segunda-feira, 20 de abril de 2015

Criarte

Recebi uma pérola preciosa
transmitiram-ma por via sexual
chupando o dedo não pensava
que crescia para conhecer 
depois de uma doença amorosa
um mundo paradoxal
aquele que me esperava


Ultrapassei meses num espaço fechado
pequeno e aquecido
levei dias no banho
a brincar no meu lago nutrido

O mundo via crescer a barriga 
de onde iria brotar uma Maria
nascida de uma Margarida
morena florida
em gritos e dores parida

Que hei-de fazer desta vida
que me veio oferecida
não me disseram que podia
um dia 
abruptamente e para sempre 
ficar adormecida

a natureza ensina-me
que a vida me estima
por isso me deu,
dá-me provas de aptidão
para me ganhar o coração
a ela me retribuo 
dançando-me nela
e criando para ela contribuo.

Fui parida neste mundo estranho 
e doente
mas antes de me tornar demente
num prefácio nu
quero escrever-me 
sem que me lamente
eu aqui estou
eu aqui me dou 
e agora me vou
e meu amigo ou desconhecido 
também tu

De nada serve
em dramas me vencer
a minha alma vender
viver pela dor consumida
em reticências me entregar
por interrogações não me arriscar

Na história que vou escrevendo
com dois pontos me entendo:
vou cobrir-me de serenas afirmações 
de capítulos vestida
desavergonhadamente garrida 
tornar-me forte de sentimentos
corajosa nas emoções
até ao dia em que adormecida
num ponto final à vida
Num epitáfio cru
do outro lado da fronteira
me fizer amanhecida
e meu amigo ou desconhecido
também tu