terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Um pouco de África...

Há 132 anos África era dividida, numa conferência, a régua e esquadro, por ocidentais que mal a conheciam.
O Continente com nome de mulher e cobiçada por tantos homens. Os que vêm de fora e os seus filhos. Ofereceu-se porque nada lhe falta. Toda a sua riqueza está à mão de colher. Dá-se a quem a quer semear e dela viver.
É um passado que se faz presente.
Não é prostituta porque não se vende. Mas como uma escrava venderam-na, usaram-na, sujaram-na a belo prazer de um vício como a usura e a ganância ilimitada como se de sexo obsessivo e cego se tratasse. Porque ela deixa assim quem nela coloca o olhar. Obsessivos e cegos. Com uma compulsão para ficar ou para voltar.
Mas ela continua a ser docemente feminina e matriarca, oferecendo o seu regaço rico de bens maiores que os materiais e os seus seios perenes onde tantas crianças, homens e mulheres se alimentam desde o início dos tempos.
Direi que 99% da tribuU alargada aqui nesta rede vem, está, viveu, nasceu em África. Ou então cheirou e bebe África, deita-se com o continente que abraça todos, bebeu a sua água, nadou nos seus rios e oceanos, lambuzou-se de mangas e papaias nas suas areias, comeu os seus frutos do mar.
Como uma tatuagem a marca fica indelével na pele, na mente, na memória, no coração, na alma. E no espírito que vem dos nossos antepassados que nos lembram de onde viemos.
Se eu fosse poeta escrever-lhe-ia, a esse continente amado, a essa mulher de corpo belo e cheio, um sem fim de poesia tão grande quanto a sua extensão, tão bela quanto as suas terras, tão doce quanto as suas frutas, tão quente quanto o calor dos seus verões, tão fresca e colorida quanto a sua diversidade.
Honra-me esse pedaço de terra, num pequeno pedaço onde enterraram o meu umbigo, nesse continente onde nasci, onde vivi, onde chorei, onde perdi, onde semeei, esperei e colhi, onde ganhei e fui feliz.
Onde irei voltar, onde irei morrer e honrar o sangue dos meus ancestrais.
Conhecer um pouco mais da sua tão pouco conhecida História, tão vasta e curva quanto o seu corpo, é descer pelas minhas raízes até ao profundo âmago e conhecer-me também.
Obrigada terra mãe por tudo o que me deste e continuas a oferecer. Eu só , quero dar-te a conhecer.