domingo, 22 de junho de 2014

Razões para sair da Matrix

«O mal está tão generalizado, tão disseminado que está transparente» Jean Baudrillard

É justamente neste momento que a minha fé e esperança se reacendem. Um asteróide atingiu a terra há milhões de anos e destruiu os dinossauros. Nós podemos ser o asteróide dos tempos actuais como bem relembra Noam Chomsky, com quem concordo. Como poetas, marinheiros, artistas, gente que pensa e gente que sente, também somos o asteróide capaz de mudar de repente e sem aviso o rumo que tomámos.
Todos sabemos que no mar, o vento pode mudar subitamente e desviar o destino do barco. É a nossa infinita capacidade de criar quando estimulados pela curiosidade, de imaginar, resistir, pensar, de se deixar ir, de reagir por impulso, todos estes elementos combinados que fazem de nós a massa capaz de construir de novo. De arranjar novos rumos, novos destinos. De ver o mal que se tornou transparente e corriqueiro e destruí-lo. Também somos o asteróide da renovação.
Estou inspirada a fazer do pedaço de tempo que me restar nesta minha passagem, uma fuga em grande da matrix em que vivemos «persuadidos a gastar o dinheiro que não temos, em coisas que não precisamos para criar impressões que não duram em pessoas com as quais não nos importamos» trabalhando infinita e de forma desgastante para obter esse dinheiro.
A revolução pacífica irá acontecer aos poucos. Eu vou dar um passo nessa direcção, como muitos já estão a fazer. Hoje uma ou duas pessoas e amanhã com muitos mais. Com todos aqueles que agarraram o lenço e não o deixaram fugir com o vento violento e repentino que nos varre.
Contra o vento que sopra, agarro no meu lenço para que não me voe e caminho. A dançar a minha dança para fora da matrix. Construindo o meu moinho de vento.

"Aqueles que foram vistos a dançar foram tidos por loucos por aqueles que não ouviam a música". Nietzsche.

Uma notável entrevista