quinta-feira, 28 de maio de 2015

Sim sou uma marioneta

As redes sociais descomprimem com o estio: não havendo mortes de VIP´s nem sangue de Charlies, com o IS a curtir as merecidas férias em Palmyra, a coligação a degustar estrelas Michelin no Avilez, magicando a fuga do DDT da Comporta em veleiro para a off shore onde vai receber o rendimento social de inserção, a FIFinha a ser tramada pelos amigos americanos (que nem gostam de bola), o mundo de repente aquietou-se e o meu país em particular, parece um romance de cordel escrito por um desses escritores da moda.
Apetece-me deitar o livro borda fora de tão pouco imaginativo se tornou.

Mas gosto muito do manicómio luso e aderi ao Vem. Vou à bardamerda de bordel que me calhou em passaporte. Ver o verão.
Um lugar que dizem em depressão. Mas não vejo razão. Mas vou, quem sabe contribuir para a revolução (esta mania que tenho de fazer versos...)
No mesmo espaço, temos de tudo como num bataclan de excelência:
-putas,políticos, chulos, religiosos, muita musica, sardinhas,marchas, artistas do crochet, romances de cordel que extasiam as mulheres e as incitam a procurar o ponto G (esse santo graal) entregues à grande animação de estio. 
Até o diabo descontrai e sabe que pode escolher Ibiza para um momento de lazer.
Estamos em estado de Absolut dementia. Somos a Avalon envolta em bruma, somos uma pulp fiction sem Travolta nem Uma (nem duas escolhas). 
Precisamos de terapia urgentemente. Dentro e fora de portas. 
Sai uma razia de pílulas azuis para a mesa da espécie.
A única Constituição onde o polvo instalado jura fidelidade é a que tem no título: aqui vende-se a alma ao diabo. 
Nós os bordeleiros dependentes da droga sob a forma de folha de louro prensada vendida pelos originais cozinheiros no Rossio, ganhámos o direito a cinco estrelas michelin como clientes do bordel.
O que me dá dó de facto é que o mais provável será morrermos antes de sequer virmos a gozar os 300 euros da reforma.
Vou ali e já venho.Pode ser que não volte.