sábado, 14 de fevereiro de 2015

Desconhecido

Anda comigo diz-me o desconhecido batendo-me ao de leve no ombro. Segue-me, puxando-me o braço. Eu sigo-o sem hesitar, cumprimentando-o: olá. Aqui estou! É dentro dele que me perco e me acho.Damos o braço e continuamos a andar. Encolho os ombros,para quê saber para onde me leva? Se tropeço, ampara-me, se caio...senta-se ao meu lado e espera que eu recupere as forças, que a respiração volte a ser serena.Diz-me enquanto caminha: tens todos os trunfos.O jogo pertence-te. Eu ouço-o atentamente,sorrindo séria pensando no que me diz. Sim, não deixarei que a vida jogue por mim. Estou cá para participar.Dói sussurro! Claro que dói, alguém nasce sem dor? Para a mãe e para o bébé? quer saber suavemente. Concebes uma planta a rasgar sem dor para a sua raíz e para a terra que é esventrada? Voltar ao teu centro, rasgando, rompendo, agarrando-o. Mesmo que doa, eleva-te no caminho de te revelares. Como um pássaro. De ser quem vieste ser. Agarro com força o braço do desconhecido e sigo com ele. Elevando-me.

“I was introverted as a child. But when we were in dance class, where you had to project and express yourself, it was a release. Somewhere along the way, I realized I loved being able to step out of my shell.” --Jacqueline Green

Copyright Richard Calmes