domingo, 16 de novembro de 2014

Uns e outros,

Privatizem-me. Por favor. Deixem-me em paz. 
Não sou o vosso talher, nem a vossa vitamina. 
Se não me privatizam vou continuar a ser a vossa mina anti-pessoal. 
Dá-me paz interior.

Deixem de contar comigo como cidadã para pagar impostos e taxinhas, já inscritas na minha caderneta, para vos satisfazer as necessidades predatórias, até aos 104 anos (data em que um super teste do facebook diz que vou morrer).

Dêem-me um visto gold para o planeta iwish:

(Onde o vosso grupo étnico/genético deixou de evoluir. Acaba-se no último lupanare a céu aberto, derretido pela lava de um vulcão mais poderoso que o vosso poder).

A propósito de: corrupção em gold, em bancos muito maus, em polvos, em gente que veste Boss, tudo à boss, na entrega por bandidos, do nosso ouro (PT, TAP, CGD,EDP,REN), a bandidos, lembrei-me de uma história, que é a minha:

A minha tetravó escrava, preta, contou-me que foi um senhor da aldeia dela que a vendeu aos brancos. A escravatura começou assim.
Uns a venderem os seus (recursos-humanos) aos outros.
Agora são de novo os uns, que entregam os seus (recursos-naturais) aos outros.
Num movimento perpétuo.
Agora também, uns vingam-se de uns e de outros, com os recursos que nunca lhes pertenceram. Foram roubados a uns.
Os outros roubam e roubam todos os recursos porque nada melhor sabem fazer.
Uns e outros, todos se vendem.
Por pratos de lentilhas em ouro,diamantes,petróleo,dinheiro e poder.
Uns e outros são o mesmo.
O pior da espécie. Os que lhe ameaçam a sobrevivência.

A da minha tetravó. E a minha. E a tua, digo eu que me sinto...

https://www.youtube.com/embed/HfsJvg7NCj8

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

O mundo algemado

“Existo, logo não penso, foi no que se transformou a frase de
Descartes”. Mário da Silva Brito, poeta e ensaísta brasileiro sobre a ditadura no Brasil. 
Tenho andado enganada com esta coisa absurda de defender a liberdade e os direitos dos Homens. Isso é coisa para misses, vestidas com fatos de banho sexy e tiaras na cabeça.
Mate-se já a memória!
Regressemos pois às ditaduras, sejam elas militares ou civis, de esquerda ou direita.
Por inerência de funções trazem acopladas um vaivém policial. Duro e repressor de qualquer vontade, tentativa ou pensamento de sair da linha traçada.
Ovelhas unidas jamais serão vencidas. São engolidas e mantidas em estado dopado. Sem memória. Tenho por ambição ser ovelha…
Se for debaixo de um pastor e um cão temível, a receita de uma sobremesa extraordinária está encontrada para o bom caminho.
As fraquezas humanas são as sobremesas. Lamber o fundo do tacho. Irresistível.
Vindas das mãos de chefs criativos, dos que lideram a cozinha martelando os dedos dos que os seguem cegamente, obrigando-nos a polir tachos e formas.
E a lamber os restos no cu da colher que nos estendem.
Queremos ser guiados, monitorizadas e ensinados. Batidos e violentados. Trabalhar de graça e em estado de submissão suprema. Em estado de pura felicidade e descanso.
É preferível deixarmo-nos nas mãos de quem sabe fazer de nós a melhor receita.
É mais fácil aceitar a ordem de recolha enquanto esperamos a morte.
Como seres idiotas que somos, deixemo-nos cegar e levar para o pasto. O verde lá é tão mais verde. As ovelhas unidas jamais serão vencidas.
O eclipse dos direitos humanos, da liberdade, da vida, deverá ser o objectivo da evolução e eu afinal, não sabia. Tenho andado enganada e aqui me redimo.
Enquanto Kobani se defende do ISIS, o Burkina Faso se quer preparar para um qualquer sistema mais “justo”, no Brasil, na Hungria, na Rússia, no Irão, na Arábia Saudita etc, e até em Portugal, deveríamos oferecer as nossas cabeças à degola.
Ou agarrar a oportunidade de emigrar para defender e combater ao lado de grupos terroristas.
Lutemos para que a ignorância que teve um passado brilhante, tem um presente brilhante, tenha também um futuro cheio de promessas.
Não a matemos porque nos situa na nossa grandeza de espírito.
Os homens e mulheres que como nós morreram pela liberdade? Ah esses…matemo-los de novo!
Que se dê liberdade, a quem na política e no poder, defende exclusivamente os seus interesses, e considera que os outros estão a mais, e, não merecem mais que a miséria. Eles far-nos-ão regressar às ditaduras.
Será tão mais fácil a vida…(Não estamos já nesta fase?)!
O muro está a ficar pequeno, coloquemos então, mais um tijolo na parede, ou como se diz em inglês, na famosa canção dos Floyd que de Pink o mundo não tem nada: another brick in the Wall.
Nem todos aprendemos a diferença entre o bem e o mal. Para enorme infelicidade de quem anda por aí a envolver-se numa luta sem tréguas, para que esta espécie resulte e cada um possa ser livre.
Como disse no século dezoito Benjamim Franklin presidente dos EUA: “aquele que abre mão da liberdade essencial em nome da segurança, não merece nem uma nem outra”.
Eu penso da mesma maneira. E também da maneira das pobres e queridas misses.


