quarta-feira, 21 de agosto de 2013

"A viagem jamais termina, só os viajantes terminam.
E também eles podem perdurar na memória, nas recordações, na narração...
O objectivo de uma viagem é só o começo de outra."
José Saramago

As minhas partidas e chegadas são sempre o principio de viagens inacabadas. Na minha vida são o meu carrossel  Entro e saio nas paragens, deixo um pouco de quem sou, aprendo mais sobre quem quero ser, e enriqueço o meu caminho. Não quero ser mais nada que não esta viajante que escolhi um dia ser.
Apegada aos amigos que deixo, aos que conquisto em cada nova viagem e que deixo nas páginas da história da vida que construo.
Desapegada quando as viagens chegam ao fim. Porque os lugares e as pessoas apenas criam raízes no meu coração e marcam indelevelmente a minha história. São as razões de viver estas viagens. Para a minha vida, o meu sentido é mais lato, livre e não mensurável. Nem em dinheiro,nem em tempo. Sem apegos. Só contam as experiências. E claro, as histórias para partilhar.
Não imagino um espírito viajante (aqueles etéreos) que ao ter de atravessar de um continente para outro, para ir viver uma aventura se veja constrangido com as paredes: porquê, para quê, e agora?
Não me façam nem se façam essas perguntas por mim. Só sei que as minhas viagens não têm paredes, não existem com limites temporais ou de espaço.
Hoje estou mais enriquecida. Nada foi uma linha recta nesta aventura, ou não teria sido uma viagem. Teria sido o caminho de uma morte acontecida. Ganhei desgostos, ganhei amores, ganhei alegrias, ganhei novas páginas de emoções no meu livro. Ganhei pequenos ódios, perdi ilusões e alguns sonhos. Mas renovei antigos e descobri novos.
Experimentei sensações intensas e nada politicamente correctas. Como eu. Sou a mesma de sempre mas também estou completamente mudada. Como o deve ser um ser com uma vida plena,intensamente conseguida.
Tal como os navegadores portugueses o fizeram, à custa de um espírito com bravata e determinado. Mesmo com medo do desconhecido mas sem medo de experimentar a viagem. Tenho este espírito num elo do meu adn que herdei dos meus antepassados.
Não deixarei que me digam que devo partir, só porque doutores sem cadeiras de vida me indicam esse caminho. Irei voltar a partir certamente. Um dia destes,despeço-me de novo. Agora muito mais é o que me prende cá. Estou à mão de semear para todos da tribo. Aqui ao vosso lado, com o meu colo, a minha refilice, a minha gargalhada e muita vontade de estar com todos.

Enquanto eu não terminar, a minha viagem não tem fim. Apenas novos começos.