domingo, 2 de fevereiro de 2014

Dinheiro, corrupção, poder, prostituição





Na espuma dos nossos dias,

Quando eu tinha 5 anos respondendo à clássica pergunta dos adultos, o que queres ser quando fores grande, respondi sem hesitar e segundo a minha mãe assertivamente: prostituta!

Julgo hoje, que devo ter lido aos 3 anos algum livro sobre uma minha vida passada no lugar onde devo ter sido la madona num lupanare e, a minha resposta traria essas reminiscências…quiçá?!

Lembrei-me deste episódio da minha infância, porque li notícias do suicídio de 3 homens ligado à banca/bolsa/dinheiro/corrupção/poder e fui rever o documentário “Inside Job” (recomendo). Em tudo suspeitas como se estivesse a ver o Padrinho...

Aqui encontrei os sinónimos de prostituição no meu dicionário sem acordos pornográficos.

Na pré-história as mulheres eram o equivalente a Deusas e estavam no centro e base das actividades sociais. A sociedade matriarcal nasceu neste período.

As mulheres detinham o poder da sexualidade, da cultura, da religião com múltiplas deidades.
Dar continuidade à família não era uma obsessão.
Nem os homens se preocupavam com a paternidade, nem as mulheres viviam obcecadas a ouvir o tic tac do “relógio biológico”.

As primeiras civilizações sedentárias que surgem na Mesopotâmia e no Egipto, começam a ter as primeiras preocupações com a descendência e o papel masculino começa a ter um peso até aí quase ignorado.

Surge então a prostituição, a.c., inicialmente sob uma forma sagrada. Ser prostituta significava ser culta, sábia, inteligente, sacerdotisa, ter poder e prestígio. E ter-lhes acesso significava ir buscar estas qualidades.

Posteriormente já em fase de sociedade patriarcal na antiga Suméria é-lhes retirado o papel e começa a subjugação do sexo feminino e finalmente controlo da sexualidade.

Separando esposas de prostitutas. E estas em prostitutas pobres e ricas. Resumindo, o apartheid (segregação).

Ser prostituta na Grécia era ainda sinónimo de poder e independência. Sexual. Até vir a ser classificado como mau.

Em Roma a promiscuidade e a permissividade foi largamente usada. Os escravos/as eram usados para satisfação sexual dos guardas do império. E estes usavam a prostituição para obter a liberdade.

Na Idade Média a Igreja queimou mulheres apesar de toleradas como prostitutas como “um mal necessário”. Para que os homens pudessem eliminar a força que os impedisse de chegar à comunhão com Deus…

Um poder que os homens quiseram e querem reprimir nas mulheres, mas que buscam desesperadamente. Com o qual não conseguem ainda hoje estar em paz.

Poder usado por homens, pelas religiões até chegar à exploração e à escravidão das mulheres.

A história não termina aqui, tem muitas nuances e caminhos, mas esta reflexão faço-a a propósito dos sinónimos que encontrei no meu dicionário ao ler a trágica notícia.
Ou quando ouço declarações delirantes da Presidente da Assembleia da República, declarações de deputados, 1ºs ministros, ministros, príncipes, Presidentes (Hollande ou DSK por exemplo), gente do parlamento europeu, Instituições financeiras, agências de espiolhagem, homens da banca, das Merkel e um largo etc.
Todos no mesmo saco do jogo do poder, ganância, corrupção, dinheiro).

Ou vem aí um tsunami financeiro e andam todos a pensar no plano B, o de salvarem os rabiosques, ou
o desequilíbrio patológico que leva esta gente às profundezas da corrupção, a procurar dinheiro e poder, virá de graves disfunções sexuais?

Mesmo indo buscá-lo aos modernos e caríssimos lupanares não se conseguem satisfazer com a vida “fast food” que escolheram? Algo está muitíssimo errado.

Santo Agostinho afirmou: “suprimir a prostituição e a luxúria caprichosa vai acabar com a sociedade”.
Qual sociedade, esta de corruptos, psicopatas na busca frenética de poder e do dinheiro?

Permita-me sábio Santo Agostinho, eu que mal sabia aos 5 anos que viria mesmo a ser prostituta aos 50, já que me vendo a trabalhar, ou me vendo no desemprego ao meu Estado, para garantir uma réstia de liberdade, preferia voltar ao sexo na idade da pedra.
Eu e umas amigas que tenho, inteligentes, sábias, cultas, pagamos para acabar com esta merda e sermos Deusas outra vez.

Se esse for o preço a pagar para ter uma sociedade de homens e mulheres com menos psicoses e neuroses associadas ao poder, corrupção, dinheiro e sobretudo claro, ao sexo.

É que me sinto fodida e nada contente.