domingo, 15 de junho de 2014

Na minha Ítaca as letras têm pés para andar mas não têm solas nem chão



Mais uma vez aconteceu a magia da TribU alargada a quem ainda não conhecia o livro. Graças ao Livro das minhas Viagens recebi a apresentação requintada do Jacinto Furtado (fiquei orgulhosa), da música da minha Yara Cândido que a cada dia a admiro mais como artista e como pessoa e da minha muito querida Anokha Dance que é maravilhosa a dançar e como amiga. Agradeço. Ao meu irmão Paulo Brito E Silva que me emocionou a ler. À organização impecável da Rosângela e da Patrícia no C.Cultural agradeço. O carinho de todos esteve sempre no ar, assim como a informalidade e o riso fácil. Orgulho na minha triBU. Obrigada a todos por terem ido apesar do inferno de calor. Parecia que tinha regressado ao norte de Moçambique. Marta Martins e genro, Lara Évora, Lutcha Santos, Miguel Costa Vaz, Clara Esteves e querida amiga, Luisa Silva e maridão, aos artistas e amigos que lá estão a expor e fizeram questão de assistir agradeço com o coração. Hoje estou mais feliz e em paz. Foi a conclusão de momentos magníficos que vivi nestas apresentações com pessoas lindas. Ficam aqui os 1ºs traços de imagens já no final da festa. Os livros não têm groupies nem arrastam multidões mas eu posso declarar oficialmente que os meus traços arrastam uma triBU. O meu coração bate junto com cada um, os de hoje, os de dia 7, os de dia 28 de Fevereiro e de todos os que não puderam e queriam mas estão longe e os que não puderam com pena de não estarem presentes.

 

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Nova Viagem



Sempre a mudar é a minha constante forma de estar.
Porque nunca acabo, liberto o meu cadeado e vou-me viajar,
num refúgio da serra.
De lá continuarei a dar luz a escritos sobre papaias, medronhos e outras obscenidades
e o que mais me inspirar.
A tornar mais leve a minha passagem por esta terra porque a alma se desassossega quando está sem dançar.
Até já.
Lá !

Dia 14 nos Olivais é o último momento de apresentação em Lisboa dos meus traços, já com o rumo guardado nas coordenadas do meu GPS para nova paragem na viagem da minha vida.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Mudam-se os tempos… Camões e as letras.



Na espuma dos nossos dias,

Nestes tempos escrevi um livro. Ou antes, escrevi crónicas ao longo de 12 anos que uma editora quis transformar em livro. Eu agradeço. Mas não se vende. Como deveria. Escrevo muitas outras coisas. Escrevo o que me apetece. E muito mais gente escreve. E deveríamos poder publicar e vender. Nestes tempos como em todos.

As letras têm pés para andar, mãos para as agarrar mas faltam-lhe solas para as calçar de solidez. Antes de se evaporarem num ar que se lhes dá. Como nos querem. Desaparecidos no nevoeiro. Ignorantes e sem dinheiro para comer. Nem sopas nem letras. 

Ando por aí a fazer apresentações do livro e outros escritores também. Mas não vendem. Porque as letras não se comem. São alimento para outros fins. Os do espírito e da alma. Os últimos a ser queridos. Não aconchegam o estômago. Como “eles”, os que nos condenaram a esta morte, nos querem fazer acreditar. 

Sei o que é andar feliz por ter encontrado no meu gps as coordenadas para me “pirar” de vez em quando. Ando mesmo. Para não me pirar de vez. Da cabeça. Como diz uma piada que encontrei por aí nas minhas leituras diagonais. 

Piro-me quando me junto com a tribU que me acompanha neste caminho onde andamos todos sem bússola, nesta viagem sem destino. Para não pirar. Não conseguimos prever, imaginar ou sequer planear qual será. A quase todos nos falta esta segurança. O que vai ser de nós? Estamos no meio de um nevoeiro cerrado, debaixo de uma chuva torrencial que enlameia o caminho e nos deixa cegos. 

Mas com frequência caio no chão. Como chegámos aqui? Os lusitanos de reformas miseráveis ou outra gente normal, anda com a tensão arterial a baixar perigosamente e, a pressão a subir vertiginosamente.

Que vai ser de nós gente que trabalha nas artes, gente que trabalha nas fábricas, gente que trabalha, gente que quer trabalhar, que precisa de trabalhar? Gente que precisa de se sustentar para viver, para respirar, para pagar medicamentos, para se poder pirar de vez em quando? Somos cada vez mais, gente normal, que nada tem. Que desmaia com fome. Que fica sem poder ter nem letras, nem sopa.

