domingo, 12 de abril de 2015

Pequenas grandes coisas,

Mais um dia frio por entre raios de um sol deslumbrante que apenas aquece a sul do Equador. 
Uma caminhada longa por entre prados cultivados e cores a despontar. Todas as que existem e as que nem sonho que existem.
Mais um dia no qual mais um pedaço desta emoção humana que se chama medo, cai. E num gesto vitorioso levanto o dedo do meio numa saudação!
Desta vez, atirado num dique sobre o qual caminhava.
Vivo num mundo idílico. De tulipas de várias matizes, numa propriedade com ovelhas do tamanho de póneis e galinhas do tamanho de ovelhas. Um adn singular o destes animais. 
Como o é o humano. 
Das cavernas, em nome da sobrevivência, de onde saíam os homens para caçar e onde aprenderam a ver " o quadro por inteiro e em grandes dimensões" (era preciso apurar o ouvido e a visão para as caçadas numa longa distância), e as mulheres ficavam num quadro de dimensões mais reduzidas, os campos e as cavernas, onde desenvolveram uma maior visão de detalhes, até chegarmos ao barbarismo dos dias avançados de hoje, tudo se resume a sobrevivência. (?)
Dizia eu, no meu mundo idílico, cada dia de vida que tenho, cai-me um pedaço de medo. Não tenho tempo a perder. 
E acho que nem vocês que me estão a ler.
Hoje foi sobre um dique, onde o Homem aprendeu a dominar a força da natureza e, para sua protecção e sobrevivência arranjou soluções.
Nesta ilha onde vivo, depois de uma mortandade sem paralelo devido à força das águas que invadiram esta terra, hoje temos um pequeno paraíso em beleza, em desenvolvimento, em conforto e em vontade de todos sobreviveram e se protegerem de forma igual. 
Ao observar, alargando o meu campo de visão e, ao pensar que com a grande fome e consequente matança imposta pelos alemães quando da invasão deste pequeno país baixo (desviada que foi a fonte de sobrevivência deste povo para as tropas alemãs ou outro sítio qualquer) os milhares que sobreviveram, deram um exemplo do que é a verdadeira evolução. Do adn especial da espécie. 
De novo volto ao medo que atirei para lá do dique.
Que pequena grande coisa esta evolução.
Morreram, foram pilhados, foram mortos, sequestrados, retiraram-lhes a fonte de sobrevivência e protecção e que fizeram? 
Re-construíram.  E é aqui que reside a força humana. 
Esta é a minha esperança. Não de transformar de repente. 
Mas o de encontrar esperança na devastação.
Para lá do meu mundo, que é idílico, há um mundo devastado. Pilhado, sequestrado, a ser diariamente roubado o direito de sobrevivência, protecção e evolução deste ADN especial que é o humano.
Todas as técnicas estão inventadas para nos trazer debaixo de medo e para o estimular. Se eu assustar as ovelhas que pastam tranquilas na propriedade da casa onde moro e lhes mostrar perigos constantes, elas vão viver aterrorizadas comigo. Vai ser fácil tê-las sob controlo. Goebbels sabia disto. 
Quem comanda o ISIS e outros "governos" terroristas mesmo que não usem comandos suicidas...conhece as técnicas. 
E disfarçam-se de cordeiros fofinhos. De lobos amorosos que só querem ajudar a avózinha.
Sobretudo quando chegam as eleições. Os golpes são baixos e todos sujos. As mentiras descaradas e as falsas promessas de céus cheios de virgens e de terrenos nos céus, quais pastores de seitas, vão fazer-se ouvir.
Como o governo de Passos/Portas usam e todos os anteriores usaram. Como os partidos e políticos estão já a usar contra candidatos limpos. Como a UE usa contra a Grécia e o Syriza. 
Como nos usam a todos alegando que por causa do terrorismo (criado por quem nos quer com medo) devemos entregar a nossa liberdade e direitos.
Tudo fazem para ganhar a guerra do poder. Porque um gene ganhou relevância na cadeia especial da evolução humana: o gene da ganância.
Se podem ter um kudu que avistam lá longe porque razão se ficam pelo pequeno veado?
E de veado, ao kudu, ao rinoceronte, ao planeta inteiro, vai uma distância muito pequena. Foram uns milhares de anos e aqui estamos. 
Vencidos pelo medo. Essa emoção que uns técnicos gananciosos aprenderam a explorar tão bem. Para conseguir mais poder: o corno maior de todos. 
Por isso "eles", os que saíram da gruta para alargar horizontes, precisam de al qaedas, isis, espiolhagem, austeridade, e matança em grande escala. 
Para diminuir as capacidades aos que ainda estão na caverna. Para nos entreter e distrair das suas manobras. Para nos dividir. Para nos desviar de quem somos verdadeiramente. 
Desconfiem. Estejam atentos às manobras de propaganda e de diversão. Leiam Platão, Camus. Estudem filosofia. Ou olhem apenas à volta. Meditem de barriga para o ar. Ou numa posição esquisita de ioga. Ou percebam sozinhos sentados num banco de jardim. Ou numa manifestação. Mas percebam. 
Eles vivem confortáveis e sem sobressaltos. Sobrevivem e estão protegidos. 
Eu e tu não. Temos a nossa sobrevivência e protecção ameaçadas. Não por causa de um leão a rondar as cavernas. Por um predador maior que se julga poderoso. É um igual a nós só que mais perigoso.
Somos os holandeses invadidos,pilhados, sequestrados e enviados para a morte, pelos alemães. 
Porém...temos um gene que diz que somos capazes de reconstruir!
Não se esqueçam.
E por isso hoje deitei mais um pedaço do medo fora. Junto ao dique reconstruído para proteger vidas, para que nunca mais vivessem sem a devida protecção.
Debaixo daquele dique corre sangue da minha espécie. 
Outros foram salvos. Essas pequenas gotas decidiram ser esperança e reconstruir. Um deles é um sobrevivente e contou-me a história dos que morreram e dos que sobreviveram. Ele veio para cá reconstruir.

Levantaram o dedo do meio à adversidade natural, enterraram os mortos e cuidaram dos vivos. Tal como sabiamente fez o Marquês de Pombal em 1755. Como fizeram Snowden, Manning, Assange entre tantos outros. 

Olhando à distância o meu pequeno grande país, hoje é um esgoto pútrido que precisa de ser varrido por um vento gelado do norte que afaste e sacuda( também o medo) e água gelada deste mar frio, que lave e renove( também o medo).
Para nossa sobrevivência e protecção.

​Cada pequena gota de vida, como tu e eu no mar da memória e das nossas vidas faz a diferença para que seja melhor. 
Seja em que área for.
E esta grande coisa abre-me a porta da casa da esperança, não para mudar nada no mundo, mas para reconstruir qualquer coisa, por mais pequena que seja.​