I wonder...

Em modo: I wonder…, (no país e no mundo inconclusivo)



Em modo: I wonder…, (no país e no mundo inconclusivo)
Será que não estamos a caminhar para a descontinuação do produto raça humana?
Será que em tempos desesperançados e sem entusiasmo vamos conseguir fazer as malas?
Será que em tempos de prostituição violenta entre os mercados-esses chulos- vamos conseguir acabar com as ervas daninhas?
Será que a fome-que mata- enquanto se constroem fortunas pessoais sobre essas mortes, um dia passa de plano de erradicação para a inexistência?
Será que o medo de doenças mortais, enquanto corporações se preparam e fabricam negócios para os seus combates, chegará ao fim?
Será que os Estados e pessoas em modo de corrupção mortal, um dia resolverão os seus problemas genéticos de ambição desmedida?
Será que grupos económicos que usam o poder no Estado para roubar o Estado, e o poder das pessoas, um dia serão raptados por um Darth Vadder, e ficarão num qualquer planeta obscuro,ardente e longínquo?
Será que miséria, escravatura, exploração e vice-versa um dia pertencerão à História?
Será que as relações humanas vão ganhar uma nova aplicação quando aprendermos a bem usar a tecnologia e as redes sociais, no lugar de construirmos a vida sobre falsas e ilusórias premissas?
Será que as religiões vão deixar de ter poder de vida e morte sobre a raça com as suas promessas mesquinhas?
(As virgens só existem nos signos e não querem homens boçais, o céu foi feito para guardar estrelas e planetas, o inferno é aqui).
É por estas e por outras que os alliens apenas nos sobrevoam, e desaparecem rapidamente para as suas wonderlands.
Esta gente tem problemas (assim dizem eles).
I wonder why…


domingo, 2 de novembro de 2014

Convite

De longe, de onde me observa,
Convido a morte
A acolher-me um pedido:
sei que tens um segredo,
o mistério que a todos
traz dor e medo,
sei que me vens buscar
não sei hora, nem dia,
nem como, ou lugar
quando a tua sombra
na minha sombra se fundir,
quero que dances comigo
na viagem dourada,
num doce balançado
cruzamos
um passo de rumba,
uma vénia de samba
num pas de deux
nu
de semba transpirado
as minhas contas prestarei
no cetim da dança.
Vivo a vida por amor
enquanto me balança
quero dançar até morrer
no amor da dança me perder
se assim for,
entrego-te as rosas sangue
e vou comigo tudo levar
de
saudade e cor.


sexta-feira, 31 de outubro de 2014

O feitiço do amor




O feitiço do amor,

Sou esquisita e estranha. Como tu e tu.
Quem sabe enfeitiçada.

Hoje vou escrever sobre feitiços. Esquisitos e estranhos.
O maior da vida. Aquele de que todos falam.
Aquele que nos esquisita e estranha.
Nos inquisita e se entranha.

Aquele que nos impõe condições:
-ser-lhe incondicionalmente fiel e servil.
Que se vira sempre, a favor de todos os feiticeiros:
-O Amor.

Falar e escrever sobre ele é esquisito? Estranho?
Canções, poesia,música, literatura, pintura, na sua maioria, são inspiradas e em nome do amor.
Em todas as formas de que se veste. Com alegria e na dor. No desespero e na felicidade.
Nasce,morre, renasce, perpetua-se.
Infinito é a sua forma verbal.