Somos uma manta de retalhos de gente a ficar velha, que entre santos populares e festivais de verão está deprimida, esfarrapada, com borbotos, coçada, com insónias, desesperada, com falta de soluções, falta de dinheiro, falta de trabalho estável, de separações familiares, de violência, de psicoses, de noites sem dormir, com falta de saúde, com os nervos à flor da pele. De gente que já dorme em cama de espigões. Quase a pirar de vez. 

Quo vadis Ítaca minha, Portugal meu e de Camões? Tens de te cumprir! Não me deixes pirar sem te ver irrevogavelmente mudar!

Mudaram-se os tempos, para os piores tempos da minha vida, mas a minha vontade não muda. A de mudar estes tempos.

terça-feira, 10 de junho de 2014

14 de Junho Apresentação do meu livro em Lisboa

Dia 14 de Junho está à porta
Mais uma apresentação dos meus traços
pelas mãos de Jacinto Furtado na condução da mesma
Ligo o GPS que me conduz de encontro a mais um momento no meu caminho feliz.

Todos os amigos estão convidados para mais uma comunhão do hino que letras e música que vai acontecer no centro cultural dos Olivais às 17:00 do próximo sábado.


No dia 7 de Junho, na Biblioteca de Santiago do Cacém, apresentei o livro.
Eu sou fruto de todos vocês meus amigos e apenas fiz o que disse, cantei um hino à amizade feita de letras e música, na viagem da vida que tem sido repleta de amigos como os que tenho. Nesta apresentação regressei a casa.
À minha TribU. Obrigada a todos presentes e ausentes mas com a sua presença marcada no espírito.

Estas foram as palavras que li depois da apresentação por parte da minha amiga Paula Moreira de Carvalho na página do Facebook ” Parabéns Be! O despojar da forma em detrimento do conteúdo, o intimismo, a naturalidade com que falaste do livro que ainda não tive oportunidade de ler deixaram-me estarrecida! Orgulhosa da tua raça, fibra, coragem... Sem palavras... Pareceu-me ver Caeiro a passear o seu rebanho e a amar o que vê, porque amar e sentir com os olhos!
Obrigada por este mágico momento:-)"


Eu é que estou grata a todos.A quem ajudou a transformar mais um momento em magia.

 









terça-feira, 3 de junho de 2014

A pobreza é um grande negócio…e a política também



Na espuma dos nossos dias,

Hoje vou usar clichés (chavões, fórmulas batidas). Porque sim. Sobre a pobreza, o futebol, e esalterismos. No nosso mundo aqui e lá. Onde quer que lá seja.

Cliché; Aqui uso-os porque estou segura de que são passos que vão de encontro a portas escancaradas para a corrupção e de costas voltadas para a realidade do mundo que se encontra do avesso. Vantajoso apenas para a equipa  deles.

Cliché; no Brasil o dinheiro de impostos dos contribuintes paga os estádios do Mundial. Num país com fome de tudo o que é essencial. Num país que o está a contestar. As receitas vão directamente para a organização do evento e para as corporações privadas envolvidas. Esta é a lógica do negócio. Vantajoso apenas para uma equipa.

Cliché; Enquanto o povo liberta as energias libidinosas e futebolísticas como sabemos que vai acontecer, não as reprimem e nem as canalizam para o que precisamos de facto: uma revolução. Vantagem para a equipa deles.

Cliché; Como é que podemos ser um mundo unido e uno se o meu irmão africano, índio, cigano, português, grego, espanhol, ucraniano, se suicida ou morre simplesmente por falta de comida, de água, de casa e de se encontrar a si próprio, génese da vida dos humanos? Se faltar pão, água, medicamentos, cadernos, vamos aos estádios pedir ao Deus FIFA que nos acuda.
Se não pensarmos nem agirmos a vantagem é da equipa deles.

Cliché; a dívida do nosso país aumenta, a corrupção continua, os interesses movimentam-se, as liças políticas tornam-se bem porcas e não vejo saídas limpas em lado algum. Vantagem da equipa deles.

Cliché; nesta sociedade de irresponsabilidade ilimitada entre os hábeis e gananciosos, o polvo é sempre quem mais ordena. E nós consentimos. Como povos pouco evoluídos que somos. Seguidores dos gurus do dinheiro. A equipa deles mantém-se em vantagem.

A menos que usemos as palavras do hino deste irracional mundial de futebol no Brasil ao contrário do que elas supostamente querem dizer, para combater o capitalismo intensamente elitista e selvagem que comanda a nossa vida, no lugar dos sonhos. Lá, cá e onde quer que seja lá. Para nossa vantagem.

É o meu mundo, o nosso mundo e o mundo inteiro deve estar unido nesta luta. Convoquei-me para esta “welfie”.
Como ouvi de uma irmã: “agora pensem”:

"Tonight watch the world unite, world unite, world unite
For the fight, fight, fight, one night
Watch the world unite,
Two sides, one fight and a million eyes."

"It's your world, my world, our world today,
And we invite the whole world, whole world to play."