terça-feira, 17 de junho de 2014

3º Mundo e o pensamento

Respondendo a um (a) lobotomizado (a) que criticou um dos meus textos, naturalmente escrevo. Gosto de críticas e confrontos. Que usem o pensamento. Não foi o caso. 
Respondo a todos os que continuam a tocar a música na mesma e única nota de “os portugueses estão mal habituados” e pergunto: O que significa a vida para vós? Mesmo que haja maus hábitos a corrigir, que os há.

De onde vem a cegueira que invadiu o sentir dos vossos corações e o branqueamento da razão no vosso pensamento?
A vida a que nos devemos habituar é a de ser miserável e deixarmo-nos subjugar por gente de pensamento terceiro-mundista?

Eu não acredito no 3º mundo, acredito que há pessoas que fazem tudo para convenientemente manter o 3º mundo, na medida dos seus interesses.

Ou no 3º e 4º mundo (em que nos estamos a transformar) vivemos mal habituados tamanho é o conforto? Tenho passado largos anos no chamado terceiro mundo e garanto que a visão dos esfomeados é ter uma vida livre, sem fome. Sem fome de nada do que pertence ao ser humano por direito inerente à vida. Tal como vem escrito na Carta Universal dos Direitos do Homem herdados da Revolução Francesa, a que vem nas Cartas das Constituições Democráticas, sendo a mais democrática a da RSA pós apartheid até chegar à Portuguesa.

Não sou do tipo de passar a vida a lamentar-me. Experimento a vida fazendo, agindo, indo à luta com ela. Deixando que ela me indique o caminho do que não posso controlar e dando passos para agarrar qualquer oportunidade. Sei ver com o cérebro e com o coração as maravilhas que me rodeiam e quero que todos os outros as vejam também. Porque esse direito nasce igual para todos.

Mas passo e passarei a vida a lamentar a visão terceiro mundista de quem nos quer nesse mundo e dos que julgam que esse é o melhor para nós.
Até passar para um universo paralelo, ou ver este universo em paralelo com a visão que tenho de um mundo desenvolvido. E o pior é que nos querem uns contra os outros. É o biscoito da manipulação e ainda há quem o coma e digira.

Em política não existem certezas nem verdades absolutas. Existe pensamento e atitudes. Que geram acções. E as que estão a ser geradas são terceiro mundistas, por gente que nem usa o pensamento. Para quê eles próprios lerem, estudarem, pensarem? Usam apenas os modernos manuais do grande filósofo Tiririca e do tio Patinhas.

Por enquanto temos fome, doenças físicas e mentais agravadas pela austeridade brutal, mulheres que morrem pela violência e discriminação, homicídios fruto de uma sociedade violenta, suicídios, crianças mal nutridas, homens e mulheres sem perspectivas, velhos sem cuidados. Países sem direito a educação, justiça, e a saúde para todos.

Todos temos o dom de pensar e a obrigação de usar esse pensamento e o coração, para servir os melhores interesses e a qualidade de vida da humanidade. Essa é a minha visão da vida.
Os seres humanos vêem com o cérebro não com os olhos. Usemo-lo em conjunto com o coração para sermos dignos desta grande experiência que é a vida.


Num lugar onde educação e cultura cada vez têm um papel mais irrelevante para não estimular o pensamento, aceito gente que pense de forma diferente da minha, mas assumo-me intolerante para quem tem uma visão terceiro-mundista da vida. Sem pensamento ou sem coração.