“Cartas de amor são ridículas? Ridículo é quem nunca escreveu cartas de amor”.
Amamos os amigos! Sem precisar de razões. Esquisito? Estranho?
Amamos até os que não conhecemos mas com quem nos preocupamos porque nos fazem perceber que fazemos parte da unimultiplicidade! Esquisito? Estranho?
Amamos os do nosso sangue sem entender ou precisar de razões!? Estranho e esquisito!
Amamos os amores. Não sabendo o que nos levou a transgredir todas as regras, a não ter regras. A ter anarquia na alma. A ficar desembestados como bestas. Por alguém.

O amor é o único direito que contém em si todos os direitos. Por ser o único que não conhece a finitude.
É o único direito que temos o dever de não perder.
Deixa memórias e saudades inexplicáveis e envolventes.
É inexplicável e envolvente, dure quanto durar.

Por inerência de funções, o amor transforma.
Por ser invulnerável, transforma-nos em seres vulneráveis, frágeis, generosos e ilimitadamente poderosos.
Veste-nos com a capa do poder de nos transformarmos, ao mundo à nossa volta, e para lá dele.
Por ser amor é como a imaginação de uma criança.
Por ser amor, não devemos parar de ser crianças.
Não questiona se o queremos ou permitimos. É a essência que em nós reside.
É a fonte de nutrição.
Um dever sagrado. Impõe que o vivamos, independente da nossa vontade.
Sem ele a vida cessa, mesmo que tentemos viver.

Como uma memória de infância, um cheiro, uma imagem, um momento, uma emoção, um sentimento, ele É:
sem sabermos as razões, imprime-se como uma tatuagem na pele:
fica para sempre.
O único direito sem preconceito de cor,religião, sexo,idade,distância,etnia.

Por ser amor é inclusivo. Invasivo. Inesquecível. Intrometido.Indiscreto.Íntimo. Inquebrável. Indestrutível.

Por ser amor é romântico, amigo, universal, uno.
Misterioso, incerto, mágico e inexplicável. Sem disciplina.

Se resistimos, ele persiste, não se importando com razões.
Se o contestamos, impõe-se com maior ardor.
Se nos abandona somos mar sem maré. Inexistentes.
Se o abandonamos, somos lua sem sol. Noite sem dia.

Não nos permite questionar as suas razões:
-quando a dúvida se afirma, ele responde:
-porque sim!

Somos seres diferentes antes de mergulharmos na sua tragédia e felicidade, e, depois que dela emergimos.
E sempre partimos em busca de nova tragédia e exaltação.
Num ciclo infinito até quebrarmos a finitude da vida.
Humilhante seria a vida sem a existência deste ciclo. Sem o dever de cumprir o único direito que não sugere antes impõe-se como única escolha.

O único direito a quem temos o dever de nos entregarmos. Ofereçamos-lhe tudo e ter-nos-emos transformado em seres melhores, especiais,completos.

Porque ele é tudo, é especial e é completo.

O amor faz a criatividade manifestar-se em nós. Junta todos os fragmentos e pontos de um enigma. Dá-lhe sentido, direcção, forma, conteúdo e unidade.

Obriga-nos a exercê-lo. A colocá-lo em prática.
A finitude existe para darmos valor à vida. O que dela fizermos é o que levamos connosco e deixamos aqui com os outros.
Por ser amor é infinito. Acompanha-nos para além de nós.
Quando deixamos de ser. De estar presentes.

O amor grita tranquilamente, a última chamada, para os passageiros, a embarcar na sua viagem:
-todos os recursos individuais devem ser colocados à minha disposição: emoções, inteligência, criatividade, experiência, coragem, intensidade.
Estão preparados?

Tratemos o amor de maneira especial:
- façamos amor com a vida e da vida façamos amor.
Com ou sem medo, usemo-lo. Ele oferece-se, sem mais pedir.

É esquisito? É estranho?

Não! Porque o que nós usamos…
é tão só,

o feitiço que ele nos lançou.


quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Infância, Contos da avuelita



Para a Alice e Amali,

Tomé, José António, Francisco, Clara, Shai, Carol, tinham ido visitar a avuelita e as primas para um longo dia de brincadeiras e jogos. 
Tinha chegado a hora do lanche. 

Sentados nos degraus da varanda, enquanto o sol se despedia do dia, bebiam sumo de cajú fresco, batata doce assada com pedaços de manga, salpicada com queijo fresco e menta e bolo de laranja. 

Ouviam a avuelita, que respondia à pergunta da Alice: Como eras em pequena nonna?

