quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Utilizador: dinheiro, Palavra passe: poder

Utilizador: dinheiro
Palavra passe: poder
O poder da força do dinheiro. Criado para fazer arder as vidas. E enquanto duram controlá-las. Sem ser necessário usar a força.
Imaginem um mundo como o da canção do John Lennon, não imposto pela liberdade mas pelo dinheiro.
Conseguem?
Todos debaixo do mesmo chapéu da branda obediência, miserabilismo e servidão.
Reconhecem-se?
É a vida que nos oferece o Estado, atados que estamos pelo dinheiro. Globalmente.
E nós em Portugal somos tratados como os migrantes que morrem no Mediterrâneo ou em Calais pelo nosso próprio Estado. O barco deles e o nosso é o mesmo.
Primeiro exploraram depois descartaram. Reconhecem-se de novo?
Os Estados não são empresas, corporações ou bancos.
São os representantes dos seus cidadãos e para com eles têm deveres de honra assinados numa carta de Constituição.
Não podem nunca descartar-se dos cidadãos como uma empresa faz.
Esta é a pergunta que todos deveremos fazer no momento do voto.

Somos dívida. Qual é a dívida que é mais importante que o seu Estado e os seus cidadãos?
As dívidas tornaram-se impagáveis e insustentáveis por todo os Estados.
E se a resposta à forma de pagar dívidas não estiver prevista em tratados invente-se uma.
Não, não me venham com a desculpa de que não somos capazes de inventar saídas. Que não está previsto…
As dívidas são “odiosas” e serviram apenas a corrupção, que já nem máscaras usa.
Os criadores, usuários e serventuários têm nomes e moradas.
Não as vou pagar nem em meu nome, nem dos meus filhos nem dos meus netos.
Mas esperem...
Já estou a pagá-las sob a forma de inferno em vida...
Como nos deixámos chegar a este estado de coisas sem Estado (que um dia foi de bem?)?
Comandados por corporações e bancos vestindo lamés e sedas como representantes no Estado.
Vamos votar para ter os nossos representantes…
A lutar porque objectivos? Os seus cidadãos?
Não é por outra coisa qualquer chamada dinheiro
e naturalmente, poder!
O poder de controlar um conjunto de ovelhas xonés.
Digo eu em escrita cuneiforme já que nem eu me entendo mais.
Ao estender o tapete vermelho a esses demónios, criamos o nosso próprio inferno. Aqui.
Há forma de desequilibrar este jogo de estratégia bem montado.
Porque optamos por viver na miséria do poder déspota do dinheiro?
A nossa alma anseia por descobrir o oxigénio!
Porque não a deixas?
Alma livre
hoje venho falar de uma barbárie
da violência que nos esmaga
cada dia,
separámos a alma da vida
oferecemos-lhe em troca
o dinheiro que ambas constringe
classifica e restringe
pretendendo comprar
a alma que nasceu livre
e a desampara no corpo que recebeu
a esta alma livre
o dinheiro pretendeu vender
algo que sempre lhe pertenceu
por toda a eternidade
que é o seu tempo de vida
em total liberdade
a alma livre
por ele comprada
está no tapete de plumas
estendido ao demónio dinheiro
e ele vermelho fogo
consome
no inferno
por nós criado
a alma desfeita em prantos
esventrada
vendida
de veias abertas
rasgada por tantos
sonhos desfeitos
sem vida
sem vento que a desvie
presa numa lenta fogueira
onde ardem as selvas
onde as chamas
de beijos lentos
a lambem com prazer
ao vê-la consumida
pronta para o orgasmo da partida