sexta-feira, 21 de março de 2014

Democracia vs Escravatura



Na espuma dos nossos dias


No final do Século XVIII aí pelos anos 1792 e adentrando-se no séc. XIX (entre 1826 até 1888 da Inglaterra aos Estados Unidos, a Portugal até chegar ao Brasil) aconteceu a abolição da escravatura. 

Tal como regimes posteriores decretados na lei, como o apartheid, este regime foi das piores vergonhas criados pelo Homem contra o seu semelhante.

Imaginem os dias desses tempos. As longas e cansativas reuniões que decorreram ao longo dos anos, entre quem estava no poder nos diversos países, sobretudo nos Quartéis-generais das “democracias” decisoras de todo o processo de libertação:Inglaterra e Estados Unidos. No parlamento e senado.

De longas casacas, fumando charutos enrolados por escravos nas plantações de tabaco em Cuba, com lenços de algodão e seda, feitos por escravos na India, na América, bebendo chás adocicados com o açucar extraído por escravos, vindo de África e do Brasil, pensavam no futuro da humanidade.

E agora que fazemos com esta gente? Tanta gente livre, tanta terra para ser trabalhada e nós precisamos de manter o status. E, esta porcaria que inventaram da democracia??

Grande gargalhada em uníssono foi ouvida da sala de reuniões. Que chatice, tantos incómodos. 

Cada um de nós é um incómodo que eles, desde há uns séculos.
Como é que os iriam manter escravos dando-lhes liberdade, sem que o percebessem? Esta foi a equação que tinham para resolver sobre os empecilhos.

Decidiram que os tinham de convencer a cair numa armadilha encapotada de bem estar. Ficarem em dívida criando vícios, hábitos, atitudes e crenças de que esse bem estar viria de consumirem mercadorias e produtos que não precisavam, mas com boas campanhas de propaganda, seriam levados por esse caminho. Para os terem, teriam de os comprar e mais tarde ou mais cedo ficar em dívida. 

Era importante ter meias de seda. E não ver o resto. Era importante distrair-se com o futebol e não ver o resto.

Assim nascemos nós, os escravos sucessores destes, passados uns séculos. Depois da 1ª GM conseguiram-se vários direitos, formaram-se sindicatos, as mulheres começaram a ter algum poder. Já não era possível pela força. Até que chegou Hitler.

Através do que se chamava propaganda e hoje é denominado “liberdade de imprensa”, marketing, relações públicas para contornar os direitos de novo conquistados no final da 2ªGM.

Os decisores que pensam por nós, tomam conta das nossas vidas e do que melhor nos serve, têm esta forma de pensar conforme nos recorda Noam Chomsky sobre a nova escravatura. Imagino uma conversa entre estes “responsáveis democratas”:

“-Esta gente tem demasiados direitos. Têm de ser colocados no seu lugar. O rebanho ou a população ignorante tem de ser apenas espectador e não participante. 
-Temos que os direccionar para as coisas superficiais da vida. Desta forma a ignorância torna-se norma. Se nós grupo de responsáveis e decisores, não os podemos controlar pela força, temos de os controlar pelas atitudes e crenças. Para seu próprio bem naturalmente.
-Temos que tirar esta gente do caminho, para que não interfiram. Temos que dar a esta gente ilusões de necessidade, emocionalmente potentes, e controlá-los através do medo ou teremos o demónio da democracia a afrontar-nos”.

Parece que os estou a ver a falar. Ou não estaríamos aqui hoje a ver o carnaval, a páscoa e o festival a passar, a bola a rolar, a casa a entregar ao banco, as low cost a levantar com trabalhadores low cost a partir e nós com a meia de seda rota na rua a pedir.