Para uma criança, os seus pais, avós e familiares nunca foram crianças. Conhecem-nos já adultos e no imaginário da criança, não imaginam que esses adultos também conheceram o mundo da infância. 
Para uma avó é fácil explicar. Está à beira de regressar ou já regressou a esse mundo misterioso.

Sem se fazer rogada a avuelita deu o braço à estória que se seguia:

-“Tens dez ideias a cada três segundos…tenho que ter sempre, a porta aberta para ti”…
Felizmente! Pensei eu quando ouvi isto de novo há poucos anos, já bastante crescida, mas nunca adulta. Tenho sorte, pensei, por não ter perdido com a idade a minha característica de infância. 

“Todas as crianças são assim,pensava eu nessa altura da infância. Falam sozinhas, têm amigos imaginários, invisíveis, com quem conversasm. Um mundo mágico. Às vezes uma sala cheia de amigos com todos a trocarem ideias”. Hoje tenho a certeza que todas as crianças são assim. 

Acredito que incentivando a magia no mundo da infância, desenvolveremos crianças mais inteligentes, capazes de lidar com as emoções, mais bondosas e empáticas com o mundo exterior. 

Em crianças somos mais inteligentes do que são os smartphones. Não precisamos do Google maps nem de GPS. 

No meu mundo mágico da infância, perdíamo-nos, andávamos à deriva, encontrávamo-nos, discutímos muito e ficávamo-nos em silêncio para nos ouvirmos. Eram tempos de magia. Só ou com amigos, imaginários ou não.

Acreditava em fadas, gnomos, animais que falavam. Dava aulas em voz alta para uma plateia vazia. Sem corpos físicos. Mas repletos de assistentes imaginários. Todos atentos ao que se passava ali. Quando nos cansávamos íamos comer pinhões, ou dançar. Ou ler juntos.

Presentes estavam as fadas, os gnomos, os animais, os amigos imaginários. 
As portas do roupeiro todas rabiscadas a giz, com frases que vinham dos meus amigos, que serviam de ponto de discussão e estudo, não incomodava os moradores da minha casa. 
Que incentivavam. Uma típica filha única, sem o ser, tem de desenvolver ainda com maior intensidade, o seu próprio mundo misterioso. Não, não era maluquinha nem doente. É o mundo da infância e da criança que em todos nós vive eternamente. 

Sim somos vulneráveis, sensíveis, frágeis, criativos, inseguros, crianças e isso não está imbuído em qualquer doença.

No silêncio do quarto, na quietude do rosto de criança que eu era, movimentava-se freneticamente o misterioso, os mistérios que eu não via e os que desconhecia. 

Ao redor da cama, distribuía livros. De fadas e estórias mágicas, de contos que me ligavam a outras pessoas sem fronteiras como eu, a mundos infinitos. 
Que me ligavam com um fio invisível, a outras estórias, outros mundos. Misteriosos, desconhecidos, invisíveis. Assim também julgo eu que nasceu, através dos livros, o conceito de internet.

Um mundo de infinitas janelas para mais estórias, mais perguntas, mais ideias. De repente descobria que o mundo misterioso que me rodeava era o que eu precisava, queria e iria descobrir ao longo da vida. Das fadas, aos gnomos, até aos homens. Quem somos…?

Estava nascida a minha curiosidade. Fazer perguntas, ter ideias novas, incluindo sobre novas dez perguntas que nasciam a cada três segundos, era a minha arte.

No Outono ia apanhar castanhas com todos os amigos que comparecessem. No tempo das pinhas, partia os pinhões, sentada numa pedra e comia até me cansar. Com os meus amigos. 
Ia fazendo perguntas e tendo ideias: “Tens dez ideias a cada três segundos” dizia-me o avô. 

Estava a transmitir as ideias que me chegavam dos amigos, fadas e gnomos e que tinha na minha rede de contactos. 
Eu era a porta-voz desse mundo. 

Hoje que tenho “mais passado”, e é lá que a minha memória e referências estão ancoradas, o silêncio diminui e ganho voz. 
Perdi espaço para me encontrar dentro desse mundo mágico, mas porque o tive, encontrei-me:nunca deixei de ser criança.

-O que sonhas como uma velha criança avuelita? Quis saber Amali

Todos pensavam que afinal eram muito parecidos. E claramente entendidos. Aquele era o mundo deles.

-Vou andar por aí, a terminar o que comecei, quando me aventurei nesse mundo mágico de curiosidade, incertezas, dúvidas, mistérios, perguntas e estórias.

