sábado, 4 de outubro de 2014

Vida e morte

Como num pacto de sangue,
para a eternidade,
vida e morte, 
irmãs siamesas
dão as mãos
em simbiose perfeita.

Um dia,
num dia único,
como tantos outros dias únicos,
a luz da irmã vida
extingue-se.

Nova luz se reacende,
A da irmã morte,
a iluminar um novo caminho.

O espírito eterno
supera-se, livre,
por fim.
Liberto do peso da matéria,
não é mais cego,
porque vê...
com clareza.

Já não mais tem medo,
porque se torna
apenas essência.
Memória.
Nos outros.

A irmã vida,
breve e ilusória,
transforma-se,
diante do trilho que pisamos,
a que chamamos, nosso caminho.

A imagem,
dela, vida,
a sua irmã morte,
vive ao lado, segura de si,
porque certa e infalível.

A lembrança de quem parte
Ah! essa terrível memória
que teima em se agarrar...
fica exilada,
na corrente que a amarra ao coração
de quem é deixado
com a irmã vida.

Até ao dia em que transformados em pó,
de estrelas,
em pequenos grão reluzentes,
a irmã morte,
reacende a sua luz
para a irmã vida,
e por fim,
se reencontram…

e como num pacto de sangue
para a eternidade,
tudo começa outra vez…

Hoje, de novo, a irmã morte veio buscar pela mão, a irmã, na vida de um jovem. Quem sabe se a buscou, por medo...Aquele que todos nós temos.
Da vida e da sua irmã. Que se confundem.
Quem fica com a vida, fica triste, como eu fiquei. Pela vida que a morte leva.