabia que vinha de um encontro com o seu amor infinito. Com cuidado despiu-lhe o pijama de estrelas, banhou-lhe de sorrisos, vestiu-lhe de raios simples, calçou-a de ternura e sorrisos, colocou-lhe um lenço perfumado na cabeça para a proteger da condição terrena e cantou-lhe: vai, leva uma brisa de infinito para no teu pomar semeares mais sonhos em poesia.
Nesse dia lutou.
Abriu as asas e viveu.

sábado, 28 de novembro de 2015

Sai, sai da minha vida

Lendo as noticias que chegam da Ocidental praia Lusitana, eu, vitima do estado terrorista da coligação, nesta hora de largarem o poder, deixo um grito esganiçado à ex-pàf e ex ministros, que de longe escreveram uma página devastadora de História- da qual me envergonho- na necrologia de um país que venderam, que ficou sem lugar para os que saíram e vazio para os que ficam: 
-vá, não sejam piegas, nem tenham medo de sair da vossa zona de conforto, emigrem (já que não existe a figura da criminalização dos danos de lesa Pátria e outros crimes já prescreveram), aguentem ( a queda ) já que viveram acima das vossas possibilidades. 
E levem o vosso pastor de vacas. Amante da quadra que se aproxima ele e a maria são a fava e o brinde do bolo que ele tanto cospe.

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Quem se lixa é a moule

"Foi por milagre que nasci profana", Fausto musico/compositor português
Quarto
 dia de alerta máximo em Bruxelas. Tudo 
​mais
 ou 
​menos 
fechado e o caos começa a moldar-se à pele, medo, insegurança e as questões que se impõe: o que é isto? o que nos ameaça? que fazer? onde e quando vai acontecer? a querer-se instalar na vida das pessoas nesta bela cidade gris. Mas...
Saio à rua e observo os sinais de normalidade por todo o lado e a tranquilidade que nos devolvem alguma cor à imaginação, a nós humanidade.
Porque o ser humano antes de ser um autómato guiado pelo medo é uma alma livre e viva. E inteligente. E isso os psicopatas não entendem. (pertençam eles a governos, grupos fanáticos, braços armados ou outros)
Mas é preciso entender o que nos faz aproximar cada dia do cenário de 1984 de George Orwell. Nem toda gente pode ser enganada ao mesmo tempo e a informação está aí para ser estudada.
Não nos aquietemos com a desinquietação que nos querem fazer engolir. Desinquiete-mo-nos com a manipulação a que nos submetem.
E a Europa tem sido um alvo de venda da sua alma.
Mesmo com sustos que me cortam a respiração e me deixam de pernas trémulas, ainda tenho muita vida para aproveitar. Mas, se me cruzar numa esquina da vida com um desgraçado, também ele manipulado, seduzido e enganado, esquecido pelos Estados, abandonado à sua sorte, onde o tributo que lhe pedem ao crime contra a vida sagrada é a sua própria morte, fazendo-se explodir, então fique a saber que apenas lamento a vossa escolha. Vocês jovens estúpidos, perderam a alma e são também vítimas do caos.
A minha escolha é de ver cair neve hoje e amanhã ver nascer o sol. Se vos der jeito claro. 
Frente a frente as religiões: terrorismo religioso (...) a religião da ignorância e o capitalismo, a religião da ganância. Juntam-se à religião da banalização do mal (teoria de Hanna Arendt) e o resultado é uma vida de pesadelo.
Para ver nascer um novo dia, desculpem lá qualquer coisinha, como andar por aí, mas não deixarei de o fazer. Algum anjo há-de tomar conta. Ou não.
Agradeço a todos os que me inundam de preocupação, beijos, abraços e carinhos. Como diz uma amiga "eu tinha de escolher um sítio para viver com adrenalina". Podia viver sem ela? Poder podia, mas não era a mesma coisa.
Para vos descansar, sabem o que vou continuar a fazer?
Cuidar da vida ou viver com o cuidado possível enquanto me for permitido existir neste mundo bonito com algumas gentes muito feias possuídas pela ideia fantasiosa de que o mundo lhes pertence. Dá dó!
Eu profana, penso apenas numa nova religião/paradigma. Da paz, da inclusão. 
É obrigatório! É o meu dogma​.
Vamos lá rir por favor. E beber umas cervejas acompanhadas de mexilhões enquanto vivemos a aguardar qualquer coisa parecida com a normalidade em guerra. Ou um ataque.