Mesmo que a ubiquidade da maldade seja o ás de trunfo do mundo presente, eu tenho a semente da bondade colhida na minha ligação junto das fadas, dos gnomos e das fantasias dos meus amigos mágicos.E dos reais.

Muitos amigos estão grávidos e pariram crianças que são as minhas fadas,os meus gnomos, as minhas crianças reais. Vocês todos. 

Sonho para que não abandonem o mundo das fadas, da curiosidade, das perguntas, das descobertas e da criatividade. Da vulnerabilidade, da sensibilidade e da bondade.

Esse é o mundo que ainda hoje me habita, que me acompanha e orienta. A minha rede os meus pontos cardeais. Que quero perpetuar e ensinar, como eles ensinam o cosmos a seguir infinitamente. 
Sonho nunca deixar de colorir o meu mundo.

Meninos e meninas, agora venham daí ajudar-me a pintar o céu de todas as cores, concluiu a avuelita, distribuindo pincéis.

O sol, sentado no ocaso, tinha estado a ouvir a avuelita antes de se deitar. Os olhos fecharam-se e ele deixou-se embalar pelo doce movimento do mundo mágico das crianças a pintar deixando um rasto de laranja,cinza e rosa…

domingo, 26 de outubro de 2014

Carta a Moçambique,

Porque te amo e desejo que encontres o teu caminho

Sou átomos de todos
todos têm moléculas de mim
Pertenço a tribUs em cada lugar
de cada coração que abraça o meu

Se esta carta ofender alguém, saibam que não respeito a opinião de todos. Porque não respeito as opiniões de quem não quer a evolução da humanidade que só irá acontecer quando não fecharmos os olhos à corrupção, às desigualdades, ao medo. Por medo. E eu, não tenho medo. Porque me resta a dignidade de ser uma cidadã em qualquer parte do mundo, com os olhos bem abertos.
O que tenho a ver com as eleições em Moçambique? Nada. Não sou cidadã com bilhete de identidade, nem cartão de eleitora. E tudo!
Precisamente porque se passam cem, cem anos da primeira Guerra Mundial,devastadora para a Humanidade, comandante em chefe das desigualdades, por disputas entre machos alfa dos territórios do mundo, das fronteiras apetecidas, incluindo as africanas, hoje tenho tudo a ver com as eleições em Moçambique.
Porque sou uma cidadã deste planeta. Porque me preocupo com cada cidadão que é também um átomo de mim. Porque lhe tenho amor e às suas gentes. A Moçambique. Porque lhe devo momentos felizes.
Mas não lhe devo cegueira. Porque vejo. Com os olhos da cidadania. E os olhos de um ser humano consciente, acordado e sem medo.

Em cada território onde os direitos humanos sejam desrespeitados, as desigualdades aumentadas, os proscritos silenciados, abandonados, onde a corrupção for a arma de alimento dos egos dos machos alfa, serei cidadã daquele país.
Segundo leio, há provas da falta de transparência, de agressões, de roubos, de uma fraude sem paralelo nas eleições moçambicanas onde se contabiliza a matemática numa nova ciência, por exemplo: Frelimo:76%, Renamo 46%, MDM 24%. Num universo de 100%...

Um país independente e livre, entregue a si próprio, aos seus naturais, a quem tem que ser por inerência de nascimento e vida.
Mas não é um país livre, está nas mãos de gente que não lhe quer bem, que não o quer livre, transparente e exemplar.
Porque irmãos não podem deixar correr o mesmo sangue nos caminhos já percorridos e nefastos para todos. Para toda a Humanidade.
Urge pedir novas eleições. Urge que quem tem responsabilidades no processo, incluindo a comunidade internacional não silencie o que tem que ser gritado, porque à vista desarmada se manifesta.
Onde aquele que ganhar seja o verdadeiramente escolhido pelo universo dos 100% dos cidadãos eleitores.
Sou cidadã deste planeta que me oferece todos os países para viver. Sem fronteiras. Mesmo que obriguem homens irmãos a derramar sangue para as construir. Altas e de aço.

Não deixes Moçambique, que te tinjam mais da poeira suja de cor sangue. Viva a liberdade num país que desejo livre do cancro com metástases que te sugam a vida.
Que novos caminhos se abram para ti. Aqueles com os quais concordo, como cidadã, e, que todos quiserem em nome da dignidade da vida, dos direitos humanos, da liberdade, da transparência e da tua evolução.