quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Cidadania versus Política


Hoje li um artigo do Daniel Oliveira que me deixa a pensar na forma de ser cidadã dos portugueses. 
Somos pouco dados à cidadania. Falamos muito, mas sentados em frente a caracóis e imperiais, nos estádios, nos sofás e nos teclados dos pc´s. Ou a fazer “lol´s” nos postes (em português) cheios de humor sobre as autárquicas, ou bonequinhos tristes nas noticias de mais um qualquer corte.

Mas gostaria que alguém me respondesse. Quem é que hoje se dedica à arte cidadã da politica? Do interesse sobre a polis e o bem comum?
Os partidos? que nos representam?? 

Exemplos e referências devem-nos chegar sempre de cima. Os que menos sabem aprendem com os que mais sabem. Por imitação de comportamentos, mas desconfio que a realidade é outra e bem diferente.

Que eu saiba não há estudos sociológicos sobre esta nossa forma de estar, por isso temos de falar apenas pelo senso comum. Sou das que emigra quando a coisa está preta. Porque assim me impõe.
E depois regresso à minha Ítaca (a este chão).
Porque muita coisa me prende cá. Nem sempre voto. E cada vez sou mais abstencionista. Mas não gosto de ser. Queria ser mais cidadã. Por isso tenho que escrever o que penso.

Gosto deste país e gosto do seu desenvolvimento em muitos aspectos. Desenvolvimento que conseguiu ao longo da sua jovem democracia, já com alguma maturidade. Talvez noutro Portugal ideal, daqueles que até já dominou o mundo, muitas transformações tivessem acontecido nestes 40 anos.

Melhorámos em muitas coisas, cidades, aldeias e vilas e podíamos ter crescido ainda mais. Mas está-nos no sangue receber 1 milhão, gastar 200, meter ao bolso 700 e dar umas luvas de 100. É o nosso sentido de equidade. E vem desde cima.

Temos muitos estádios, muito cimento, muitas auto-estradas a ligar Coimbra A a Coimbra B, mas os investimentos sérios em Educação, Arte e Cultura, Saúde e finalmente Justiça, ou seja os pilares de sociedades desenvolvidas, com cidadãos a fazerem uso do poder de se organizar em movimentos cívicos, em partidos políticos, em ONG´s ou associações pela promoção seja lá do que for, ficaram presos às lógicas político-partidárias dos últimos anos democráticos.

E começámos a fazer retroversão nos últimos anos como todos observamos. Inventaram umas desculpas e agora do 1 milhão recebido, pagamos 1 milhão e meio, pelo meio pagamos 400 aos amigos bancos, metemos no bolso de uma off shore 200 que sacámos aos cidadãos votantes e desinformados.

Se a cidadania não se ensinar desde tenra idade, nas escolas, nas famílias e nas comunidades e não se praticar nos microcosmos dos cidadãos, dificilmente estes se colocam em prática nas vidas dos jovens e mais tarde em adultos no seu macrocosmo.

A apatia politica dos cidadão, ou a tal força de cidadania vinda dos sofás Ikea e dos comandos meo, talvez se deva a alguns factores inexistentes na sociedade portuguesa, como os que já apontei.  

Por outro lado temos a Engenharia de negócios que descobrimos cada dia da vida portuguesa, feitos pelos partidos políticos, no governo ou na oposição, e pelos deputados eleitos. Negócios e nada de politica.
Afinal os cidadãos que não se preocupam com a polis são aqueles que fazem política e a deveriam praticar.

Confuso? Por isso andamos a sentir o vazio. Estamos desconectados.
Elegemos os nossos espelhos para estarem lá a entre-ajudar-se. Ou, elegemos quem manipulou melhor e despudoradamente garantiu fazer diferente e enganou os cidadãos?

