sábado, 12 de dezembro de 2015

"Democracídio"

Hoje ouvindo a história (brilhante diga-se) de um sem abrigo por escolha, brasileiro, de nome Eduardo Marinho, cansado do que a sociedade lhe oferecia, decidiu ir viver para a rua e aprender com os "underdogs" (excluídos, explorados, insatisfeitos) e com os pobres que sustentam a vida dos ricos (a da sua própria familia).
Como ele diz, com eles aprendeu a observar, absorver e reflectir e criou o seu próprio blog. Lá faz a sua arte. Sem se vender ou competir, porque fazer isso não é vida.
Continuo a pensar, chegámos ao século vinte e um, era dos telefones espertos mas de gente broncae (os que se submetem e aceitam estas regras) e ainda temos de estar a discutir direitos do século dezanove que deveriam ser hoje o oxigénio de todos...impensável!
Inspirou-me a escrever este poema que se eu soubesse musicar seria uma canção. Obrigada por me lerem. smile emoticon
"Democracídio"
Humanidade digna desse nome não tem abandonados
miseráveis, sem tecto, explorados, refugiados
ou da vida sabotados
Os dinheiros públicos, são isso mesmo, públicos,
de todos vêm,
entregues nos impostos, nos descontos dos ordenados
dinheiro limpo e honesto
de gente limpa e honesta
imprescindível para satisfazer as necessidades
de todos os humanos
de Ar, Abrigo, Alimento, Agasalho, Água
porque todas as outras são supérfluas
Esse dinheiro limpo e público
deveria estar ao serviço de quem vive nas franjas
dos que não têm privilégios,
mas têm consciência
que são parte da humanidade e acordam a gritar:
-"vou passar por aqui e vou sair
sem ter vergonha da minha vida"
Enquanto um grupo de gente, esses sim miseráveis,
que vive em ilhas,
vencidas com medo dos excluídos
vendidas ao dinheiro
protegidas por privilégios
neste "democracídio" que usa o poder, para roubar e matar
e usa o roubo e a morte, para continuar impunemente no poder
grita ordens para que a forma vença o conteúdo
e no mundo do poder continuarem a adentrar
Ah infelizes democracídas
eu sou como eles,
os desalinhados,
como o creme de maionese que talha
estou com os fora da caixa, que pintam fora dos riscos
eu sou como eles,
os que estão fodidos e enganados
eu faço a minha revolução
não vendendo a minha consciência
não largando a minha docilidade
não me deixando submeter
nem me calar
usando a arte não para ganhar
ou competir,
mas para vos foder
para pensar na evolução
porque a vida, essa,
vai entrar, passar por mim e sair
e eu dela nunca me vou aborrecer,
nem dela nunca me vou envergonhar.