domingo, 15 de novembro de 2015

Guerras deles, mortes nossas

Santas, Ó guerras que de santas nada têm, são como água lançada em óleo fervente onde nenhum ataque é pior que outro 
porque todos são demoníacos e sem santos.
Fazem parte da infeliz e deplorável realidade da Humanidade. 
Como em qualquer bom livro policial siga-se o rasto do dinheiro. Quem quer a guerra, quem as financia, quais os objectivos? Quem beneficia?
Grupos de terroristas profissionais, treinados nas melhores Universidades das guerras, com os recrutas escolhidos a preceito...Quem são os seus mestres?
Não, nada do que parece é! Nada é aleatório, sem origem nem objectivo claro e definido.
No caldo do mundo de multi-religiões
mas sem paz; no caldo do mundo nascido sem fronteiras
mas com infindáveis guerras por territórios; no caldo do mundo com recursos naturais quase infinitos para todos
mas com guerras pela sua posse; no caldo de um mundo diverso e multicolorido mas racista e separatista, qual é o lugar da Humanidade?
Onde aparentemente uma morte num país, num continente vale mais que num outro; no caldo de um mundo que bem vive sem a presença humana, mas onde esta impõe rituais, tradições e superstições, onde cabe a liberdade de escolha?
Há agendas agendas secretas nestas mortes por atacado? Nestas guerras sem contemplações que tiram no presente o futuro de milhares de pessoas?
Desconfio que as há.
E, vêm embrulhadas em papel pardo. Em papel estratégico de desestabilização, mentiras, acordos secretos para controlar pessoas, recursos, territórios, liberdades.
Não sou apenas com uma nacionalidade, sou uma com todos os inocentes que perdem a vida em ataques inqualificáveis.
E sou contra todos os senhores terroristas que defendem valores nos antípodas ao direito à inocência. À vida.
Os inocentes mortos nestas guerras pouco santas, são um pedaço da morte de cada um de nós e um pedaço da morte da inocência em cada um de nós.
A Humanidade, muito pouco civilizada, está sob ataque em todos os ataques em todos os lugares em todas as guerras.
Apenas Amor, Paz, e Bondade a poderão resgatar.
Da minha parte, além de me questionar para lá do que é aparente, sobretudo agradeço a todos os que usando estas armas neste momento, em diversas partes do globo, dão lições desta natureza à Humanidade.

sábado, 14 de novembro de 2015

O coração da humanidade ferido de morte (de novo)

Escolhido o dia mundial da Bondade para espalhar terror e caos 13.11.2015 por gente doente que nada teme, nada tem a perder, nada respeita.

Os europeus, os sírios, os árabes, os sem cor ou credo, de uma só raça, somos todos refugiados e reféns em fuga da mesma guerra: a que é feita por homens doentes, que impõe o medo como forma de fazer ouvir a sua voz. 
Uns procuram encontrar-se com a vida, outros procuram destruí-la. 
A uns ela aguarda, a uns ela sacrifica e a outras ela demencia.
Cubro-me com o único véu que sei vestir. Chama-se paz. Calço-me com os únicos sapatos que me sustentam. Chamam-se bondade.
Como a natureza, sem pressa, cumpre as tarefas que assumiu. E cumpre-as. 
Nós temos uma tarefa a cumprir e África ensina-nos o conceito Ubuntu: só seremos felizes se os outros também o forem, porque somos um.
Não cederei ao medo de entregar o resto da minha liberdade em nome da segurança.
Paz pelas vidas de todos os inocentes que já a perderam e pelos que vivos continuam a usar os dias todos para espalhar bondade.