Para além da educação e sua prática, para nos ligar à cidadania, à democracia e sobretudo à politica, porque todos a fazemos até em frente ao pires de tremoços, precisamos que os duzentos e vários deputados eleitos para a santa casa da misericórdia de são bento, usem as legislaturas para escreverem:

a)    Leis eleitorais verdadeiramente democráticas, onde os círculos uninominais sejam realidades, para votarmos nos nossos candidatos/cidadãos, independentes ou não de partidos políticos.
b)    Leis eleitorais onde votos brancos sejam contáveis para efeito de manifestação do descontentamento civil ou de não eleição (haveria 1 palhaço diferente em Belém). Ou que desse origem a repetição de eleições, sem os candidatos anteriores.
c)    Leis eleitorais novas e transparente sobre financiamentos aos partidos ou movimentos de cidadãos essenciais à democracia (a verdadeira e não esta ilusão em que vivemos).
d)    Leis eleitorais para que cidadãos possam votar independentemente do sitio onde se encontrem inscritos (a tecnologia electrónica está inventada) e reverter a abstenção.
e)    Leis eleitorais que diminuam o nº de deputados na casa da Republica e se poupe dinheiro aos cidadãos.

Talvez com estas medidas, se nos sentíssemos representados de forma mais séria, honesta, responsável e transparente, fossemos outros cidadãos.
Mais sérios, responsáveis, honestos e transparentes.

Não sei, digo eu, apenas usando o bom senso e não me demitindo do meu papel de cidadã activa na arte da cidadania politica.

Temos um Estado social a fingir já que pagamos impostos indecentes, que são assaltos à mão armada e não sabemos para onde vão. Ou antes, desconfiamos.
Há muito que o Estado nos deixou órfãos e não dá na mesma medida em que recebe.

Nós cidadãos temos armas desiguais num sistema politico/partidário desigual. No seu financiamento e na sua opacidade de funcionamento.

Mas importa chamar-nos a todos de calões, de falta de massa critica, ao invés de elevar as consciências, ensinar fazendo e dando exemplos. 
A começar pela comunicação social vendida. A maior puta de todos.

Essa falta de pedagogia faz-me brotoeja. Que são umas borbulhas cheias de um pús verde. Tenho que as rebentar, escrevendo. Para que não me causem um cancro e lá ir parar ao inexistente SNS. Antes morrer.

Como dizia o G.Orwell no Triunfo dos porcos “os homens são todos iguais, mas há uns mais iguais do que outros”, que é o que se passa na política portuguesa.

Daí alguns dos movimentos independentes que surgem serem apenas manifestações de guerras intestinas das entranhas partidárias. Que dão em diarreia. E não me aumentam a confiança na arte de fazer política pelos travestis a que chamamos políticos.

Dizem que vem aí uma tempestade nos EUA que vai devastar extensas zonas e já há planos de protecção civil e de cuidados pós catástrofe.
Dizem e não são as senhoras dos jeovás, que vem aí um tsunami/terramoto devastador que arrasará Lisboa, zona costeira Alentejo etc etc. E que vamos morrer todos por falta de protecção civil pré e pós.
Dizem que há uma pirâmide submersa e agora descoberta nos Açores.
Dizem que há uma nova ilha na Indonésia, aparecida pós deslocação das placas tectónicas.
Dizem que o Woody Allen vem filmar em Lisboa (não sei se antes, se depois do tsunami, se ainda vai a tempo de filmar submarinos com o Portas, caso não tenhamos desaparecido da geografia do planeta).

O mundo está a mudar rapidamente só não sei se para melhor ou pior. Talvez uma rede na ilha Indonésia seja um bom refúgio, já que não tenho guelras para sobreviver na pirâmide submersa.

Digo-vos do alto da minha cátedra de sonhadora utópica, que se o mundo ainda existir no domingo à noite, não terá em nada mudado a consciência dos que hoje 6ª feira, fazem politica e que de alguma forma atiram as suas responsabilidades, para a responsabilidade dos cidadãos.
Os tais que eles dizem que o são pouco, porque não se envolvem na polis.

Vale a pena ir votar(aqueles que podem), dá-nos a nós cidadãos, alguma ilusão de poder. Quanto mais não seja, votar no candidato do partido mais pequeno de todos os concorrentes.

Para que os partidos maiores já instalados (os sobas da Europa), comecem a mudar a consciência de que o poder que julgam inerente, por defeito e absoluto, depende em muito das escolhas dos cidadãos e, que estes não são tão burros como os consideram.


Vou confessar um segredo, para mim ninguém, ninguém votar era sim o que eu queria ver. Nesse dia Portugal começaria a mostrar verdadeira cidadania e obrigar a que leis verdadeiramente democráticas fossem escritas.