quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

"O mundo está grávido de outro melhor", Eduardo Galleano Juntemos as parteiras. Deixemos passar a luz.

"O mundo está grávido de outro melhor", Eduardo Galleano
Juntemos as parteiras. Deixemos passar a luz.
Oleada que está a máquina da esperança, porque a vida corre depressa sem pena de ninguém, vivam sem pena de a deixar para trás parada. Corram atrás dela como se disso dependesse a vossa vida.
Atirem-se, atrevam-se, acordem-se. E segurem-se!
Porque o ano novo vai ser ainda mais difícil. Os ddt´s (donos disto tudo) não brincam em serviço.
Desejo muito que não adormeçam. Que não se deixem embalar. Porém sonhem! Alto, em grande e acordados. Com fogo nos olhos, com ardor nos pés, com transparência nas mãos, com brilho rasgado no sorriso. Com graça, raça e estilo!
Mesmo que os ddt´s tentem negar as evidências, uma arte na qual são bastante engenhosos, não os temam.
Com o objectivo de unificar e para o mais fácil entendimento entre as Nações, o calendário gregoriano pulou uma página e, o mundo girando, foi trazendo todos os seus cantos para um novo ano. A esta hora já todos acordamos ou começamos a dormir com um número diferente para escrever.
E é tudo! Será? Oxalá!
Quem dera que mudasse o essencial: o sistema em que vivemos que é como dizer, quem somos como mentalidade individual e colectiva. Mudamos em permanência, porém, tenho na lembrança que algo só mudará na vida de cada um e de todos nós, se houver consciência de querer mudar.
De resto, as contas dos serviços que necessitamos vão mudar: passam a ser mais elevadas! O governo vai continuar a querer vender-nos aos retalhos e vamos continuar a ser indecentemente explorados e manipulados. O afundamento processa-se a uma velocidade furiosa.
O acordo ortográfico, a casa dos segredos e as novelas parece que se mantêm para descanso de alguns.
Olha ano novo, com velhos dogmas, vou estar atenta a ti. “Estou-te a ver”!
Pela minha parte tenho o que preciso, o necessário e o essencial para enfrentar a vida e todos os anos que me restem: a matéria de que sou feita. Mas falta-me tanto para poder ter equilíbrio como ser, num grupo de outros seres.
Naturalmente que quero 365 oportunidades para voltar a ser criança. Quero 365 oportunidades para escolher morrer:
de amor
e celebrar a criança que sou.
Mas um dia, como tudo muda, o vento vira a página e abre-se uma nesga de sol por entre as nuvens cinzentas. No meio de tanta perversidade, há homens e mulheres bons, que lutam, que oferecem a vida por causas e pessoas. São as sementes da mudança.
Basta que alguém apanhe um vírus, de decência, de bondade, de bom senso, da capacidade de criar e pensar para estes se espalharem como uma epidemia. É nesta epidemia que acredito a cada dia de cada ano.
De olhos bem abertos, com a cabeça dos gauleses o coração dos hippies, a alma das fada, o espírito cigano, e, a alegria dos duendes, que são tudo o que precisamos na renovação da eterna esperança, de um dia, de um ano qualquer, sermos como o cogumelo: um fungo que nasce de uma terra bem regada.

Com arte se re-evoluciona e é dele a imagem: Banksy.