quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Pandora fora da caixa

 “Não me molho com a chuva porque sou feita de sol”,
arte de rua anónima

Na vista da minha janela, um espelho.
De um lado, estou eu.
No outro, os problemas do mundo.
Olhei-me!
Vi, do outro lado do espelho reflectido, os últimos,
Que me mostraram uma rebelde.

Prometi ao escritor Luis Sepúlveda que pedia, num dos seus maravilhosos artigos sobre as guerras no mundo com os argumentos tenebrosos e falsos para as justificar, que iria fazer barulho ao silêncio politicamente correcto que por aí se move.

E pur si muove…

A classe das aves é o bode expiatório para riquezas recentes e bem recheadas de alguns novos ricos.
Uma vendia ovos em criança, outra vendia patos…
Só patinhos feios e nenhum se torna cisne. Apenas pantomineiros.
Gostava de saber quais os animais vendidos pelos nossos ricos, quando começaram a arrebatar riquezas por cá.

Neste chão e noutros arredores também, só uns estão em modo de empobrecimento.
Outros ainda vão ficar mais. Segundo os mais recentes desejos de vinganças que circulam na quinta.
Mas por razões que nenhuma razão e nenhum bom senso desconhece.
Se até os mais sonolentos desconfiam dessas razões.

Razão tem o ditado africano: “O cabrito come onde está amarrado”.
Uns e outros estão amarrados em árvores férteis de frutos suculentos.

Somos demais neste planeta, estamos a mais, somos pedras no sapato de alguma “gente”. Somos uma chatice.
Isto, vindo de gente, que gente não é certamente…
Gente que não só nos quer eliminar subtilmente, como também usando formas mais “gressivas”, como dizia um conterrâneo de Cabo-Verde.

São muitos os interesses que fazem girar este pequeno grupo de homo nada sapiens, apenas ganancioso. Todos os meios servem.
Por ser cidadã e para me lembrar constantemente quem sou. E o que faço aqui (como diz a canção). Abro a caixa e saio. Deixo a caixa, sem medo e sem culpa.

São muitos os interesses que me movem a continuar a ser rebelde. E muito desobediente. E ainda mais politicamente incorrecta.
Só não me serve o meio que me diz que não tenho outro caminho alternativo.
Todos os restantes meios me servem.

Rumo à reconciliação e ao estreitamento de laços. Indissolúveis e irreversíveis. Feitos de gente. Entre gente.
Unidos por direitos humanos únicos e verdadeiramente universais.

Quem sabe um dia rasgamos o sinal de proibido sonhar.


Michael Jackson - Man in the mirror